Um season finale com cara de último capítulo. E um dos melhores últimos capítulos das nossas vidas.
Não sei se alguém tinha dúvida de que Revenge precisa ser levada pelos fãs da mesmíssima maneira como levamos os novelões que assistíamos no SBT quando éramos jovenzinhos. Mas, se for o caso, Execution deixou mais do que claro o que é Revenge e explica perfeitamente bem a que nosso novelão americano favorito veio.
Para entender o season finale de Revenge, uma coisa precisa ficar clara: novelões são 100% sobre clichês. A mocinha sofredora que quer justiça. A senhora vilã socialmente respeitada que tem poder absoluto no local em que vive. O mocinho apaixonado que sempre será guiado por valores éticos e pelo bom coração. A família riquíssima e toda podre. Revenge é clichê desde seu primeiríssimo episódio, e vem sendo assim em absolutamente TODOS os seus capítulos, sem exceção. Nenhum fã que acompanhou a série durante três temporadas pode deixar de ter isso em mente quando for avaliar o produto que nos está sendo vendido.
É claro que a série tempera todos os seus clichês com elementos que são só dela, como o nerd bilionário bissexual extremamente bem construído para representar os próprios fãs da série nesse universo maluco, o treinamento no Japão no maior estilo Karatê Kid, a filha bastarda inútil que nunca foi capaz de dar uma dentro, o britânico mala esporadicamente descamisado para despertar os hormônios femininos, uma europeia para preencher a cota da pluralidade cultural, e, claro, Bananiel, que não sabe se vai ou se fica, não sabe se fica ou se vai. Mas, essencialmente, Revenge é um novelão, e uma série só pode ser chamada de novelão se trabalhar constantemente com lugares comuns. Então, antes de tudo, tiremos da frente qualquer possibilidade de crítica a possíveis clichês que cercaram esse finale. Seria apenas ingênuo demais.
Começo a review por esse assunto justamente pra tirar da frente a questão mais polêmica desse finale: o retorno de David Clarke. Não sei vocês, mas eu já tenho em mente que David está vivo desde meados da primeira temporada, e quem me acompanha aqui desde o início sabe que, na época eu afirmei: em novelões, só podemos considerar alguém morto se realmente virmos o cadáver (preferencialmente em estado avançado de putrefação, só pra garantir). Assim, o que já esperávamos há anos finalmente aconteceu, e o pai de Emily, em sua breve aparição, mostrou que o tom da quarta temporada da série será mais sombrio do que o que estamos acostumados a ver.
Ver David matando Conrad foi realmente impressionante, principalmente para quem conviveu por três anos com uma Amanda Clarke que, mesmo cometendo inúmeras atitudes bastante questionáveis, foi incapaz de tirar uma vida. E justamente o pai cujas palavras motivaram esse único princípio moral que guia nossa protagonista é um homem que não pensa duas vezes antes de trair as próprias lições de vida. E, aqui, vale destacar a aspa que considero a mais importante do episódio, proferida por Victoria Grayson:
A verdade é que o homem de quem você se lembra como pai e o homem que eu conheci são pessoas muito diferentes”
É normal que, entre a infância e a adolescência, comecemos a descobrir que nossos pais não são heróis, não são seres humanos perfeitos e acima do bem e do mal. São pessoas que, como todos nós, têm falhas. Acontece que Amanda Clarke nunca chegou a vivenciar essa fase da vida, já que foi privada muito cedo da convivência com o pai. Assim, todos os três anos de lembranças que temos, todas as nossas referências de David Clarke remetem a um David herói, praticamente à espera de uma canonização. Um David que apenas uma criança poderia enxergar.
Mas deveríamos ter parado para pensar que um homem que se envolve com Victoria Grayson não é flor que se cheire. Não só pelo comportamento dúbio da nossa vilã, mas principalmente porque basta pegar o histórico de amantes da rainha para percebermos que não tem um que salva! E David Clarke certamente não seria a exceção. Sim, Vicky incriminou o pai de Emily, mas o que ninguém nunca havia cogitado é o simples fato de que, assim como cada vítima da revenge da nossa protagonista, talvez David simplesmente merecesse a armadilha em que foi preso pelos Graysons. Eu sempre disse aqui, e sigo dizendo, que Vicky e Emily são um espelho uma da outra, mas nunca imaginei que poderia estender essa afirmação a uma questão importante deixada por esse finale: ao escolher David Clarke como bode expiatório, talvez Vicky tenha sido simplesmente uma justiceira – como Emily foi com Mason Treadwell.
É claro que tudo isso é apenas especulação, e talvez David Clarke esteja de volta apenas porque, uma vez que sua filha tenha limpado seu nome, ele pode finalmente voltar a uma vida normal. Mas, por mais que Conrad merecesse, o fato de David ser capaz de matar o vilão a sangue frio me diz que há muito mais nessa história. E, enquanto provavelmente testemunharemos David se reintegrando à sociedade dos Hamptons na próxima temporada, Emily terá pela frente uma longa jornada de compreensão de que o pai é alguém bem diferente do que ela imaginava. Espero um David Clarke cheio de podres e uma implosão completa de todos os conceitos e ideias do universo da nossa heroína. E, com um pouco de sorte, uma eventual união divesca de Emily e Vicky contra David Clarke (não, o sonho não acabou!).
Enquanto isso, no lado inútil da força, Charlotte mostra que não consegue realmente dar uma dentro, e denuncia Jack pelo seu sequestro. E, olha, Valesca pode ter marcado nossas vidas para sempre com seu Beijinho no Ombro, mas nunca imaginei que Jack lançaria sua própria versão do hit: Mãozinha no Ombro, algo tão característico que foi não apenas suficiente para que Charlotte reconhecesse seu “sequestrador” como também já bastou para que a polícia prendesse o rapaz. Pode, Arnaldo?
Season finale que é season finale precisa ser fiel às suas origens e mostrar a chegada de outro parente perdido. Mais impressionante do que a voracidade com a qual Gideon LeMarchal chegou aos Hamptons só mesmo a gigantesca apatia do intérprete do irmão de Margô. A mesma cara de azedume em absolutamente TODAS as cenas! Isso posto, apesar de não gostar do personagem por motivos óbvios, achei que sua entrada acrescentou uma camada sombria e interessante para nosso querido Nolan. Desde a primeira cena, era muito claro que o bilionário havia escolhido a pessoa errada para associar-se, e o fato é que a aliança Gideon & Nolan faz com que a dupla Daniel & Margô pareça até o lado bonzinho da história. Achei tão surreal toda aquela coisa de balada-absinto-homoerotismo feminino-overdose! Nem parecia Revenge! Enfim, toda essa história foi útil para que Nolan começasse a se questionar e ver que talvez ele tenha se perdido como Emily se perdeu em sua sede de vingança. Mas espero que Gideon saia da série tão rápido quanto entrou.
Mas chegamos, claro, ao melhor momento deste texto: o momento “diva do episódio”. No caso, diva da temporada, diva da série, diva do mundo! Não tenho palavras para dizer o quanto Victoria Grayson divou neste episódio, e acho que uma imagem vale mais do que qualquer descrição que eu possa fazer:

MAS QUE MULHER MARAVILHOSA MINHA GENTE!!!!
Imaginem a alegria completa deste reviewer ao ver que não apenas o meu pedido, que vem sendo feito desde a primeira metade desta temporada, foi atendido, mas também que ele foi atendido pela RAINHA EM PESSOA!!!! Como não torcer por uma reviravolta completa dessa mulher depois de ela eliminar esse mala sem alça de vez da nossa série favorita, minha gente??? Fiquei feliz demais porque, UMA VEZ NA VIDA, alguém esteve à frente de um plano de Emily e acabou nocauteando de vez um aliado da nossa heroína.
Achei muito interessante a maneira como a doutora Michelle Banks foi reutilizada aqui. Eu só não entendo uma coisa: no início do episódio, a mulher está toda poderosa em seu consultório, como se nada tivesse acontecido, como se não houvesse nenhum trauma e nenhum dano profissional depois da vingança de Emily. Afinal, será que os vilões aleatórios estão mesmo sendo derrubados? Lydia só cai e levanta (inclusive literalmente) diversas vezes, Mason passou um bom tempo com livre circulação pelos Hamptons até ser incriminado por Ems, e agora Michelle Banks está atendendo pacientes normalmente. Será que o investidor do segundo episódio já enriqueceu de novo? E o promotor do terceiro, já foi eleito promotor-chefe e seguiu em frente com uma carreira brilhante? Assim fica difícil levar a sério a sua Revenge, hein, Emilyzinha?
Outra coisa difícil de entender: por que raios Vicky achou que poderia aparecer lá no cemitério, na maior tranquilidade, se expor daquela maneira e não ser golpeada ou mesmo morta? Ela bolou um plano tão bacana para Aiden, e com Emily, a chefona da história, foi absolutamente despreparada. Espero que tenha sido o último erro da rainha nesse sentido, e que ela perceba que precisa lutar com as mesmas armas de Emily, por mais que não tenha todo o background oriental da rival. A pergunta número 2 é: onde foram parar as tais “autoridades” que Vicky chamou para prender Ems? Afinal, a diva precisa ter denunciado a mulher pra poder ter feito esse chamado, então seria interessante ter visto como a protagonista se esquivou dessa questão – principalmente porque eu não esqueci que há um policial que supostamente deveria estar de olho nela, mas tudo bem. É só Revenge sendo Revenge.
Ainda assim, não dá pra não respeitar um plano que inclui manicômio, berros que bradam uma verdade disfarçada de insanidade e uma protagonista linda, loira e esvoaçante andando pelo corredor. Nessas horas, pouco me importa se sou #TeamVicky. Sou e sempre serei #TeamPadmada, e ver Ems vindo em nossa direção com aquela cara de “Sambeeeei, minha gente!” é maravilhoso! É claro que sabemos que Vicky não permanecerá naquele sanatório até o fim da première da quarta temporada, mas é justamente sobre essa magia da coisa – o fato de que, apesar de tudo ter tido toda a cara de fim definitivo de Revenge (se não fosse pelo retorno de David Clarke, poderíamos acabar a série aqui tranquilamente), a série ainda irá continuar! – que recai a responsabilidade pelas altíssimas expectativas deixadas por esse finale. Como Emily irá reagir ao retorno do pai e à posterior descoberta de que ele não é flor que se cheire? Como Vicky lidará com o fato de que seu suposto amor traído está vivo? E o que isso fará com a relação das duas? Não sei, mas mal posso esperar pela próxima temporada e pelas respostas graduais a todas essas curiosas questões.
Por mais conturbada que seja a terceira temporada, a verdade é que é por episódios como Impetus e Execution que continuamos firmes e fortes com Revenge. Vale a pena ver outros 20 episódios ruins ou medianos para chegar ao que realmente presta? Não sei, é uma decisão de cada um. Mas, depois que Sunil Nayar mostrou tanta capacidade para fazer um fim de temporada eletrizante, não vai ser justamente agora que vou abandonar meu novelão favorito. Morreremos de saudade de Henry Czerny? Sem dúvida. Mas era a hora do Conrad, e o tamanho da reviravolta que significou a queda do personagem vale o sacrifício (mas lembrem-se: cadáver não mostrado significa personagem vivo, então aguardemos o desenrolar dessa facada que Conrad levou).
Só para encerrar bem esta review, compartilho com vocês meu tuíte na tarde do domingo da exibição desta finale:

Assim, aviso a todos vocês que estou montando um novo negócio: vejo passado, prevejo futuro, tiro búzios, tarô e trago seu amor de volta em três dias. Ligue djá!
A todos, muito obrigado por acompanhar a cobertura desta temporada aqui no Série Maníacos. Espero que tenham gostado do trabalho, e até setembro, pessoal!






















