Não matarás.
Não foi de propósito, mas eu fiquei contente em ter esperado para fazer uma única review para esses episódios de Scandal. Mesmo sabendo que a série tem o hábito de seguir uma cronologia que faz sentido, No Sun On The Horizont e Kiss Kiss Bang Bang foram construídos de forma a levar os fatos à morte de James e de se despedir adequadamente do personagem, que foi de extrema importância no desenvolvimento da trama até agora. E cuja morte vai dar o que falar.
É engraçado como a gente já age tão naturalmente quando um personagem importante morre em uma série da Shonda. Eu até suspeitei que toda essa onda de Publius poderia terminar em morte, mas não teria apostado todas as minhas fichas nisso. Também não cheguei nem perto de falar um daqueles palavrões cabeludos que a gente fala quando acontece uma virada muito louca. De qualquer forma, ainda é triste que tenhamos que nos despedir de James. E sua falta será sentida por muitos. Mas sua partida ainda é plausível no que diz respeito aos acontecimentos da temporada. Até antes do surgimento do Publius, James era um peão constantemente colocado em perigo por conta do acesso que tinha a informações importantíssimas dentro da Casa Branca. Desde seu surgimento na série, ele esteve nessa posição. Por isso, morrer foi uma consequência natural da história que aconteceu na hora certa, da forma certa e com o assassino certo.
Eu não sei como outras pessoas podem reagir ao fato de quem matou o marido de Cyrus foi Jake, mas eu achei que esse crime foi essencial para que pudéssemos entender um pouco sobre como funciona a cabeça do novo comandante do B613. Já sabemos que, para ser um agente desse serviço ultrassecreto, não dá pra ficar bancando o bom moço todo o tempo. E sujar as mãos de uma forma tão agressiva e tão próxima de Olivia foi um choque de realidade. Não apenas para Pope, que está quase começando a ficar meio chatinha com essa história de ser boazinha (nós sabemos o que você fez nas eleições passadas, Liv), mas para o público. Não que Jake estivesse acima de qualquer suspeita. Mas porque essa máscara de herói com um passado que condena caiu. Mesmo assim, a comparação com Papa Pope é meio difícil de ser ignorada. No final das contas, entretanto, os últimos momentos de James ainda conseguiram resgatar o bom-mocismo de Jake. E essa é a parte mais fascinante de Scandal. Todos os personagens transitam muito fluidamente nas confusas estradas da dualidade entre herói e vilão.
Agora, por falar em máscaras, estou bastante curioso para ver o que será feito do Cyrus com a morte de James. Até então, a única coisa que mantinha no chefe de gabinete da Casa Branca dentro dos limites era o amor pelo marido. Não que isso o impedia de não medir esforços para alcançar seus objetivos. Mas agora ele não tem nada a perder. Cy não tem mais um escape emocional que o faça sentir culpa ou remorso. E isso vai ser tão interessante de assistir. Não posso esperar.
Ainda assim, dedicar o episódio à memória de James foi um toque de carinho que Shonda teve para com seus fãs. E, mesmo que esse flashback tenha sido apenas um coadjuvante dentro de Kiss Kiss Bang Bang, ainda foi interessante descobrir como o casal se conheceu e como isso afetou a vida de Cyrus. Isso porque toda a trajetória do personagem, que nos foi mostrada desde o começo da série, traçou um perfil psicológico para ele, permitindo compreender o que ele fará daqui pra frente, o que, pra mim, é uma incógnita.
E a Sally Langston fazendo todo mundo apertar o botãozinho na hora do debate. Que cena linda. Só maluco pra entender maluco. Kate Burton é uma das minhas atrizes preferidas na TV. Exagerada, grande, escandalosa, teatral. Perfeita para interpretar a Vice Presidenta dos Estados Unidos. Dentro de seu debate interno, colocou na balança a decisão de ser uma cristã ou uma política. No final das contas, não há fé que vença a sede de poder.
Shonda tem aproveitado com muita sapiência o sucesso de sua nova menina dos olhos. Scandal está em uma fase muito importante após uma segunda temporada bem eletrizante em 2012/2013. O terceiro ano da série está se revelando cada vez mais intrigante e gerando novos fãs a cada dia. Se ela conseguir utilizar essa popularidade com o mesmo cuidado que teve nas primeiras temporadas de Grey’s Anatomy, podemos esperar mais uma porrada de episódios incríveis pela frente. Estou até bastante satisfeito com a quantidade de mortes, já que a série ainda não se tornou nenhuma carnificina, o que seria de esperar.
PS.: Kerry Washington é uma das grávidas mais lindas que já vi.















