
Ele sempre volta.
Spoilers Abaixo:
Cento e trinta e sete dias se passaram e, para nossa alegria, as coisas continuaram praticamente as mesmas para a família Gallagher. Até agora.
Foram também 137 dias sem saber de Frank, é verdade, porém isso não é nada com o qual os Gallagher não estejam acostumados. Com exceção de Deb, é claro. A ruivinha sempre foi a mais ligada no pai e, apesar de saber tudo o que ele apronta, sofreu todos os dias com sua ausência. E dá um dó danado da baixinha, não? Nem mesmo com Fiona tentando animá-la, afirmando que Frank sempre volta, ela sossegou. Montou um mural, entrava pela casa na esperança de que o pai estivesse milagrosamente por lá, perturbava sempre a irmã para ligar para os hospitais, não desistiu um dia se sequer.
E enquanto sua filhinha sofria com sua ausência, onde estava o velho beberrão? No México e sem ter a menor ideia de como foi parar lá! Ao que tudo indica Frank deve ter enchido a cara (e usado outras coisinhas a mais) por todo o tempo no qual ficou ausente, atravessou o país de uma ponta a outra e só foi dar conta de si quando estava do outro lado da fronteira! E é melhor a gente nem querer saber o que ele aprontou durante esse tempo todo!
Ou não. Por que existe coisa mais engraçada que ver o Frank aprontando das suas? Tem como não rir das situações em que ele se mete, das situações extremas em que se coloca para conseguir o que quer? Por mais bizarro que possa ser, sou forçado a admitir que o velho Gallagher pode aprontar qualquer coisa que eu não só não consigo odiá-lo, como também ainda o tenho como meu personagem favorito. Disparado.
No final, como sempre as tentativas extremas de Frank de conseguir o que deseja tiveram sucesso e, para a alegria de Deb, o beberrão voltou para casa – porém não antes de ficar famoso perante todo cartel para o qual prestou serviço. “El Grande Cañón”, como ficou conhecido pelos bandidos, levou nada mais nada menos que 19 tubos em seu “depósito” e esmigalhou o recorde anterior de transporte de cocaína, de míseros 8. Pelo menos agora Frank pode parar de reclamar e agradecer a Sheila por ter aumentado a “capacidade de armazenamento do seu porta-malas”.
Enquanto isso a coitada e linda Fiona é quem sofre, como sempre se desdobrando para cuidar de toda família. Se a grana é boa vale tudo, nem que para isso ela tenha que literalmente enfiar o pé na m… E entra temporada, sai temporada, fica a esperança de que ela finalmente se acerte, consiga um emprego melhor e, consequentemente, uma vida melhor. Desta vez a grande oportunidade é para promover uma festa na boate no qual ela trabalhou como garçonete no verão anterior. Será que dará certo? Ou a pergunta correta que devemos fazer é: “O que irá dar errado desta vez?”?
Provavelmente sua relação com Jimmy-Steve que, pra variar, está na maior enrascada. O malandro está se esforçando muito para manter a promessa que fez a Fiona na temporada passada e não abandoná-la, porém mais uma vez o passado vem assombrá-lo. Contudo, dessa vez a encrenca é feia e vai ser muito difícil para ele se livrar do chefão do tráfico brasileiro e pai de Estefânia que, além de obrigar Jimmy a manter as aparências do casamento com a filha, não quer vê-lo se metendo em problemas. Jimmy tra-ba-lhan-do? Essa eu quero ver!
E por falar em Jimmy, a relação de seu pai (Lloyd) com Ian continua. O velho ajuda Ian a estudar para entrar no exército e Ian retribui satisfazendo os reais desejos sexuais de Lloyd. Por enquanto está tudo ok, mas Mickey está prestes a sair da prisão e isso tem cheiro de confusão pela frente. Além disso, é claro que mais cedo ou mais tarde todos acabarão descobrindo sobre o relacionamento dos dois e é claro que para variar teremos mais uma grande confusão.
Aliás, “Confusão” deveria ser o nome do meio de Lip Gallagher. Alguém me explica como uma pessoa tão inteligente consegue ao mesmo tempo ser tão burra e autodestrutiva? O cara prefere ir preso pela ducentésima vez ao roubar um laser de uma escola para derrotar uns babacas de faculdade e ganhar US$ 400 do que usar sua inteligência para se transformar em alguém na vida? Até quando você vai ficar nessa vida, Lip? A verdade é que as ações e motivos podem até ser diferentes, porém ao desperdiçar sua inteligência e repetidamente se meter em confusões tudo o que Lip vai conseguindo é seguir rumando rapidamente para o mesmo destino de Frank.
Em resumo, “El Gran Cañón” foi um bom episódio que conseguiu divertir e ao mesmo tempo apontar de forma competente os caminhos pelos quais a série deverá seguir nesta temporada. É verdade que se compararmos esta Season Premiere com a da temporada passada iremos encontrar muitas coisas semelhantes, porém isso só indica que os Gallagher passaram a 2ª temporada andando em círculos e que é necessário que desta vez eles tomem atitudes diferentes para conseguirem melhorar de vida. O que vocês acham? Será que agora vai? Ou ano que vem estaremos conversando sobre a mesma coisa?
Rapidinhas
– Sheila deve estar arrependida de ter preferido ficar com o neto do que com a filha. Enquanto Karen sumiu e não deu mais sinal de vida, o bebê chora o tempo todo e não a deixa dormir. E o folgado do Jody ainda dorme de protetor no ouvido para não ter que levantar!
– E a Veronica e o Kevin fazendo show sadomasô online? Hilário! Mas quem adorou mesmo foi o Carl!
Diálogo entre Frank e mexicano da cidade de Juarez:
Frank: “Eu perdi o Natal?”
Mexicano: “Natal? Você quase perdeu a Páscoa!”
Frases
“Jesus, o que aconteceu com tiras gordos de tanto comer rosquinha? Agora, são todos triatletas!” (Lip para Ian, correndo dos guardas da escola)
“You poop it, we pump it!” (“Você faz cocô, nós bombeamos” – Lema da empresa de limpeza de esgoto de Fiona)
“Obrigado, Sheila!” (Frank, após colocar para fora o 19º tubinho de coca)















