Esta não é uma história sobre perdão… Ou é?

Spoilers Abaixo:

Já me causou estranhamento o fato de que uma série que já se inicia com a frase “This is not a story about forgiveness” ter um episódio justamente com esse título. Ainda assim, eu contava com a possibilidade de termos outro tipo de abordagem do tema, mas a verdade é que praticamente todas as tramas e cenas do morno episódio desta semana só deram força à ideia de mostrar o lado benevolente e compreensivo dos personagens de Revenge. Ao menos nas aparências.

Mas o lado mais interessante de “Forgiveness” não é testemunharmos o calvário de Emily, Nolan, Amanda, Kara, Jack e David na jornada para de fato perdoar ou obter o perdão daqueles que decepcionaram de alguma forma. No fundo, a série é um claro pedido de perdão a nós, espectadores. Somos nós quem, pela primeira vez nesta segunda temporada, somos requisitados a perdoar Emily por todo o seu egoísmo e inconsequência que tantos males causaram aos habitantes dos Hamptons. A protagonista finalmente voltou a mostrar seu lado bom, se importar com as pessoas, arrepender-se de seus erros e compensar aqueles a quem ela causou algum mal.

Isso foi evidenciado principalmente com Amanda, que acordou do coma mais rápido do que eu preparo um miojo. Três minutos e zás, lá estava ela! No fim das contas, a relação entre as irmãs postiças melhorou incrivelmente neste episódio, e eu fiquei feliz por ver Emily e Amanda se desculpando uma à outra por seus erros. Mais uma vez, estou amando Amanda (tu-dum-pá!) e espero que essa aliança renda melhores momentos vingativos para a série.

Emily, aparentemente, conseguiu o Achievement de dormir de conchinha com Aiden, e destravou todas as cenas envolvendo seu afogamento. Pelo visto, não havia nenhum mistério na história: a mãe estava lelé, afogou a menina, o pai a salvou, revoltou-se contra a mãe, perdoou, e ambos concordaram que o correto era que ela se internasse e fosse dada como morta. Incrível como é fácil para as pessoas arranjarem atestado de óbito nesta série, não?

Mas Kara não apenas voltou, como também foi ao encontro de sua ex-arquirrival, Victoria Grayson. Vamos ser honestos: depois desse tempo todo na surdina, não venha Revenge querer que eu acredite que Kara estava com saudade da filhinha e voltou. Caberá a Emily não apenas perdoar Kara (foi muito emocionante a cena do pedido, com Emily ouvindo atrás da porta), como também descobrir mais sobre a mãe e talvez até protegê-la de um possível ataque da Iniciativa. Observação: belíssimo toque do roteiro o fato de vermos Kara decepcionada porque Amanda não a reconheceu, lamentando sobre o fato justamente com “Emily Thorne”.

Agora, vou precisar pedir a ajuda de vocês para compreender uma situação: afinal, os Graysons sabiam ou não sabiam que Kara estava viva? Para explorarmos essa questão, precisamos voltar no tempo, mais precisamente ao momento em que Emily descobre que sua mãe não morreu. Ela e Nolan obtiveram essa informação em uma gravação em vídeo, em que Victoria, segundo o próprio Nolan, diz que Kara continua viva. Quem está com ela: Gordon Murphy e uma terceira pessoa, um homem que até o momento eu estava assumindo ser Conrad Grayson.

Assim, essa história fica meio mal contada. Teoricamente, Victoria e Gordon Murphy tiraram Kara da instituição psiquiátrica para que o capanga a executasse, coisa que ele não apenas não fez, como também se apaixonou pela mãe de Emily e casou-se com ela. Mas afinal: Victoria sabia dessa última parte, ou não? Se sabia, por que Gordon Murphy teria compartilhado com ela seu ato de rebeldia, e por que ela teria deixado ambos saírem impunemente da situação? Se não sabia, como Nolan e Emily puderam concluir que Kara estava viva a partir daquela gravação?

Parei para pensar numa explicação que deixe o roteiro da segunda temporada à prova de furos (ok, forcei a barra, mas ao menos é uma tentativa de minimizar os furos). Vamos à sequência de eventos: 1) David interna Kara. 2) David se apaixona por Victoria e conta a verdade a ela. 3) Victoria descobre as falcatruas de Conrad e se vê ameaçada de perder tudo e ir criar Daniel na sarjeta. 4) Victoria grava videozinho contando a Conrad e Gordon Murphy sobre Kara. 5) A Iniciativa decide matar Kara, que sabe demais, e manda Victoria e Gordon Murphy atrás dela. 6) Gordon Murphy rapta Kara, mas se apaixona por ela, poupa-a, e eles se casam. 7) Emily e Nolan assistem ao videozinho gravado no item 4.

Isso faz com que os eventos façam sentido, mas abre a seguinte questão: é nada além de PURA COINCIDÊNCIA o fato de Kara estar realmente viva quando Emily decidiu iniciar sua busca pela mãe. Ela poderia muito bem estar morta se não tivesse sido poupada por Gordon Murphy. E, por favor, me corrijam se eu estiver errado, mas essa foi a explicação menos furada que consegui arranjar.

E, em mais uma dessas ótimas coincidências, Kara ressurge justamente no momento em que Vicky desconfia de que Amanda tinha um aliado. Ou seja, Emily mais uma vez deu sorte, e as atenções dos vilões não se voltarão para ela, por enquanto.

Quem, no entanto, não voltou com a mínima intenção de perdoar foi a diva-wanna-be dos Hamptons, Mason Treadwell, em mais uma prova de que a Revenge de Emily está mais furada do que nunca, já que o jornalista continua inabalável em sua busca pela verdade, ameaçando todos os heróis e vilões da série. Agora que não tem mais nada a perder, Mason tornou-se um poço de confiança, sabe que os habitantes dos Hamptons estão cheios de segredos e não tem medo de nenhum obstáculo que se coloque entre ele e esse furo de reportagem. Fomos obrigados até a engolir uma tal cicatriz que Amanda Clarke deveria ter e não tem, como constatou Mason. Minha Nossa Senhora dos Clichês, ajude-nos!

Mas não podemos encerrar a review desta semana sem mencionar nossa biscatinha favorita da temporada, Padma Lahari. Foi “bonitinho” ver Emily se preocupando com Nolan e avisando ao ex-sidekick que Padma tem uma agenda oculta, investigando a ligação entre David Clarke, Nolan e os Graysons. Qual não foi a minha decepção ao perceber, por meio da conversa entre Aiden e Daniel, que ela realmente só estava preocupada com a situação da NolCorp? Ainda assim, foi o movimento de Padma que acabou colocando a empresa de Nolan sob o controle dos Graysons, e eu me vejo dividido com essa história toda: por um lado, vai ser bom ver Nolan nas mãos metafóricas dos vilões da série; por outro, isso só aconteceu por pura burrice de sua diretora financeira. Se fosse tudo de propósito, ela seria minha nova “ídola”, mas vamos ser sinceros: já temos Daniel, Charlotte, Jack e Declan, não precisamos de Padma para engrossar a superpopulação de antas em Revenge, precisamos?

Observações:

– Aplausos para o pedido de casamento mais cretino da história das séries! Conrad está afiadíssimo nesta temporada!

– A única serventia de Charlotte foi devolver a jaqueta de Declan, cujo empréstimo já não havia feito sentido no episódio passado. Ou seja, ela voltou a ser uma inútil, exatamente como prevíamos na semana passada.

– Mason: “Parece que estar morto está na moda por aqui.” “Você deveria tentar, Mason.” Victoria, como não amar?

– Troféu “americanizei, e daí?”: para o britânico Josh Bowman (ex-Joshua) defendendo o “american way” na mesa com Ashley e Aiden. Não consigo parar de me impressionar com a habilidade do ator de falar como americano.

– Momento Nolan: entendo que a palavra “revengey” fez muito sucesso ao ser proferida pelo nosso querido nerd no último season finale, mas sinto que ela está meio banalizada, perdeu a graça.

– Palavras de uma amiga Revenger: “Ainda não entendi por que comprar o bar é tão importante assim. Tem um tesouro enterrado lá embaixo???”

– Frase do episódio: “God, I love the Hamptons!”, by Mason Treadwell, ao dar de cara com Kara Clarke. We all do, Mason, we all do.

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Guto Cristino
Guto Cristino é engenheiro químico, jornalista e administrador. Nessa salada toda, o tempero constante é a paixão por séries e por Christina Aguilera, sempre presentes em seu cada vez mais curto tempo livre. No Série Maníacos desde 2011, é especializado em cretinice televisiva, com foco em novelões e realities, mas garante que vê série boa de vez em quando.