Recordar é viver.

Quando Lydia Davis ressurgiu das cinzas no fim de Secrecy, já dava para imaginar o tipo de episódio que seria Surrender, que serviu basicamente para retomar os acontecimentos relacionados à ex-secretária, reativar nossas lembranças e EXPLICAR A F*CKING EXPLOSÃO DO AVIÃO!!!!

Sim, amiguinhos, peço perdão pela falta de elegância do caps acima, mas não dá pra não comemorar imensamente o diálogo entre Lydia e Vicky criado para pôr um fim em todas as nossas dúvidas a respeito dessa história. Ou quase, claro. O importante é que finalmente a equipe percebeu que tudo havia ficado muito mal contado, e trouxe Lydia de volta de maneira a resolver de vez esse problema. Agora, não há mais inconsistências. Vicky sabia de tudo e levou Lydia embora com ela (como não amar nossa rainha misericordiosa?). O acidente de avião? Não serviu pra ABSOLUTAMENTE NADA a não ser prolongar a série, claro.

O interessante foi que eu achei que o retorno de Lydia fosse algo realmente divônico, que ela havia voltado para tocar o terror, mas ledo engano. Depois de todo esse tempo, Lydia continua a mesma malvadinha incompetente e submissa que acompanhamos ao longo da primeira temporada. Submissa a Vicky, submissa a Conrad, submissa até a Margô, que acabou de chegar e já bota banca em personagem veterana (não que isso seja difícil dado o nível intelectual dos personagens veteranos). Aliás, só eu acho meio sexy ver nossa francesinha dizendo “Margaux Lemarchal speaking” ou soltando uns “Merci” no meio das falas? É, eu sei, só eu, mas não tem problema.

Mas vamos deixar Margô de lado, já que ela mesma parece deixar as coisas de lado com a maior facilidade do mundo (porque vamos combinar que Jack não está valendo a desistência de uma história tão boa, está?). Voltando a Lydia, é incrível como o retorno dessa mulher foi frágil e Emily conseguiu derrubá-la com a maior facilidade do mundo, tornando-a novamente dependente de Conrad e parte (não muito boa, especialmente para Vicky) da vida dos Graysons. De qualquer maneira, valeu muito pela padmada na cara de Emily no início do episódio. Vejo chances altíssimas de Lydia acabar sendo a atiradora, já que ela está perto demais de descobrir a verdade (convenientemente, Conrad tinha em casa, com facílimo acesso, uma cópia da mesma foto que Lydia usou para identificar Amanda Clarke garçonete) e vai precisar ser eliminada de vez da série pela terceira vez (HAHAHAH) – ou, no caso, perder a terceira de suas sete vidas, já que a própria Revenge já nem faz questão de se levar a sério e faz inúmeras (e ótimas) piadinhas com o corpo fechado de Lydia ao longo do episódio. Mas ainda não descartei a possibilidade de retorno de Ashley ou de Patrick.

Ainda que tenha sido meio qualquer coisa, o retorno de Lydia foi realmente o grande destaque do episódio em termos de enredo – principalmente por causa daquele empurrão MAGISTRAL que tacou Emily no chão, sem dúvida o clímax de toda a trajetória de Lydia na série, por mais que Emily tenha pensado rápido e sabido se aproveitar da situação. O grande problema de Surrender é que foi exatamente isso que foi acontecendo ao longo de todos os episódios: o encerramento da grande maioria dos arcos criados até aqui, com personagens se rendendo de alguma forma e tornando nossa jornada pela terceira temporada essencialmente inútil, apenas uma longa espera pelos tiros em Emily.

E, se foi lamentável o fato de Margô ter desistido de investigar Conrad, fiquei com o coração partido com Daniel desistindo de viver seu romance com Sarah. Essa paixão avassaladora repentina foi sem pé nem cabeça? Claro, como a maioria das coisas em Revenge. Mas, como eu andei dizendo no espaço de comentários, Daniel é um dos poucos personagens de Revenge que tem coração, e eu ficaria muito feliz se ele pudesse ter seu happy ending com Sarah em vez de se jogar cada vez mais nos braços da mal intencionada Emily. Vicky pode ter seus inúmeros defeitos, mas ela está certíssima em seus instintos de tentar proteger o filho de nossa vigarista heroína.  E é engraçado como, até para peitar alguém, Daniel insiste em ser banana e peitar a pessoa errada, caindo cada vez mais forte no golpe da loira.

E, se Charlotte desistiu de tentar ser alguém útil na série (o que espero não ter surpreendido ninguém), não podemos esquecer a desistência mais SAMBATIVA de todas: Victoria Grayson declinando educadamente o convite para o casamento. Eu ria, mas eu ria descontroladamente da cara de Emily, que passou meses e meses preparando seu plano para, no fim, levar um golpe desses! IMPOSSÍVEL não amar Revenge depois desse final delicioso, que mostra que não é qualquer um que vai tirar a majestade da nossa rainha. Vida longa a Victoria Grayson (e a seu nem tão fiel companheiro Conrad, que forma com ela a dupla responsável pelos diálogos mais deliciosos dessa série)!!!

P.S. – Achei o pedido de casamento de Aiden extremamente entediante, com pitadas de ridículo (provavelmente por causa daquele ritual japonês que o precedeu). O pedido de Daniel, na chuva, deu um verdadeiro banho (quase literal!) nesse aí.

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Guto Cristino
Guto Cristino é engenheiro químico, jornalista e administrador. Nessa salada toda, o tempero constante é a paixão por séries e por Christina Aguilera, sempre presentes em seu cada vez mais curto tempo livre. No Série Maníacos desde 2011, é especializado em cretinice televisiva, com foco em novelões e realities, mas garante que vê série boa de vez em quando.