O mundo do entretenimento é bastante supersticioso. Quem vive de seu próprio talento, sempre tenta manter o melhor nível possível em cada apresentação, e para ajudar nessa confiança de ganhar o público e o palco, diversos artistas se apoiam nas diversas superstições que pairam a cultura artística. “Merda”, subir no palco com o pé direito, “quebre a perna”, não dizer “boa sorte” são vários dos elementos que ajudam músicos, atores e diretores à ter aquela confiança a mais todo dia. Mas o pior é quando, por ação do destino, você se encontra em uma situação em que uma maldição foi jogada em cima de sua equipe, então o melhor que tem que se fazer, é fazer de tudo para quebrar tal praga e limpar o caminho de todas as coisas ruins que aconteceriam por causa dela.
O quarto episódio de Roadies tem o plot principal em cima disso: a maioria da equipe sendo amaldiçoada por Reg ao dizer “the C word” e tendo que dirigir 100 milhas em uma direção qualquer para achar 11 ovos e 11 balões e quebrá-los, e soltá-los ao ar. Maluco? Pode ser que sim, mas quem seria o louco que tentaria a sorte, ou melhor, o azar?
Gostei muito da escolha desse plot. Se nos 3 primeiros episódios acompanhamos a preparação dos roadies para algum show em alguma cidade, agora tivemos uma história mais pessoal do grupo, abrindo espaço para diversos diálogos, momentos e cenas entre os membros fora do ambiente estressante pré-concerto, o que facilita na dinâmica entre os personagens, criando possíveis piadas internas, o que ajuda na mitologia da série e faz com que conheçamos melhor cada um, aumentando ou criando empatia por eles, e consequentemente, pelo show, já que Roadies depende muito da participação e da simpatia do seu ensemble cast em sua influência em nós, meros espectadores.
Se de um lado tivemos Reg ferrando com o dia de folga dos roadies, do outro vimos Shelli e Bill procurando por Rick, o baixista. A situação ajudou a modelar o relacionamento entre o casal, em muitos momentos parecia que eles realmente eram casados, com direito a ciúmes, implicância e altruísmo só para ver sua parceira sorrindo. E sabe qual é a melhor parte disso? Parece que é natural, caramba!!! Em nenhum momento eu fiquei incomodado pensando “isso não está certo, eles não combinam, essa dinâmica está forçada”. Shelli e Bill são muito bem construídos, seja pelo roteiro ou pelos próprios atores, o que dá esse ar de naturalidade entre os diálogos, contribuindo para a química e fazendo as situações fluirem de forma orgânica e nada artificial.
Agora, adivinha qual protótipo de casal que é completamente o oposto do citado anteriormente? Bling bling bling, acertou!!! Reg e Kelly Ann, óbvio. Toda a situação dos dois invadindo uma casa para roubar ovos, correndo e rindo feito bobo apaixonados e tendo a primeira DR, com o moço rejeitando completamente a moça (fucking crazy, quem rejeita a Imogen Poots???), foi tão forçada que chegou a ficar feio. O roteiro está tendo esse problema desde o primeiro episódio, está tentando criar pequenos momentos entre os dois que dão a entender que os casal será formado, porém, nada vem com naturalidade ou química. Reg e Kelly Ann são bem opostos um do outro, e nenhuma cena que eles aparecem juntos evidencia um química entre os personagens, causando um artificialidade nos diálogos e forçando a barra para a criação do casal.
A série tem que começar a decidir em qual dupla quer focar. Logo em sua temporada de estreia, é um golpe de desespero tentar juntar dois casais com elementos do elenco principal. Seria muito mais interessante ver essas formações em épocas separadas. Por exemplo, se todas as forças se concentrarem em Bill e Shelli (Shill ou Belli) nesse ano inaugural, seria mais bacana e rico ao show, visto que os dois se parecem com um verdadeiro casal mais do que Kelly Ann e Reg. E enquanto isso, o roteiro vai construindo uma maior naturalidade e química entre os dois até chegar um ponto que parece orgânico e real o relacionamento, ao invés apostar nesse jogo barato e com toques de clichê de “te odeio, mas te quero” de criança de quinta série.
Mesmo com esse problema no roteiro, que pode ser consertado em alguns episódios, Roadies apresentou um capítulo interessante, talvez o mais divertido até aqui, e mostrou que poderá quebrar a rotina ao seguir histórias fora dos bastidores dos palcos e começar a adentrar mais na vida de cada personagem, em uma tentativa de maior pessoalidade e intimidade entre o elenco e o público. Se for bem executada, poderá render bons frutos ao show.
Roadiando
– Gooch de volta!!! Após 2 episódios sem dar as caras, o motorista da banda finalmente voltou e teve um enfoque especial nessa semana, o que é muito bom para o show, já que o Luís Guzmán é um baita ator
– Podia soltar umas musicas da Staton-House Band de vez em quando. Deu uma vontade de ouvir essa Janine, viu
– Ache alguem tão dedicado à você igual o Milo é ao Rick
– A inserção da “song of the day” e do artista convidado no plot da maldição foi muito bem pensada e bem feita
– Shelli toda louca pelo cemitério. Aposto que ela teve um passado pirigótico de beber Cantina da Serra na praça da igreja com os amigos todos de preto e usando capa.















![Roadies 1×10: The Load Out [Season Finale]](https://seriemaniacos.tv/wp-content/uploads/2016/09/Rodies-218x150.jpg)






