Os dilemas morais de Scandal.

Dando seguimento a sua boa safra de episódios, Scandal nessa semana deu continuidade a corrida dos candidatos a presidente pelas nomeações de seus partidos. De ambos os lados, republicanos e democratas lutam com unhas e dentes para continuarem de pé, numa corrida presidencial bem mais interessante do que quando a série abordou o período de reeleição de Fitz. Começando exatamente de onde o outro parou esse episódio segue com o debate dos candidatos republicanos Mellie, Hollys e Susan e mediado pela sempre divertidíssima Sally. Grande parte do debate é protagonizado pela intensa discussão entre Mellie e Holly e entre uma alfinetada e outra Holly pergunta a Mellie o quanto “presidencial” é ter a ex-amante do seu ex-marido dirigindo a sua campanha. Entretanto, quem sai vitoriosa do debate é aquela que dá nome ao título do episódio dessa semana: Susan Ross.

A baixinha vice-presidente interpretada brilhantemente pela atriz Artemis Pebdani, dá um show reafirmando que apesar de ser uma personagem relativamente “nova” na série (aparecendo somente na temporada passada) já caiu nas graças do público. Eu amo a Mellie, a personagem chata que ela era no início da série não se compara a mulher de fibra que ela é agora, o trabalho de humanização que o roteiro fez em cima dessa personagem é incrível e eu torço muito para que ela ganhe a presidência, mas eu também amo a Susan o que torna tudo mais difícil. Susan é doce, leve e engraçada, enfim é uma personagem apaixonante, que como ela mesmo já disse só foi indicada pelo Fitz como vice-presidente por ele e Melllie considerarem ela “ilegível” como presidente deixando assim o caminho livre para Mellie conseguir a nomeação. Então ela passar de ilegível a presidente dos Estados Unidos seria uma virada incrível para a personagem, contudo a Mellie passar de esposa traída para presidente também seria uma virada sensacional, o tipo de honra que a Shonda ama dá as suas personagens e por isso eu não vejo alternativa a não ser acabar uma virando vice da outra. E pelo tempo de série, assim como o histórico da personagem eu torço muito para que Mellie saia como candidata a presidente, tenha Susan como sua vice e de quebra ainda leve Olivia como chefe de gabinete. Será que essa parceria daria certo? Quem viver verá!

Do lado democrata as coisas não são menos competitivas, temos dois importantes candidatos, ambos ligados a importantes personagens da série. De um tem lado o candidato Francisco Vargas sendo gerenciado pelo Cyrus que o alçou como um herói da nação, com todo aquele “sequestro armado” transmitido em rede nacional. E do outro o também candidato Edson Davis sendo usado como peão para os mirabolantes planos do Papa Pope e do Jake (já não tão mozão assim). E claro se tem Papa Pope em cena tem aqueles seus discursos cheios de ênfase onde o ator Joe Morton limita-se a falar alto jogando a cabeça para trás… ninguém merece. Jake (já não tão mozão assim) interpretado pelo Scott Foley, que foi o diretor desse episódio, apareceu em cena somente para comer frango e fazer uma cara que ele jugou que daria medo em alguém… ninguém merece. Esses personagens junto com o Huck fazem parte da minha galeria: pode morrer que eu não tô ligando. Huck o assassino treinado que matou um ônibus cheio de pessoas, essa semana resolveu ter uma crise de consciência e se opôs a jogar o segredo de Susan no ventilador, porque iria respingar na filha de vice-presidente.

Eu irei te dá o salão oval Mellie, por bem ou por mal

– Olivia Pope

E mesmo em meio a tantos acontecimentos e personagens, a série continua sendo comandada por Olivia. Já na quinta temporada da série elogiar a atuação de Kerry Washington é chover no molhado, contudo a visceralidade que a atriz emprega em cena com aquele “quê” de ironia que ela coloca em Olivia sempre me leva a loucura. E é através dela que entra o dilema moral citado no início dessa review, mas do que quitar a dívida que ela tem com Mellie ganhar a eleição para a ex – primeira dama se tornou uma questão pessoal apara Olivia, porque significa ir de encontro aos planos que seu pai possui para eleger Edson Davis. Por isso ficou difícil enxergar a linha tênue que existe entre o certo e o errado, ao contrário de expor o segredo de Edson (segredo esse que foi facilmente contornada por ninguém menos que Cyrus), expor o de Susan seria algo imperdoável justamente pela boa aceitação que a personagem tem. Eu acredito que com a morte do verdadeiro pai de Casey (filha de Susan) essa história ainda dê muito pano para manga, mas foi legal ver Olivia se comprometer a fazer uma campanha “limpa”, já que a porcentagem de sujeita já irá ficar por conta de Donald Trump Hollys. 

Não somos mais aquelas pessoas Olivia

– Fitz Grantdddd

Eu só não esperava que a lição moral de Olivia iria vim de Fitz, a quem ela termina o episódio brindando com uma boa taça de Bourbon, demonstrando que a chama entre eles não se apagou e que provavelmente entre os dois tudo terminaria em pizza. Se recuperando da terrível sequência de episódios que a série deve quando retornou de seu hiato, Scandal essa semana continuou muito interessante. Apesar do escândalo da série não ser mais o caso de Olivia com o presidente, o show tem que continuar, já que temos uma sexta temporada confirmadíssima. O trailer do episódio da semana que vem nos promete uma Olivia que irá “chocar o mundo”. É torcer e esperar para ver.

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