Mergulhando em águas perigosas…

Pela primeira vez, no total de 23 episódios, eu arrisco a dizer que nossas roteiristas podem estar mergulhando em águas perigosas ao inserir elementos desnecessários para o bom andamento de Reign. A inserção da ideia “fantasmagórica do mal” não parece encaixar com o lado sobrenatural até agora explorado pela série que trás como pano de fundo as lendas e os mitos da época que aterrorizavam o povo. Espíritos possuindo o corpo das pessoas acaba sendo uma dispersão total da realidade e não sei se este fato colabora com o bom ritmo do roteiro.

Mas “Drawn and Quartered” foi mais um episódio repleto de boas surpresas, nos mostrando da forma mais direta e cruel como funcionava a política que dava lugar a politicagem, nos fazendo refletir que pouquíssimo mudou em cinco séculos. Infelizmente, as trocas de favores e a manipulação de interesses ainda é uma realidade cada dia mais forte na política mundial, em que a disputa pelo poder aumenta dia após dia. Em Reign esta mesma disputa pelo poder está presente em cada cena, palavra e atitude na corte francesa.

A sede pelo poder é a maior tônica de Reign, o que movimenta a série e nos faz refletir. A política existe sem a politicagem? Um bom reinado ou governo existe sem acordos de interesse? Como o bom governante deve se comportar diante do poder que possui nas mãos? Podemos dar a resposta que quisermos para estas perguntas, mas o que importa mesmo é a realidade. Na luta entre o bem e o mal, o bem segue perdendo pontos para os sete pecados capitais. Por todo este ótimo contexto histórico, político e psicológico, é que a abordagem fantasmagórica dentro da série causa estranhamento. Mas tudo isso não deixa de ser uma aposta – vamos pagar para ver.

Mary precisava medir forças com Catherine, por isso mandou Eduard para a masmorra e teria sido o crime perfeito se fosse o azar de ter uma testemunha. Podemos dizer que esta foi uma maneira fácil do roteiro trazer o problema à tona – mas funcionou, deixando nossa Rainha da Escócia completamente encurralada. Mas quem acreditou que ela realmente se intimidaria? Impetuosidade misturada com inteligência resulta em armadilhas inescrupulosas e cheias de malícia – ponto para Mary. Relatos contam que Francis sempre foi um bom moço e assim como seu pai, também era completamente dominado pelas mulheres de sua vida – Catherine e Mary – principalmente durante o seu curto reinado. Mary manipula o marido ao seu bel prazer, que também é manipulado pela própria mãe – e isso tende a piorar muito, ainda mais agora que ele pretende assumir o filho bastardo porque “baixou” a boa samaritana na nossa Rainha da Escócia. Mas quem duvida que Lola também irá colocar as suas “garrinhas de fora”?

Gostaria de esclarecer que o desaparecimento da peste negra tão rapidamente da série não está fora do contexto, já que aconteceu apenas dentro do castelo. Na cena entre Bash e aquela vidente, eles deixaram bem claro que a peste continuava a matar milhares de pessoas. Mas na corte, o espirro e a tosse eram a forma mais evidente de transmissão da doença e não pela pulga que era a forma inicial da epidemia. Portanto, eliminando os mortos e não tendo mais nenhum infectado, a Corte Francesa estava completamente protegida. E falando em Bash, já era esperado que ele fizesse parte do Conselho de Francis, mesmo sendo um trabalho para mentirosos. Muitas coisas interessantes podem acontecer com Bash como Comissário do Rei – quem sabe, teremos alguns “mosqueteiros” à vista?

E falando em mosqueteiros ou fieis escudeiros – quem disse que ser amigo do Rei garante alguma tranquilidade nessa vida? Leith tomou a rasteira – e que rasteira, hein? Aliás, rasteiras. Apesar de ele ter deixado Yvette esperando – o que custou a vida da menina por estar no lugar errado e na hora errada – não merecia tanta crueldade de Francis e Greer. Bem, agora ele estará no castelo novamente perto de uma Greer que – aparentemente – perdeu o noivo. O que podemos esperar agora?

E repito a pergunta para Catherine diante da descoberta que Clarisse está viva – a prova concreta de seu adultério. O que podemos esperar agora? Quais serão as suas atitudes? E quando teremos Clarisse de volta? E Nostradamus? Será que não volta mais? Perguntas pertinentes em que as respostas podem fazer toda a diferença para as muitas reviravoltas que ainda podemos ter nessa trama.

“Drawn and Quartered” foi um bom episódio de uma temporada que tende a arriscar mais e buscar novos elementos para apimentar a trama – se vai dar certo, ainda não sabemos. De qualquer forma, arriscar é para os fortes e confio que nossas roteiristas nos reservam grandes e boas surpresas para o que se segue. E vou continuar repetindo – vida longa à Rainha da Escócia!

PS. Não posso deixar de falar dos figurinos…incríveis…

PS. Cavalos para esquartejar alguém? Sinistro…

Mary para Francis:

“Deixe-os te observarem, e você fica acima de qualquer suspeita. Foi meu erro e eu irei consertá-lo.

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