Shameless chega à metade da primeira parte da temporada e consegue desenvolver seus personagens de forma satisfatória e entregar episódios com falhas, mas aceitáveis. É reconhecível a tentativa dos roteiristas em trazer novidades e fôlego para o programa nessa altura do campeonato e fica evidente a exploração do clima de desfecho na história de alguns personagens
Em “Weirdo Gallagher Vortex” vemos Frank em sua corrida para conseguir votos para Mo White e como Frank vai se beneficiar com isso, Frank é o clássico homem que não se importa com a maneira que vai lucrar, contanto que lucre e isso fica claro quando descobrimos que seu candidato foi condenado a ficar longe de escolas, pois é um pedófilo, mas isso não impede que Frank – e vários outros – o apoie. Fiona teve um episódio mais voltado para o desenvolvimento de seu relacionamento com Ford, e por mais que eu goste do Ford, ainda me senti indiferente aos dois. Ian passou o episódio todo tentando se conectar com “Shim” e entender seu lugar em todo esse movimento de “Gay Jesus”. A carga dramática do episódio ficou para Lip, nada novo sob o sol, sua tentativa de cuidar da Xan fica cada vez mais difícil e óbvia qual será a conclusão da mesma.
Debbie se descobre bissexual ao se sentir atraída por Alex, uma companheira de trabalho, e juntas procuram acabar com o machismo no seu ambiente de trabalho, gosto como a série vem trazendo mais desses plots super fora do comum, tipo grudar um pênis de metal nos carros ou até mesmo V voltando aos seus dias de dominatrix (inclusive é a melhor parte do terceiro episódio) para ajudar Carl a conseguir uma carta de recomendação para West Point, Kevin fazendo com que o Alibi seja um bar que não colabore com a cultura do estupro (muito importante, por mais que o tema seja tratado da maneira “Shameless”) ou Liam no seu primeiro dia na escola pública sofrendo bullying por vir de uma escola particular, são plots que passam despercebidos, mas que divertem e isso Shameless sabe fazer direitinho.
Estaria super satisfeito com o andamento da série, se em “Do Right, Vote White!” não tivéssemos um descaso com o centésimo episódio da série, não que tenha sido ruim, mas a expectativa para esse episódio, que é considerado muito importante para produções, um marco, tenha sido tão esquecível como foi, posso citar no mínimo dez episódios de Shameless mais marcantes que esse.
No quarto episódio, vimos o dia de votação, Frank tentando de tudo para Mo White ganhar, quando o mesmo já mostrava sinais de cansaço e derrota, a cena do político observando as garotas no ponto de ônibus foi muito ridícula. Um fator positivo é que todos os Gallaghers (incluindo Kev e V) foram bem utilizados nesse episódio.
Podemos perceber como Fiona mudou desde as primeiras temporadas ao vermos a protagonista defendendo um homem que pensa mais em negócios, do que no bem estar dos moradores do South Side, sendo que há uns anos, Fiona fazia parte da população marginalizada e como a própria já disse, ela apenas está tentando sair dessa margem, felizmente no final, Fiona, com a ajuda de Ford, que me agradou muito nesse episódio, percebe que não precisa abrir mãos de princípios tão importantes, como o bem daqueles que não têm tanto, para se dar bem na vida, nada como bater num neonazista.
Debbie mal começou a namorar e já foi morar junto, a intensidade das duas chegou a ser engraçada, tanto que os próprios irmãos da moça se perguntam se a irmã tinha saído de casa em algum momento, quando Debbie volta para casa depois de levar um fora (merecido) de Alex, espero que explorem a bissexualidade da moça de forma mais responsável, diferente do que fizeram com a V. Carl entrou em conflito para achar seu lado mais violento e achou ao enfrentar o bonito da série Insatiable, que só queria ser um poeta.
Ian está cada vez mais perturbado com a confusão em que se meteu com toda essa história de “Gay Jesus” e o estado mental do personagem só tende a piorar, é claro que tudo que ele quer é propagar a ideia de amor no mundo, mas a dificuldade que ele encontra quando sua mensagem é distorcida, ainda mais por intolerantes, a cena de perseguição me lembrou um pouco das primeiras temporadas quando isso era mais presente.
O que partiu meu coração nesse episódio foi Lip e seu coração, a volta da mãe da Xan e o sacríficio que o mesmo faz para cuidar da garota é algo constante no personagem, a última vez que o vi tão magoado foi quando ele descobriu que o filho de Karen não era dele e como sempre Lip colocou o bem estar de seus protegidos na frente do seu e não poderia ter sido mais doloroso.
Neste centésimo episódio, tivemos um resgate a alguns elementos das primeiras temporadas, mas nada muito impactante, a presença do pior Milkovich foi completamente esquecível também, se tivesse pelo menos uma interação do pai de Mickey e Ian, no caso o Ian o quebrando na porrada, mas nem isso. A cena de luta foi divertida também.
Shameless então constrói o caminho de seus personagens, alguns para uma conclusão, como Ian e Fiona, já que os atores vão deixar a série nessa temporada, e consegue agradar e entreter, ainda procurando seu lugar no sol novamente, que o final dessa primeira parte traga mais acontecimentos empolgantes e significativos para o show.
> Bom gosto pra SÉRIES é relativo? feat Alice Aquino!
PS1: Ficava preocupado que Liam tivesse as sequelas da sua overdose, mas ele é um gênio! (Pelo menos para a escola pública).
PS2: Mo White é horrível demais, espero que nunca mais apareça, mas parabéns pela intertextualidade, roteiristas.






















