A hora de começar o jogo. 

Scream continua sua saga para fugir das responsabilidades de apresentar uma história de medo e tensão que abrace todo o universo proposto e não só apenas núcleos segmentados. Essa semana, contudo, parece que finalmente chegamos ao capítulo final desse rosário de desculpas esfarrapadas para evitar a descoberta de uma nova série de crimes. Não posso falar por vocês, mas para mim, quatro episódios de adiamentos de conflito parece absurdo para uma série de temporada reduzida. É o mesmo que admitir vergonhosamente que não há caminhos para onde ir.

Desde a premiere, Scream fez tudo que pode para escapar da necessária revelação de um novo assassino. Nesse igualmente chato Happy Birthday To Me, a solução para mostrar sequências de perseguição sem perseguir realmente foi providenciar uma festa onde todos estivessem chapados. Vejam só como funciona a mente do assassino… Ele coloca um alucinógeno numa garrafa de bebida que teria que dar para todas as doses necessárias e contar que todos os presentes bebessem. Assim, se ele aparecesse para Emma, todos pensariam que ela estava louca. E olha aí, deu tudo certinho. Até sair da casa pra ser ameaçada sozinha, ela saiu.

Sei que alguns de vocês defenderam Emma nas reviews passadas, mas eu não consigo. Compreendemos a necessidade de preencher com dramas identificáveis a vida da personagem, mas todo o plot com o pai, com o namorado apático e agora com o primo dele, faz Emma parecer um dos piores tipos de mocinha do planeta: a mocinha da Malhação. É tão exaustivo ver o roteiro se debater para torná-la importante, mas chego a me importar mais com o figurante da lanchonete que com ela. E isso é sim, responsabilidade absoluta da equipe de criação.

Já que é uma série baseada no filme, vamos pensar nele. Sidney Prescott tinha um monte de problemas. Ela perdeu a mãe num assassinato, tinha problemas de confiança nos homens e uma assexualidade preocupante. Mas, Kevin Williansom nunca chegou nem perto de se aproveitar disso para dar a personagem um tom lamentoso. Sidney era inteligente, corajosa, enfrentava os assassinos e tinha sempre uma frase sagaz pra dizer. Texto… Ainda que você se veja obrigado a retratar um drama ou um trauma, o texto pode te salvar de qualquer cilada se for bem planejado. E os roteiristas de Scream perdem, pouco a pouco, a inspiração do original.

Esse quarto episódio foi um suplício de ver passar… Tudo era enfadonho e arrastado. Até agora nenhum dos novos personagens funcionou e todos nós sabemos que eles estão ali apenas para serem mortos ou eleitos assassinos. As maneiras como eles foram inseridos na trama foram frouxas justamente porque a série insiste em manter os atores da temporada passada no elenco. Nos filmes, todos em volta de Sidney morriam e por isso, inserir gente nova na sequência era mais fácil já que os papeis de apoio na vida da protagonista estavam vagos. Enfim, nada que está sendo feito agora com esses novos personagens do show parece ter passado pelo mínimo de planejamento.

Porém, para não dizer que tudo foi marasmo, no último minuto o episódio mostrou algum fôlego ao fazer a tardia revelação da morte de Jake de um modo bem espalhafatoso. Me pergunto se estamos lidando apenas com um novo assassino, porque se for ele é muito bom. O acesso, as encenações, as entradas sinistras no quarto dos outros, tudo feito por uma pessoa só. A “homenagem” ao filme Carrie foi válida pelo esforço, mas preciso destacar que Scream ganharia muito mais se parasse de trabalhar suas referências apenas na superfície.

Vamos ver se agora a coisa vai. De repente, na escaleta de planejamento da temporada, eles perceberam que precisavam de quatro semanas lentas para fazerem mágica logo em seguida. Torçamos por isso… O fato é que depois de três episódios bem abaixo da média, boa parte da nossa fé na temporada foi pelo ralo. Ainda há uma chance considerável de recuperação (a audiência, inclusive, tem respondido mal), mas ou cabeças começam a rolar ou não teremos uma trilogia seriada de jeito nenhum.

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