Um convite para conhecer New Orleans.
Tempos de crise pedem algumas medidas desesperadas. Isso é justamente o que podemos ver na CBS atualmente. Afinal, até a gigante da TV norte-americana experimentou o amargor de fracassos nessa temporada. Então por quê não apostar no time que continua ganhando para tentar minimizar os prejuízos? Isso ficou bem claro quando apareceram as notícias de NCIS: New Orleans. Afinal, a tentativa de puxar o spin-off NCIS: Red a partir do outro sucesso, NCIS: Los Angeles, acabou não ultrapassando os episódios exibidos nesta última.
Mas essa é uma review de NCIS, certo? Por que eu comecei então falando do spin-off? Simples: a CBS usará as duas partes de Crescent City (parte I exibida nessa semana; parte II na seguinte) como episódios introdutórios da nova série. Então, essa será uma review em que acabaremos por discutir os elementos do seriado que terá como cenário a Louisiana, e a forma como foram exibidos e apresentados a nós. E, é claro, caberá um debate sobre o sucesso ou não de tudo isso. Então, vamos embarcar nessa viagem que nos foi proposta nesse episódio.
Aliás, se posso usar uma palavra que descreva Crescent City em sua primeira parte, é essa: viagem. Este episódio cumpre a promessa de nos apesentar uma cidade apaixonante. As tomadas e os cenários são de uma beleza que salta os olhos e nos incita a querer ver mais daqueles cenários. E o contraste com as cenas em D.C., mostrando que New Orleans é bem menos sisuda que a capital do país, e com um clima de festividade quase que constante. O que dizer daquele café francês onde Lasalle pediu para a Agente Doyle do FBI que as informações da investigação de McClane fossem compartilhadas? Deu uma vontade de ocupar uma daquelas mesas numa tarde qualquer, apenas para observar o movimento na rua.
O vínculo da equipe, claro, tinha que ser feito através de Gibbs. Por todo o tempo em que ele está na agência, e por ser discípulo da lenda Mike Franks, era de se esperar que ele conhecesse Dwayne Pride – ou o King, como vimos o personagem de Scott Bakula ser chamado. No entanto, os roteiristas não se limitaram a um simples “conhecer”. A morte que ocasiona a reunião de Gibbs e King é de um congressista chamando Daniel McClane, um agente aposentado do NIS (antigo nome do NCIS) e membro do que foi chamado nesse episódio de Fed Five. Este é um grupo de agentes que tinha, além de King e do falecido McClane, Franks e Gibbs. O quinto membro não teve o nome mencionado, e por isso acredito que talvez ele tenha algo a ver com os assassinatos aqui investigados. Vejo que essa ponta não ficará solta por muito tempo.
A menção do Fed Five como estreitador dos laços de Gibbs e King foi um acerto em cheio no processo de empatia com aquele que será o cabeça da equipe de New Orleans. Além disso, os traços de semelhança e diferença entre os dois foram bem desenhados. Particularmente não ia desejar um Gibbs II nessa nova série. No entanto, é importante que eles tenham alguns traços parecidos para mostrar que vieram da mesma geração de agentes, e que tem ideais parecidos.
Falando ainda da equipe da nova série, conhecemos Christopher Lasalle, interpretado por Lucas Black. Dos personagens apresentados, foi o que menos me causou empatia imediata. Talvez seja porque já vimos milhões de tipos como este em séries e filmes por aí, e ele não teve tempo de apresentar seu diferencial. Vejamos se a segunda parte de Crescent City pode mudar esse cenário.
Já Meredith Brody, que ganhou o rosto de Zoe McLellan (conhecida pelos fãs de JAG como a Petty Officer Jennifer Coates) conseguiu me ganhar quase que na primeira cena. Claro que a velha história da “moça que resolve mudar de cidade para fugir de algo” parece batido demais e torço para que fuja dos padrões casamento/namoro abusivo e todos esses clichês com os quais estamos todos cansados de ver e rever. Mas esperemos que Brody esteja bem mais próxima de Ellie Bishop em seu desenvolvimento, e que o motivo da mudança de ares seja algo que se diferencie um pouco do que é normalmente feito. E é claro que precisamos saber de onde Brody e Gibbs se conhecem. Por favor?
Fora desses três, ainda tivemos um vislumbre da Legista Lorreta Wade. Bastou que ela fosse interpretada por CHH Pounder e que recebesse as mais altas recomendações de Ducky para ganhar meu coração. Também vimos Paige Turco como Linda, esposa (ou futura ex?) de King, em uma história que se mostrou interessante para a construção do líder da equipe, mas que acabou no esquecimento dentro de tantas outras coisas que invadiram nossas mentes no decorrer de Crescent City. Essa eu acho que fica para a nova série, caso avance.
Uma coisa a se considerar foi a ida de King para D.C., deixando a responsabilidade de manter o interesse do público em New Orleans nas mãos de Lasalle. Como mencionei acima, ele é o novo personagem mais carente de carisma até agora, o que acabou por dispersar minha atenção e aguardar pelo retorno da narrativa para Washingnton. Essa sensação diminuiu com a aparição de Brody, que adicionou a Lasalle uma dinâmica que o enriqueceu e tornou mais simpático. E é claro que a ida já esperada de King, Gibbs e Ellie para New Orleans, dissolveu por completo e me peguei ao final do episódio por ver mais dos cinco que estão na Louisiana. Inclusive, as cenas de King, Lasalle e Brody deram uma ótima sensação do que essa equipe possa se tornar, caso a nova série engrene. Já chamou a minha atenção sem dúvidas.
Lembrando que Tony e McGee ficaram em D.C., a pedido de Fornell. Isso vai ser interessante para manter a investigação conjunta nas duas cidades. E é claro que esperaremos Fornell aproveitando a saída de Gibbs para continuar a aterrorizar McGee. Não acredito que ele tenha superado a situação com Diane.
Resta a nós acompanhar a segunda parte de Crescent City na próxima semana. Precisamos descobrir o desenrolar da investigação do assassino de McClane que possui um mesmo modus operanti daquele do caso finalizado pelo Fed Five e que matou, além da Agente do FBI Doyle – em uma cena chocante e bem montada – outras pessoas que foram relacionadas pela equipe em New Orleans. O episódio ainda aguçou mais nossa curiosidade ao mostrar o misterioso assassino vigiando King, Gibbs, Brody e Lasalle. E não podemos esquecer de toda a conspiração por trás do encobrimento feito pelo FBI. Quais seriam os motivos? Perguntas cujas respostas encontraremos apenas na terça-feira.
Notas gerais:
– Melhor que Ellie consertando o carro e falando aqueles termos de quem não entende nada de motor de carro foi ver Gibbs entrando na estranha linguagem da probie. Apenas a cara de McGee e Tony para deixar a cena ainda mais especial;
– Acho que falo por todos e por Tony quando digo que quero ver a teoria de Ellie ser testada. Será mesmo que é fisicamente impossível da garota ficar bêbada? Precisamos mesmo conhecer o marido dela;
– Falei acima das diferenças e semelhanças de King e Gibbs. Na lista de melhores semelhanças, além do senso de equipe do agente, está o modo com que ele defendeu o falecido McLane da fala de Tom Speakman, arremessando-o contra um carro;
– Abby usando siglas, entre elas TMF (Tony, McGee e Fornell). Qualquer micro cena da moça vale a pena;















