“Os Gallaghers sempre atraem loucura”.
Depois de sua oitava temporada arrastada, Shameless retorna para sua novos episódios da mesma maneira como sempre faz, acompanhando a loucura na vida dessa família nada convencional, mas assim como na temporada anterior, é muito difícil enxergar uma forma que traga o vigor que a série uma vez teve e que nós vimos desaparecer depois da morte da Monica lá na sétima temporada, entretanto depois da notícia que a atriz que interpreta a Fiona, Emmy Rossum, vai deixar a série nessa temporada (leia aqui), uma certa curiosidade sobre como vai acontecer essa saída surge e se a série vai conseguir continuar sem sua protagonista.
Em Are You There Shim? It’s Me, Ian e Mo White! tivemos a introdução do plot de cada um dos Gallaghers nessa temporada e mais uma vez o mais interessante é o da Fiona. Não me entendam mal, uma temporada focada nos Gallaghers ficando mais maduros me deixa muito feliz, mas o modo como as histórias de cada personagem parecem ficar desgastadas não convence tanto ano após ano.
Começando por Debbie, que nessa temporada vai lutar pela igualdade salarial e toda essa ideia de trazer essa discussão do feminismo de forma direta para o roteiro da série é algo positivo para o desenvolvimento da personagem, assim como fizeram na sétima temporada quando exploraram mais o mundo LGBTQ+, além da visão fechada que Ian tinha. Aparentemente a fase rebelde de Debbie ficou para trás e isso me anima em ver mais da personagem, porém depois desses dois episódios me pergunto se é proposital ou só esqueceram mesmo que no final da última temporada o pai da filha dela voltou e disse que queria ajudar a criar a filha.
Agora Carl continua focado em sua carreira militar, ele é um dos personagens que mais evoluiu nas últimas temporadas e o quão satisfeito fiquei com o desfecho da história com a Kassidy porque não aguentei ver a menina por dois minutos durante o primeiro episódio, a história do jovem pode trazer bons momentos para a temporada, mas até o momento nada muito animador, a melhor cena foi a pós crédito do segundo episódio onde ele faz o velório do cachorro veterano, é esperar pra ver essa corrida para ser aceito em uma academia militar.
Lip agora assume um papel de responsabilidade ao ter acolhido Xan, que foi abandonada pela mãe e pela tia, por mais que ele tenha cuidado dos outros desde sempre, começando por seus irmãos até seu mentor, o jovem assim como Fiona perdeu muito nos últimos anos e vem tentando se encontrar nas últimas temporadas e pelo que foi mostrado no segundo episódio, existem alguns obstáculos a serem enfrentados pelo jovem tanto para cuidar da criança quanto para ajudar outros lutando contra o vício como ele.
Liam começa a ganhar mais espaço, desde a temporada passada isso vem acontecendo, e acho muito fofo como a personalidade do garoto está sendo construída, ele passando pela fase que já vimos Debbie e Carl passarem nas primeiras temporadas, quando as crianças acreditavam muito no pai, é bom ver que mesmo estando mais envolvido com Frank, Liam consegue ser honesto, diferente do pai. As cenas com a Fiona no segundo episódio foram muito divertidas também. O plot do Liam acaba sendo mais promissor que o da Veronica e Kevin, que funcionavam tão bem com a Svetlana, odiei a maneira como trataram a bissexualidade da Veronica como apenas um “fetiche” por pessoas mandonas e depois só fizeram a Svetlana sumir. Espero que toda essa história com as gêmeas traga crescimento para os dois.
Já o patriarca da família largou seus dias de bom moço e voltou aos velhos hábitos procurando qualquer oportunidade para ganhar dinheiro, sei que isso deveria mostrar Frank em diversas situações, mas para mim faz um bom tempo que nada significante é feito com o personagem, o auge dele foi lá na quarta temporada com o câncer e por ali ficou, mas sempre espero que ele traga em algum momento uma carga dramática pro roteiro, porque isso ele e Fiona sabem fazer como ninguém. Veremos Frank entrar para a política e representar tudo de errado que o personagem traz em si, o discurso falando mal da diversidade e falta de candidatos brancos chega a ser hilário ainda mais se ligarmos à situação em que estamos vivendo atualmente. Ponto pra intertextualidade do roteiro.
Já nessa temporada nem Frank consegue bater a história de Ian, pois o jovem está realmente inserido nessa cultura de “Jesus gay” e gosto dele ter percebido a diferença de estar fazendo a diferença de verdade, como ele estava dentro da cadeia, e apenas servindo de imagem para ganhar dinheiro como aconteceu assim que ele saiu da prisão, não queria que esse fosse o foco do personagem, mas já que vão continuar nessa, que façam algo bem feito. Acho que teremos um pouco mais como anda sua bipolaridade e como ele se sente em relação a sua medicação.
Por último e mais importante, não tem como não torcer para o sucesso de Fiona, a personagem já passou por tantas coisas durante toda a série, abriu mão de tanto para estar ali pela sua família e ver a moça focando apenas em seu crescimento profissional me dá muita esperança, consigo ver algo muito ruim se aproximando, pois ela nunca pode ficar muito feliz sem que o drama venha incomodá-la, todos os personagens, na verdade. Não consigo engolir o romance com o Ford, não pela falta de química, mas por achar que não está acrescentando nada ao roteiro nem ao crescimento da personagem. Ainda não consigo imaginar um cenário que vá fazer a personagem deixar o South Side, mas estou muito ansioso para descobrir.
O começo dessa primeira parte da nova temporada de Shameless, que será dividida em duas partes, diferente de todas as outras até agora, trouxe uma pequena amostra do que podemos esperar desse novo ano e nos convida a embarcar em mais uma série de loucuras que os Gallaghers vão aprontar. O grande feito da série é que por mais que não tenhamos mais o fôlego das quatro primeiras temporadas, ainda consegue divertir e entreter seus telespectadores que estão apegados a essa família. Que venha a temporada de amadurecimento dos Gallaghers, ou algo do tipo.
















