Um brinde a planos bem feitos!

Quem tinha alguma dúvida em relação à maneira como a equipe de roteiristas de Revenge enxerga a própria série, com certeza deixou de ter depois da primeira cena de Homecoming. Nolan brindado à genialidade do plano de Emily é o recado mais irônico que poderíamos ter recebido do roteiro, e é justamente por estarmos diante de todas as consequências de um dos planos mais xexelentos que a série já nos deu que acho que esse momento merecia ficar registrado no topo da review. Nolan, como sempre, é a perfeita ponte para que a ficção e o mundo real dialoguem, seja representando nossos pensamentos, seja dando recados da própria equipe da série.

Mas não temam, porque, se o plano de Emily saiu pela culatra, nossa heroína, mesmo sem força alguma para pegar uma maletinha pendurada por Aiden no farol, foi capaz de ir parar no convés de um navio antes que Aiden chegasse. Será que o salvamento de Emily teve participações especiais de Nemo, Dory, Ariel, o rei Tritão e adjacências? Seria esse um crossover entre Revenge e Once Upon a Time? Aliás, já pode sonhar com esse crossover a partir de agora?

Por mais que os roteiristas já saibam que estão trabalhando em uma série toda avacalhada, poderia ter havido um pouco mais de preocupação com verossimilhança. Aiden não precisava, de maneira alguma, ter encontrado Emily naquele navio, e não precisávamos passar pelo tal sinalizador que ora funciona, ora não funciona, precisávamos? A série deveria ter decidido: ou Emily chega ao navio e é resgatada ou é encontrada pelos amiguinhos. Tudo de uma vez pra quê? Só posso acreditar que seja um recado de Sunil Nayar para nós, para que não ficássemos preocupados e tivéssemos certeza absoluta de que o destino queria Emily viva.

Viva, mas desmemoriada, claro. E se, por um lado, quase morri de preguiça da amnésia sendo usada mais uma vez em Revenge, por outro, fui puro amor por Emily desmemoriada. É uma pessoa de verdade, que tem até medo do perigo, gente! Com poucas cenas, criei por essa Emily um amor que Emily psicopata jamais conseguiu nem conseguirá despertar em mim. Por isso, senti luto verdadeiro quando a vi sendo morta tão rapidamente para que a versão original retornasse, naquele momento que, à primeira vista, pareceu fruto da magia do amor por Jack e por nossa finada Amandinha, mas que espero de coração que seja apenas resultado da falta do veneno, também mágico, da médica-japa-pretensa-assassina-mas-amante-do-Aiden, que deve ser a real causa da amnésia.

Quase morri de dó de nossa rainha Maria do Bairro Vicky, desesperada para tentar se livrar da acusação de um crime que não cometeu. Até que, claro, Daniel veio à tona a tirou da diva o que ela tem de melhor: as garras de corujona que ela sempre mostra quando precisa proteger um de seus rebentos. Sinceramente, com o número de podres que Vicky sabe sobre o marido, achei até que ela passou muito tempo bancando a mártir em vez de chantagear logo Conrad. E, por mais piegas que seja, adorei ver Vicky forçando o marido a fazer exatamente o que ela havia feito pelo filho duas décadas antes: sacrificar a potencial felicidade de uma nova vida que batia à porta.

Nem preciso dizer que, após o rompimento aparentemente definitivo do casal-sensação da série, sou 100% #TeamPatrick. O motivo é muito simples: quem SEMPRE colocou as mulheres à frente da relação foi Nolan, que tentou chafurdar a vida do parceiro quando ele próprio guardava mil segredos, que distraiu Patrick para que o plano de Emily funcionasse, que depois tentou usar a influência do peguete para vê-la no hospital. Ao contrário do próprio Patrick, Nolan nunca deixou de fato a relação em primeiro lugar e, embora o filho de Victoria não tenha noção do histórico dos Hamptons, é mais do que natural que ele desconfie de Nolan, que de fato tem muita coisa a esconder e não foi capaz de viver o relacionamento que ele mesmo dizia prezar. Assim, depois de Mateus Solano ter lamentavelmente ficado bonzinho, o universo restabelece seu equilíbrio, levando para nosso novelão favorito a personagem do momento: a bicha má, que agora segue firme e forte ao lado da mamãe. #TeamBichaMá

O melhor dessa aliança foi que a Revenge box foi finalmente descoberta por Victoria, que, por meio de uma mera descrição, conseguiu ligá-la em questão de segundos à tatuagem de Emily, ainda ignorando completamente o fato de que a casa vizinha que ela frequenta desde os primórdios dos Hamptons tem o mesmo símbolo gravado na varanda. Memória seletiva é isso!

No meio disso tudo, sobrou pra quem? Para nossa querida e amada Lydia Davis, que voltou dos mortos apenas para se tornar mais um bode expiatório dos Graysons. Como não amar Revenge depois dessa constatação? Imagino a reunião de roteiristas: “Gente, Emily vai levar um tiro, mas não podemos culpar nenhum dos nossos personagens principais, como faremos?” “Já sei!!! LYDIA NÃO MORREU E VAI LEVAR A CULPA!!!!” “GÊNIO!!! Clap clap clap clap!” Que venham mais rompantes de genialidade da equipe mais fanfarrona da TV aberta americana ao longo da temporada! Até lá!

Observações:

– Fiquei muito triste quando a maleta com o kit de emergência de Aiden, para que Emily pudesse tirar as balas e suturar a si própria em alto-mar, afundou. Que pena, aquilo certamente salvaria a vida dela!

– E a burrice sem limites de Charlotte? “Oh, ela falou que o pai dela é o David Clarke, deve ser mesmo porque me viu e deve estar confusa, tadinha”.

– Quote do episódio: “Eu precisei da sua ajuda hoje, e em vez disso você resolveu voltar pro Bates Motel!” Sério, Nolan merecia uma categoria especial em todas as premiações pra que essas falas pudessem ser laureadas! Coisa linda!

– O momento mais importante do episódio? De longe, Lydia Davis tacando vinho no trono da rainha! MERECEU pagar o pato, cadeira elétrica é pouco pra um crime hediondo como esse. E, segundo informações de páginas gringas, a ABC, abraçando a genialidade de Revenge, fez questão de colocar a seguinte imagem após os créditos da série (agradecimentos ao colega Vinícius Barros pela informação sobre esta imagem):

Adeus, poltrona. Descanse em paz!

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Guto Cristino
Guto Cristino é engenheiro químico, jornalista e administrador. Nessa salada toda, o tempero constante é a paixão por séries e por Christina Aguilera, sempre presentes em seu cada vez mais curto tempo livre. No Série Maníacos desde 2011, é especializado em cretinice televisiva, com foco em novelões e realities, mas garante que vê série boa de vez em quando.