O mal nunca é fora do comum e sempre humano. Compartilha nossa cama e come à nossa mesa.

Um dos plots twists mais marcantes do mundo da ficção cientifica foi a grande revelação do Darth Vader em O Império Contra-Ataca quando disse ao Luke: Eu sou seu pai!  From Darkness, the Sun, teve de tudo, desde unsub sendo caçado pelo FBI até o Duval tendo um momento Luke Skywalker pra chamar de seu. O episódio foi empolgante, tenso, ágil, com uma pitada de divertimento e uma boa reviravolta que abriu espaço para os desdobramentos necessários para Second Chance colocar os vagões no trilho, deslizar com mais tranquilidade e menos medo de descarrilhar.

Acho interessante como as temáticas relacionadas à família, as suas relações e os seus conflitos nunca saem de moda e sempre rendem episódios interessantíssimos no mundo das series.  A partir de um anagrama proposto pelo desequilibrado Asher ao seu pai Davis (da escuridão, o filho), SC nos mostrou várias camadas do delicado complexo chamado família. Tivemos um filho ressentido, um pai com complexo de Deus e muitos anos de problemas sendo jogados debaixo do tapete como ingredientes básicos para a construção de uma trama desenvolvida de forma consistente e que no fundo queria colocar em xeque a relação de Duval e Jimmy.

Tenho gostado muito das cenas de abertura de SC e, igualmente ao episódio anterior, a sequência inicial foi bem construída e de cara já nos mostrou o caso da semana: cinco pessoas algemadas nos portões de uma empresa de energia a carvão, mortas a machadadas por um agressor desconhecido usando macacão tyvek branco. Confesso que me senti assistindo um episódio de Criminal Minds com todo aquele aparato do FBI, crimes violentos, cobertura da mídia e um unsub psicótico à solta. Só faltou o Hotcher dizendo: Partimos em 30 minutos!

Em paralelo a esses bizarros acontecimentos e com uma bela música de fundo, temos Mary Goodwin com o seu esplendoroso figurino matinal trocando fluidos corporais com Jimmy Pritchard (foi só sangue, pessoal). A sequência foi como uma bela pintura para os meus olhos, tanto que eu nem me importei com a pouco surpreendente conclusão da história do copo coletado no episódio anterior para analisar o DNA do xerife.

A única coisa boa que saiu disso tudo foi que a descoberta do DNA transgênico de Jimmy fez com que Duval, à procura de respostas, confrontasse Otto Goodwin e a interação entre ambos foi curiosamente boa. O jovem gênio da Lookinglass mostrou a sua perfeita inabilidade para lidar com pessoas estranhas a sua zona de conforto.

Uma coisa que me agradou muito nesse episódio foi a presença do querido Martin Donovan (Duke Davis) batendo luvas com o xerife, contrabalanceando o fraco Adam DiMarco (Asher/Unsub) e permitindo que a cena no ringue fluísse tensa e bem executada como só ele poderia fazer. Enquanto isso na sala de justiça, Mary bisbilhotava a casa alheia bancando uma das três espiãs demais. Gosto dessa nova Mary mais solta e que sai a campo para ajudar a desvendar o caso da semana.

E o que dizer dos Pritchard fazendo o profiling do criminoso desconhecido? Foi bacana, mas não explicou a ausência de toda a guarnição do FBI investigando um crime chocante como o apresentado. Tudo aconteceu de forma muito veloz entre a sequência da boate e a finalização do caso, foi num piscar de olhos. A conclusão do episódio foi frenética, com direito a luta bem coreografada, com um conflito entre pai e filho (Davis e Asher) que desembocou em mais uma morte violenta dentro de um avião e que nos conduziu para o melhor momento de reviravolta que SC poderia produzir que foi a Mary revelando para o Duval a verdadeira identidade de Jimmy Pritchard.

From Darkness, the Sun, foi um episódio acima da média, dedicou bastante tempo de tela para os diálogos mais íntimos entre Jimmy e Duval; criou um delicioso cliffhanger para o próximo episódio; incrementou sua mise en scène com lutas mais bem coreografadas; usou uma iluminação mais apropriada para uma serie de ficção e andou por caminhos desconhecidos ao adicionar a figura do jovem unsub como o caso da semana. Mas não significa, nem de longe, que a série não apresenta alguns problemas que precisam de solução urgentemente. Fico me perguntando: Qual o papel do FBI nessa trama toda? Quando as mulheres da família Pritchard terão suas próprias histórias? E a investigação em curso sobre os eventos ocorridos na ponte foi parar no Arquivo Central do Bureau? Com a grande peripécia promovida na sequência final do episódio, SC tem toda chance de desenvolver a sua trama e eu até especulo que pai e filho vão estabelecer a parceria; fazer umas DR’s e quebrar a banca de todo mundo até o final da temporada com os seus métodos peculiares de investigação.

Até a próxima chance!

2nd Chance 1: A mid-season (semana 04) aponta para o cancelamento iminente de Second Chance. Na review anterior especulei que a mudança no dia de exibição dos episódios (de quarta para a sexta), traria serias consequências, agora isso é um fato consumado. É a Fox sendo a Fox!

2nd Chance 2: E o que falar do Jimmy doidão, chapado na balada, perdendo o caso da semana, a dignidade e ainda acordando na grama da casa do Duval? No comments! Ri horrores da sequência porque só pensava no xerife setentão naquela zoeira toda.

2nd Chance 3: Foi bem impactante a expressão facial do Duval ao se deparar com o Jimmy quase morto boiando dentro de um tanque. Sempre podemos esperar o melhor quando o Tim DeKay está em cena.

2nd Chance 4: Quero o figurino completo da Mary Goodwin para usar no meu cotidiano.

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