O poder sempre acima de tudo…

Mesmo que “The Lamb and the Slaughter” tenha nos dado um momento de “fofura” em Reign – falando sobre amor e amizade, “Blood for Blood” nos reafirmou que o poder é, definitivamente, a trama principal da série. Mas é claro, Mary continua sendo o centro de tudo – apesar do crescimento de Francis – e se faz cada vez mais forte e adorável. E o mais importante, tivemos a certeza que este roteiro é, além de muito bem escrito e amarrado, uma eterna caixinha de surpresas.

“The Lamb and the Slaughter” colocou a amizade de Mary e Lola à prova – e afinal, alguma delas tinha realmente razão? Lola ficou com Francis, mesmo sabendo que Mary o amava – mas será que era possível ter esta certeza? Afinal, naquele momento, nossa adorada Rainha estava nos braços de Bash afirmando que havia deixado Francis apenas para salvar a sua vida. Tudo bem, existe um fundo de verdade nisso, mas também sabemos que existe uma outra verdade – a eterna busca de Mary pelo poder. Então, podemos mesmo condenar Lola por suas atitudes? A culpa e a raiva são sentimentos perigosos – podendo nos levar às atitudes muitas vezes extremas – incluindo o término de uma verdadeira amizade. Lola e Mary andaram sob o fio da navalha e se não fosse aquele pedido desesperado de Estelle por socorro, talvez não conseguissem reencontrar o caminho certo, no qual persistiu a cumplicidade.

Mary Stuart sempre foi lembrada por sua impetuosidade em contraponto de seu altruísmo – ela amou demais, o que possivelmente, tenha sido um dos seus maiores pecados diante das máscaras da monarquia. Nossa rainha da Escócia era forte porque lutava – mesmo com medo – por tudo aquilo que acreditava ser o certo, não importando as consequências de seus atos.

Já Lola fez o impossível para salvar Estelle e também para salvar a si mesma. Com o triste fim da menina se atirando pelo penhasco, por um momento tivemos alguma esperança de Narcisse ser apenas mais uma vítima da falta de amor neste mundo e não o vilão tirano e sem escrúpulos que na verdade ele é. Criar uma ilusão sobre o fantasma de Reizinho Henri apenas para conseguir uma confissão de Francis? Precisamos admitir – essa é uma ideia genial. E o que Francis vai fazer agora? Será que vai mesmo se tornar um fantoche nas mãos de Narcisse? Boas surpresas ainda podem render desta trama, afinal Narcisse é o nome desta temporada. E Lola irá se jogar nos braços deste poderoso “amante dono da tatuagem de borboleta”? Kenna está cada vez mais empenhada em dar conselhos ultimamente – se trarão bons resultados, ainda é um mistério.

E Greer? Mais uma vez os conselhos de Kenna surtiram efeito, não é mesmo? A menina não perdeu tempo e foi parar nos braços – pasmem – de Lorde Castleroy. Mas quais serão as suas verdadeiras intenções? Será mesmo vai se apaixonar por ele ou apenas desejou garantir o casamento? Já sabemos que Greer gosta da boa vida, do dinheiro – mas também sabemos que seu noivo é um fofo, apesar de estar seguindo o perigoso caminho do protestantismo naquela França da metade do Século XVI – então fica a dúvida no ar. De qualquer forma, o casamento teve a cara da CW – cheio de plumas e paetês e logicamente, Castleroy em algum momento será perseguido pela corte francesa. Aguardando as cenas dos próximos capítulos.

E os viajantes em seus cavalos que levam as almas embora? Apenas católicos enfurecidos e capazes de qualquer atrocidade em “nome de Deus”. Eles usavam a seu favor todo o misticismo da época que acreditava em espíritos do mal, bruxaria e heresia. Como já havia mencionado, muitos vezes a peste negra era considerada uma praga vinda do diabo para destruir as almas e dizimar as pessoas – e são estas crendices que estão sendo introduzidas na série de forma bastante interessante no momento. Pois foi a partir destes fatos que se iniciaram logo em seguida as Guerras Religiosas na França – guerras travadas entre Católicos e Protestantes (Huguenotes) que são o desdobramento das diversas consequências da Reforma Protestante iniciada em 1517 por Martinho Lutero. No entanto, a intolerância e a violência não tinham apenas motivações religiosas, mas também (e principalmente) políticas. Em “Blood for Blood”, Francis nos provou que a politicagem está acima de tudo – o importante é salvar a própria pele. Ou seja, o sobrenatural é na verdade mais um pano de fundo para o único e verdadeiro motivador da nossa história – a busca pelo poder. Ponto para nossas adoráveis roteiristas.

E claro que não poderia terminar esta review sem falar das nuances de Francis nestes dois episódios. Primeiramente nos apresentou um dos momentos mais fofos e românticos de Reign – os seus vagalumes. Sabemos que para um rei e uma rainha ter um herdeiro ao trono é muito mais que uma obrigação – é fundamental para a continuação de sua linhagem no poder. Mas para Mary e Francis, talvez este não fosse o principal motivo, e sim a afirmação do amor, da amizade e da cumplicidade que existia entre os dois. O aborto de Mary era evidente deste o começo daquele episódio, o que não diminuiu em nada a emoção, com uma pitada de tristeza, melancolia e romance na medida certa. Mas logo em seguida, tivemos um Francis amedrontado e egoísta – mesmo que alguns digam que sua intenção era proteger sua Rainha ao mentir descaradamente para ela – a verdade é que deixou todos os seus sentimentos nobres de lado por sua autopreservação. Mary já demonstrou de todas as formas possíveis que está sempre ao seu lado não importando as circunstâncias, mesmo que algumas vezes tenha imposto as suas vontades – então precisava mesmo mentir para ela sobre algo tão delicado? Possivelmente, “Blood for Blood” seja um divisor de águas no relacionamento de Mary e Francis, pois nossa amada Rainha da Escócia não deverá perdoá-lo tão facilmente quando descobrir a verdade. Reign continua a nos reafirmar o quanto o desejo pelo poder pode ser muito mais persuasivo que o amor.

Infelizmente nossa série tem mantido a sua audiência muito baixa até para os padrões da CW, portanto devemos ficar todos com o coração na mão, pois um cancelamento parece cada vez mais próximo de acontecer. Bem, então devemos aproveitar e desfrutar cada vez mais desta delícia! E vou continuar repetindo – vida longa à Rainha da Escócia!

PS. Será que Nostradamus não voltará mais????

PS. Figurinos…surreais! O que falar daquele vestido vermelho de Mary?

PS. Sem palavras para a trilha musical da série!

PS. Catherine está um pouco sumida na trama, apesar de ter arrasado destilando veneno e nos matando de rir!!!!!! Mas em breve ela deve colocar novamente as suas manguinhas de fora…

PS. Por onde anda Clarisse?

PS. Gostaria de pedir desculpas por esta review dupla, que como já afirmei inúmeras vezes, não é tão produtiva.

Francis para Mary:

Não importa o que o futuro trará, você é a minha luz”

Francis mentindo na cara de Mary:

Isso nos aproxima para que você saiba que seu fracasso me decepciona além das palavras?”

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