Além da porta vermelha.
Depois de um longo hiato, a série mais linda das quintas-feiras shondelícias voltou cumprindo promessas. Mas não vamos deixar pra trás os episódios que não ganharam review antes da pausa. A verdade é que Run merecia um texto exclusivo, já que foi totalmente diferente de tudo que já vimos em 4 temporadas de Scandal. Mas isso não significa que as semanas anteriores foram ruins ou menos relevantes.
Vamos começar com The Last Supper, que foi, em resumo, uma declaração da guerra entre Olivia e Rowan. Uma guerra que estava prestes a estourar e estourou de uma forma um tanto previsível, mas sem perder em elegância. Já sabíamos que a protagonista estava começando a endurecer para conseguir enfrentar essa guerra. Mas seria inocência acreditar que seu pai não estaria de olho em cada passo da filha. Deu no que deu. Por isso, usei a palavra “previsível”. Mas o que me fez relevar esse ponto fraco foi a construção de toda a narrativa para que o monólogo ritmado de Papa Pope fosse costurado com as mortes em massa dos soldados do presidente, provocando no expectador aquela tensão que a gente adora sentir quando dá play em um episódio de Scandal.
O que nos leva para Where The Sun Doesn’t Shine. A partir daqui, está muito claro que a quarta temporada dessa série foi feita para reconstruir Olivia. Todo o desenvolvimento da personagem que foi acontecendo desde a morte do Jerry veio a calhar no momento que ela puxou o gatilho para matar o pai. E era dessa força que ela precisava para sobreviver a uma experiência fisicamente emocionalmente desgastantes como a de um “sequestro”. Ainda não decidi se essas aspas foram usadas corretamente porque não conseguimos descobrir o que realmente acontece além da porta vermelha.
Por falar em porta vermelha, não sei até que ponto achei interessante a promessa feita para o próximo episódio ou até mesmo para o arco da Olivia. Mas isso não diminui em nada a beleza de 10. Isso porque não foi só a história que engrandeceu esses 42 minutos, mas a forma que ela foi escrita, dirigida e editada. Sem contar o espetáculo de atuação da Kerry Washington. Ouso apostar que a atriz tem várias excelentes Emmy Tapes para a próxima edição do prêmio.
A começar pela escolha da tal porta como símbolo da provação e do desenvolvimento dela, até o ponto que descobrimos que ela não estava de fato no Catar, ou na Angola, ou em nenhum lugar em específico. Que o tal jornalista não era mesmo um jornalista, não chega a ser nenhuma surpresa, mas toda a encenação por trás do sequestro (que me lembrou aqueles jogos de escapada) foi muito bem construída e fez todo mundo colar o olho na tela. Além disso, reduzir o episódio inteiro a apenas o período de confinamento e plantar pequenas ilusões envolvendo Vermont foi uma pimentinha a mais pra esquentar o sabor de Run.
Só não consegui entender muito bem quem é Ian McLeod na fila do pão. Meu chute é que ele é de alguma célula de inteligência sem vínculo com o governo. Gosto de pensar que ele vai colocar a Olivia em uma situação onde ela terá a oportunidade e talvez até o desejo de destruir o presidente para poder ir com ele para Vermont. E vocês? Apostam em quê?
PS: saudade do cabelão da Olivia.






















