Revenge, a série na qual a loucura não conhece limites.

Vamos direto ao assunto: quem se importa com qualquer coisa que pode ter acontecido em Madness depois daquele final crocantíssimo, hein? Até verifiquei o meu corpo pra ver se não foi atingido por um dardo também, tamanho o catatonismo que me atacou no momento em que a Aliança Divônica foi nocauteada por Malcolm Black. Mas que loucura foi essa, meus amigos????

O interessante foi que os dardos de Malcolm Black interromperam a melhor discussão de todo o episódio (o que não é nenhuma novidade, já que sempre que há uma interação Ems-Vicky, a cena se torna a melhor do episódio, principalmente depois da saída de Henry Czerny da série). Esse era um debate que, arrisco dizer, foi muito aguardado por quem acompanha as reviews do Série Maníacos, visto que o assunto vem sendo discutido neste espaço há meses: afinal, de quem foi a culpa pela morte de Daniel?

Ems finalmente acordou para a vida e percebeu que havia um dedo de Victoria nos fatos ocorridos. A rainha, por outro lado, deixou claro – e coberta de razão – que sua intervenção mudou muito pouco do que iria acontecer, até porque em nenhum momento ela teve a intenção de prejudicar Emily quando contatou Kate. Para ela, a agente era apenas uma policial corrupta que trabalhava para Black e poderia chegar a Ems com a informação de que David tinha uma dívida a pagar e livrar todos da ameaça do bandidão. Tudo isso porque David se recusara a pedir a ajuda da filha quando Vicky considerou pela primeira vez a formação da Aliança Divônica. Ainda de pé sobre a crista da sua nova onda de honestidade, Vicky deixou claro que nunca revelou a Kate que Emily era Amanda Clarke, o que por si só já prova que não havia interesse em fazer mal a ela.

Quem não teve a mesma sorte e sofreu um mal danado foi Louise, nossa psicopatinha camarada. Foi lindo, lindo, ver que o instinto de Nolan estava certo. Eu preferiria que ele estivesse mantido sua convicção do início ao fim, em vez de depender de Ems para confirmar tudo no fim das contas. Qual é a necessidade disso? Deixem nosso nerd brilhar sozinho de vez em quando, poxa! Merecemos mais do que vê-lo sendo reduzido a um mero sidekick durante 100% do tempo.

Apesar de ter valido muito a pena vê-lo padmando na cara do irmão de Louise, preciso dizer que todo o arco da descoberta da causa real da loucura da moça foi bastante decepcionante. Isso porque nunca imaginei que as alucinações, o instinto assassino, a obsessão e a falta de noção da realidade, ou seja, tudo que nós amamos nessa linda, fossem produzidos artificialmente. Agora que esse mistério foi solucionado, o que nos resta dentro de Louise? Pra mim, um vazio absoluto. O tipo da finalização de arco que é, sim, surpreendente, mas para o lado negativo. Resta torcer com todas as nossas forças para que isso tudo tenha sido um engano e que, mesmo sem os remédios, Louise continue sendo nossa maluquinha favorita e, assim, volte a ter utilidade para sapatear horrores sobre a sociedade hamptoniense ainda. Porque, se as coisas terminarem dessa forma, não vejo um grande futuro para a personagem que não seja virar a casaca contra Victoria, consolidando assim o maior desperdício da história de Revenge.

O curioso disso tudo foi ver Ems revelar sem pudores que o plano do pai era matar Victoria. Aliás, já entrei no (imenso) time de quem quer ver David morto (desta vez de verdade!) depois dessa confirmação de que o cara não havia mudado os planos de assassinar a rainha. Eu hein? Ainda que ela tenha dito (ou quase, porque um dardo não a deixou terminar) que prefere morrer nas mãos dele a viver à mercê da misericórdia de Ems depois de ter perdido o filho pelo qual ela fez tudo o que fez no passado, Queen Victoria é intocável, e se é para David existir na série apenas para matá-la (depois de quatro anos de planos e mais planos da protagonista para deixá-la na pior), quero mais é que ele bata as botas e deixe nossas meninas se digladiarem em paz. E tenho dito!

Não que elas estejam em clima de guerra neste momento, claro. Porque, mais uma vez, a Aliança Divônica estará em evidência em nosso delicioso novelão, e o meu coração salta até a boca de tanta euforia! Estou animado até mesmo com o arco de Malcolm Black, pois achei que ele demoraria episódios e mais episódios para se desenvolver, mas Revenge, maravilhosa como tem sido nesta quarta temporada, novamente me surpreendeu positivamente. Black já chegou atacando com tudo, e é desse tipo de agilidade que precisamos. Sem enrolações, sem chantagens e ameaças baratas antes do ataque, sem apresentações formais e convivência fingida. Malcolm Black não é cativante suficiente para que queiramos conviver com ele, e pular direto para ação foi um dos maiores acertos que Sunil Nayar poderia ter alcançado com essa trama.

Assim, Madness faz de maneira corretíssima a transição entre o ato “morte de Daniel” e o ato “guerra contra Malcolm Black”. E confirma que erra feio, erra rude quem pensa que Revenge perdeu a sua essência nesta quarta temporada. Agora, mais do que nunca, a série exala a essência que nos apresentou lá no início, na primeira temporada, quando sempre cogitávamos, aqui mesmo, a possibilidade de David estar vivo e de Ems e Vicky fazerem uma aliança contra um inimigo comum. Este era o caminho natural das coisas, e é lindo ver que tudo está sendo seguido como deveria e, mais importante: com muitas padmadas pelo caminho.

Observações:

– Nada que David e Jack fizeram nesse episódio merece ser mencionado. Bem que Black poderia ter matado os dois antes do ataque à Aliança Divônica, hein?

– Estou adorando a fase “Vicky supersincera”, contando até para Margô toda a verdade sobre os Graysons e os Clarkes. O divertido é que os roteiristas pensaram “ah, só vai ficar faltando o Ben, vamo botar o cara pra ouvir atrás da porta, mesmo, que ele não merece que percamos tempo criando mais um momento de descoberta só pra ele”. Estão certíssimos roteiristas, estão certíssimos. E agora, oficialmente, todos os personagens fixos de Revenge sabem a verdade (ah, pera, Louise ainda não sabe… dammit!).

– ME SEGUREM, porque, se o próximo episódio consolidar o que parece que vai consolidar, não sei se sobrevivo até o final dele, pessoal!!!! Obrigado, e até a próxima… se eu resistir até lá! rs.

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Guto Cristino
Guto Cristino é engenheiro químico, jornalista e administrador. Nessa salada toda, o tempero constante é a paixão por séries e por Christina Aguilera, sempre presentes em seu cada vez mais curto tempo livre. No Série Maníacos desde 2011, é especializado em cretinice televisiva, com foco em novelões e realities, mas garante que vê série boa de vez em quando.