It is what it is.

Roadies já começou o sexto episódio metendo o pé na porta e retomando os acontecimentos do capítulo anterior, numa espécie de “to be continued”, mas como a série é meio hipster e hipsters sempre fogem do mainstream, não tivemos essa frase nos segundos iniciais, mas você entendeu, caro leitor. E tinha assuntos importantes para cobrir sobre a semana passada: Shelli e Bill finalmente dormindo juntos e Reg se apaixonando pela Janine, sendo o último, com desenrolar importante para a temporada.

Sobre Bill e Shelli, roteiro escolheu uma terceira opção que eu não previ na última review: ambos ficaram relaxados e sossegados com a história, concordaram que foi apenas um encontro casual e bastante simpático e tentarão seguir em frente com as suas vidas. Óbvio que teve algumas tentações no decorrer do episódio, afinal, eles são humanos e alimentam o desejo carnal pelo toque humano íntimo como todos nós, mas escolheram o caminho mais maduro em não contar para ninguém e manter a amizade. Vai funcionar? Claro que não, pois além dos dois serem essas pessoas cheias de libido, cada um alimenta um sentimento mais forte que a amizade pelo outro, e que só irá crescer até chegar ao seu ápice e eles finalmente abrirão seus corações mostrando seus sentimentos.

Agora, quem realmente mostrou seus sentimentos, e guardados no fundo do coração por anos, foi a nossa musa e inspiração musical, Janine. Primeiro, tenho que elogiar a belíssima participação especial de Joy Williams, atriz de primeira viagem e cantora tetra vencedora do Grammy, que pareceu ficar muito à vontade no papel, tendo uma química ótima com o Reg, e contracenando muito bem na cena furiosa de desabafo ao Christopher. Espero ver mais da personagem na série, e só de termos uma cantora interpretando-a, dá para imaginar um possível retorno dela cantando, seja com a STH ou contra a banda, numa música de ódio, tipo N.W.A e Ice Cube nos anos 90, mas sem tantas palavras de baixo calão.

Janine e suas artimanhas, confesso que fiquei surpreso com o plot twist, mesmo esperando que ela estava apenas usando o Reg para conseguir acesso ao Christopher, mas a explosão de raiva que a moça teve, foi bem surpreendente. Agora a mesa virou e quem foi o responsável pelo fim do relacionamento, segundo ela, foi o próprio músico que se fechava e a afastava tanto que ela teve que tomar medidas drásticas para fazê-lo sofrer e fechar a ferida que estava em seu coração. Esse passado dos personagens é um aspecto que eu adoraria que fosse mais trabalhado, como eu venho dizendo desde o início, toda essa confusão com a Janine criou mais questionamentos na minha cabeça que eu adoraria que fossem esclarecidos.

E com o desabafo da personagem, veio também a bomba de que ela tem uma proposta para escrever um livro contando toda a sua versão da história sobre o relacionamento com o líder da STH. Um plot que me deixou bastante animado, pois promete balançar as estruturas da banda, deixar qualquer um preocupado com o conteúdo do livro e como ele irá afetar a imagem da banda. Algo que me deixou feliz nisso tudo foi que a motivação de Janine para essa vingança toda contra Christopher é apenas o amor que ela tinha (talvez ainda tem) por ele e que ele não a valorizou. A série nos vendia a moça como uma pessoa fria e que, cruelmente e sem motivo, acabou com o coração do cara, o que agora sabemos que não é inteiramente verdade. Ela só está fazendo isso porque ela não teve o amor devidamente correspondido e viu o cantor desperdiçar o relacionamento que tinham. O que traz uma humanização para a personagem e ajuda a construir uma justificativa para os seus atos.

Quem não pode justificar nada é o Bill. Poxa, transar com a namorada do seu melhor amigo é muito cold, bro, não há desculpa para isso, mesmo que você estava passando por um período caótico envolvendo bebida, está no Bro Code, não pode ser quebrado. A revelação fez com que a longínqua amizade entre ele e Christopher ficasse abalada e se torna mais um combustível para engrenar a série em uma boa sequência final de temporada.

Quem resolveu dar as caras novamente foi o Winston, The Devil Child, em um plot agradável e que mostrou a boa sintonia entre ele e seu babá, Wes. O cara mostrou que não se intimida com a criança, isso é, até ele mexer com algo sagrado: a música. A dinâmica entre os dois foi muito bem conduzida e dá indícios que pode ser mais explorada em episódios futuros, já que tivemos uma problematização nessa relação ao final do episódio. Winston mandando a real para o Wes foi muito “deal with it” e só faltou os óculos escuros para o menino terminar a frase em alto estilo.

Depois de semanas criticando o casal Reg e Kelly Ann, tenho que admitir que finalmente a dinâmica entre eles não ficou forçada, seja pelo roteiro ou pela edição. Pela primeira vez, não houve aquela tentativa de criar uma química na marra, fugindo da artificialidade dos diálogos e das trocas de olhares. O roteiro e os atores levaram as cenas com a maior naturalidade, do jeito que deve ser conduzido, o que contribui para dar a realidade à reação e aceitação do público em relação ao casal. Já que, aparentemente, esse romance irá continuar, que seja dessa forma bem-feita e agradável aos nossos olhos, obrigado.

Só eu que fiquei com a impressão de que esse foi o melhor roteiro de toda a série? Teve tantos diálogos e frases excelentes que me fez ficar impressionado com a evolução de Roadies. Se antes, o show parecia navegar pelo episódio fazendo experimentos e tentando se encontrar em meio aos plots, condução e falas, nessa semana ele mostrou uma estabilidade e criou situações engraçadas e bem desenvolvidas que mostraram o quanto a série progrediu depois de 6 capítulos. Era essa dinâmica e boa apresentação do roteiro que eu esperava que Roadies mostrasse desde o seu trailer.

Novos problemas vieram à tona após esse episódio, e agora Roadies tem um cardápio cheio de plots para serem explorados nessa metade final de temporada. Espero, e aposto, que cada episódio será melhor que o outro a partir de agora.

Roadiando:

– Imogen Poots linda até de chapéu de peru. Como lidar?

– Deu uma dó da cara que o Reg fez ao descobrir que foi totalmente usado pela Janine. Parecia uma criança que descobriu que no jantar vai ter sopa de lentilha, ao invés de pizza.

– Acho que foi a primeira vez que vimos o Tom na série. Curti a vibe dele e suas cenas com a Donna.

– Janine pode me trigger à vontade. Que charme tem a Joy, e que sorriso meldels!

– Reg confundindo Jack Black com o Jack White!!! HAHAHAHAHA

Cá entre nós, amo o White, mas porra, o Black é um mito: Tenacious D e Escola de Rock, pronto!

– Tadinho do Milo, de novo!

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