Olivia Pope sem Associados.
Depois da sucessão excessiva de fatos que resultaram no desaparecimento voluntário de Olivia Pope, o quarto ano de Scandal começa com cheirinho de recomeço. Por ser a primeira vez que a série dá um pulo no tempo, o frenesi que tomou conta das temporadas anteriores deu uma diminuída, fazendo com que o retorno dos gladiadores tivesse uma leve impressão de ter se arrastado no decorrer do episódio. Mas essa retomada de fôlego foi bastante importante para preparar o terreno e acomodar os novos dramas que estão por vir.
Por isso, dedicar essa première ao elenco principal foi uma sábia decisão. Vamos começar pelo desmembramento da OPA, que resultou em uma grande dispersão de seus ex-colaboradores. Apesar de entender o caminho tomado por Huck, principalmente após ter encontrado sua família no fim da temporada passada, fiquei meio confuso com o destino de Abby, que se tornou a nova Olivia do presidente (profissionalmente, claro) e com o que motivou Quinn a se esforçar tanto para encontrar Julia Baker. Não que não faça sentido. Apesar de a B613 novata ter um relacionamento complicado com a protagonista, a ideia de ela ter sido responsável por descobrir o paradeiro de Pope pareceu um pouco forçada.
O que ficou a desejar, no entanto, foi o caso da senadora que causou a permanência de Pope na capital americana. Apesar de o quase assassinato ter sido obviamente criado para segurar a protagonista na cidade, a impressão que causou foi de que foi uma saída fácil e preguiçosa. Afinal de contas, Scandal deixou de ser uma série procedural lá na segunda temporada. Tudo bem que às vezes esses casos são colocados para colaborar com o desenvolvimento dos arcos principais, mas não vejo que funcionou corretamente dessa vez. Claro que a gente já sabia que a morte de Harrison traria Jake e Olivia de volta aos Estados Unidos, mas eu criei a expectativa de que haveria um caso super sensacional envolvendo a Portia De Rossi e a Casa Branca que faria a gente arrancar os cabelos de tanta emoção. Ao invés, encontramos um senador que gosta de morenas.
De qualquer forma, Olivia voltou. E voltou para ficar. E isso já é motivo suficiente para que todo o elenco saia por aí arrancando os cabelos de tanta emoção. Talvez a Mellie comece a arrancar os cabelos lá de baixo, já que ela está cultivando um corte à moda Cláudia Ohana. Ver a primeira dama andando pela Casa Branca de pijamas, inclusive, foi uma linda surpresa. Por termos uma imagem tão elegante da personagem, nunca me ocorreu que a perda de um filho possa despir uma mãe de toda e qualquer vaidade a ponto de vermos Mellie agindo dessa forma. Mas como dizer que não faz sentido? Como dizer que não combina com a personalidade dela? A única coisa que ela não pode perder de forma alguma é o tom debochado que ela usa para tratar todo mundo ao seu redor. E foi esse equilíbrio que chamou a minha atenção. Sim, a morte de um filho pode fazer coisas inimagináveis a um pai em luto. Mas algumas coisas nunca mudarão. Porque são essas coisas que torna um personagem aquilo que ele é.
E é aí que entra Portia De Rossi, que já chegou chegando com uma química maravilhosa com Jeff Perry, o que eu achei muito melhor do que o super caso hipotético envolvendo a Casa Branca do parágrafo anterior. Ainda não ficou claro de que forma a personagem de Portia vai participar da trama de Scandal. Parece que rola todo um mistério a respeito disso. Nem seu nome foi revelado. Por enquanto, vamos chama-la de Lizzie Bear. Há rumores de que seu nome verdadeiro seja Julia Baker, o nome utilizado por Olivia enquanto foragida. Mas são apenas suposições.
A despedida de Harrison foi um momento desse episódio que me causou um certo desconforto. Não somente por nunca ter enxergado tanta importância no personagem a ponto de se fazer necessário produzir uma cena de enterro, mas também porque a saída de Columbus Short foi um tanto tumultuada. Esse momento, entretanto, tornou-se relevante porque foi uma forma de fazer com que os gladiadores se reunissem, promovendo um encontro de grande importância para o andamento da temporada.
Mais do que um recomeço, Randy, Red, Superfreak and Julia foi um episódio de encerramentos. Pode não parecer, já que os personagens que perdemos não tinham grande relevância para o enredo, mas Harrison e Jerry eram personagens de grande relevância para o elenco principal. E esse contraste entre a nossa percepção e a percepção daqueles envolvidos na trama permitiu com que o retorno de Scandal tivesse esse ritmo mais cauteloso. Por outro lado, é uma forma inteligente de aquecer os músculos para que ainda haja fôlego na reta final da temporada.
Em tempo de eleições: eu voto para que Olivia continue usando e abusando do cabelão black power. Tava linda demais.






















