
A química que faz toda a diferença.
Spoilers Abaixo:
Apesar de Rizzoli & Isles ter sido anunciada como uma série policial, desde o começo já sacamos que este não era o mote principal, – mesmo que as investigações na primeira temporada tenham sido realmente interessantes – pois o que sempre importou foi o relacionamento das mulheres que dão o título a série e isto só foi evoluindo no decorrer das temporadas.
Existe um movimento da galera LGBT que acredita no potencial romântico do relacionamento de Jane e Maura. Analisando a série como um todo, acredito que a química de Angie e Sasha faça toda a diferença para que Janet Tamaro e a TNT tenham de alguma forma investido nesta estratégia de marketing na construção dos personagens e em um “subtexto romântico” que realmente existe desde o primeiro episódio da série – apesar de acreditar que nunca houve ou haverá intenção da produção em efetivar potencialmente este relacionamento amoroso. Rizzoli & Isles transita entre demonstrações genuínas de amizade e olhares –sexy – das atrizes uma para a outra, dando margem ao imaginário popular e fazendo sucesso entre os mais diversos tipos de público.
Falando especificamente sobre esta química – que realmente faz toda a diferença – só posso concluir que é o real motivo do sucesso da série, pois temos muitos furos de construção no roteiro que poderiam transformar tudo em um verdadeiro desastre – mesmo que os diálogos de Janet Tamaro, na maioria das vezes, tenham uma ótima qualidade. Mas Angie Harmon e Sasha Alexander são atrizes incrivelmente talentosas que construíram personagens interessantes – mesmo que às vezes um pouco estereotipados – capazes de cativar o público como um todo. Angie é uma atriz muito versátil e deu um tom especial para sua Jane que é esta detetive durona, – o que também cria um certo imaginário na galera LGBT – sem frescura e com o humor negro maravilhoso. Já Sasha é primorosa construindo com propriedade um personagem complicadíssimo e cheio de nuances que de tão inteligente chega a ser muitas vezes ridícula – nos proporcionando excelentes risadas. É claro que também devo citar o resto do elenco que é ótimo e tem uma química afinadíssima com Angie e Sasha, dando destaque absoluto para Lorraine Bracco com sua Angela que é um personagem encantador.
Podemos dividir a série realmente em três temporadas bem distintas. A primeira temporada discutia os problemas e angústias de Jane nos dando uma das séries finales mais surpreendentes de todos os tempos. Também teve um maior cuidado e carinho com as investigações, não fazendo delas apenas um elemento superficial dentro dos episódios e nos dando um pouco mais de elaboração no roteiro – isto inclui obviamente Hoyt que foi um personagem marcante para todos os fãs da série. A segunda temporada foi direcionada para o crescimento da amizade entre Jane e Maura que finalizou com um desentendimento sério entre as duas, gerando uma apreensão em todos os fãs. E a terceira temporada – que teve uma certa queda de qualidade – abordou a complicada vida familiar de Maura e deu para a série um tom muito mais de comédia do que de drama policial.
Assistindo esta season première entendo que a amizade dos personagens ainda sofrerá um amadurecimento maior, observando muito claramente um crescimento absurdo de Sasha com sua ótima Maura. “We Are Family” foi um bom episódio falando de assuntos bem pertinentes que ficaram em aberto na última season finale. É claro que a investigação nem mereceria ser citada, mas preciso dizer que desvendei a identidade do assassino na primeira cena – ou seja, absolutamente ridículo. Neste episódio tivemos uma Maura – segundo a própria Jane – “manhosa e pé no saco” tentando enfrentar – ou não – seus problemas familiares. Já Jane teve seu encontro com um Casey milagrosamente recuperado. Respeito a opinião de quem acha que eles devem ficar juntos, mas acho este relacionamento um tanto forçado desde o começo, principalmente quando na terceira temporada, Tamaro transformou Jane em uma chata sentimental – o que não combina nem um pouco com sua personalidade. Bem, mas parece que as idas e vindas do soldado estão com uma tendência a afastar Jane – é esperar para ver. E para completar o episódio tivemos alguns ótimos momentos de humor principalmente com a compra da nova moto de Frank – que finalmente foi promovido – e Angela indo papar “o chefe”, digo com o chefe!
Enfim, foi um bom episódio – dentro dos padrões Rizzoli & Isles de ser – com ótimos diálogos aproximando ainda mais a amizade de Jane e Maura. Acredito que a quarta temporada consiga imprimir um ritmo melhor que a terceira, prometendo grandes momentos, tanto dramáticos, quanto cômicos. Rizzoli & Isles não é uma série com um roteiro primoroso ou histórias incríveis, mas estas atrizes – Angie e Sasha – transformaram algo que poderia ser um desastre em algo genuinamente agradável e divertido, que segue nos cativando a cada temporada.
PS. Impossível falar de Maura sem citar o seu figurino que tem sido cada vez mais maravilhoso no decorrer das temporadas. Neste episódio em particular a produção deu uma inovada e colocou jaqueta de couro e calça jeans no personagem, eu achei verdadeiramente adorável!
PS. Desde a terceira temporada, temos visto um lado sentimental de Jane bastante aflorado e neste episódio em particular tivemos mais uma vez algumas manifestações bem sentimentais. Acho interessante, apenas espero que tenham cuidado e não transformem Jane em algo que ela não é, pois sinto falta de suas ótimas frases carregadas com um humor negro mais apurado.
PS. As cenas de Jane e Maura de cabeça para baixo me renderam ótimas gargalhadas… hahaha.
PS. Acho Susan cada vez mais divertida e interessante… Sempre aparecendo do nada… hahaha.
PS. A perseguição ao “rim” de Maura foi realmente hilária… hahahaha.
PS. O final do episódio foi excelente com uma dose perfeita de humor.





















