Como não continuar amando?

Reign retornou exatamente do ponto onde parou e o mais importante – com o mesmo ritmo, a mesma consistência, a mesma sintonia e a mesma ideia genial em misturar com maestria a verdade dos fatos com a licença poética. Tudo foi tão bem encaixado que tivemos uma season premiere sem, necessariamente, ter a cara de uma season premiere. Então, como não continuar encantado com esta delícia? Vou começar a review falando um pouco sobre a peste negra e suas reais consequências na Europa da Idade Média.

No século XIV a Europa presenciou o auge dos surtos da peste bubônica, uma doença causada pela bactéria Yersinia pestis, transmitida por pulgas, principalmente encontradas nos ratos pretos, que viviam nas cidades. A peste negra teve sua origem na Ásia, em algum lugar próximo as fronteiras da China, e se espalhou pela Ásia Central, e possivelmente para a Índia e o Sudeste Asiático. Através dos animais, principalmente de ratos e de seres humanos infectados, a peste negra chegou a Europa e se alastrou. Devemos ter em mente que os hábitos higiênicos pessoais e públicos eram bem precários, e isso facilitou a proliferação da doença nas cidades e posteriormente nos campos.

A peste bubônica caracterizava-se pelo aparecimento de gânglios muitos inchados nas virilhas, no pescoço e nas axilas, associadas a febre elevada que ocasiona confusão mental ou delírio, calafrios, dores difusas e vômitos. Sem tratamento a doença levava a morte em poucos dias, muitas vezes em poucas horas. Pelo fato de nesta época não se conhecer os antibióticos, a doença vitimou dezenas de milhões de vidas por toda a Europa, chegando ao ponto de alguns estudos indicarem que pelo menos um terço da população europeia tenha perecido. Nos séculos XVI e XVII, em alguns países – incluindo a França – as pessoas passaram a sair de casa quando fosse preciso, portando armas de fogo ou armas brancas, para que se encontrassem algum enfermo o mantivessem longe ou o matassem.

A peste negra e todo o terror que engloba a sua ocorrência também é introduzida na série como mais uma forma de evento sobrenatural, pois quase todos que expressavam a fé em Cristo e em Deus passaram a interpretar a peste como sendo um acontecimento divino, em que os atos maléficos de Satã e seus demônios espalhavam a calamidade pelos homens, trazendo dor, sofrimento e morte. Em alguns relatos, algumas pessoas sugerem que a peste era causada por uma nuvem escura que saía das profundezas da terra, possivelmente do próprio Inferno, e infectava a todos em seu caminho. Outros diziam que a peste era como um incêndio que se alastrava pela terra e pelo céu, que demônios eram vistos conduzido às chamas. Que tal calamidade era trazida pela própria morte. Um prato cheio para o nosso adorável roteiro.

No século XVI tivemos ocorrência de dois surtos da peste negra na França, sendo um deles exatamente na época em destaque na série. Também a suposta imunidade de Nostradamus em relação a doença é um fato verídico, já que ele enfrentou dois surtos – um em que perdeu toda a sua família – como médico e escapou completamente ileso. Não existem muitos relatos oficiais sobre a reação da corte francesa durante o surto, mas baseado em outros momentos históricos, nossas roteiristas usaram de extrema coerência ao trancar todos no castelo e principalmente nossas adoradas rainhas. “The Plague” foi, indiscutivelmente, um episódio para nos mostrar o quanto Mary Stuart e Catherine de Médici eram na verdade muito parecidas, mesmo que suas atitudes em alguns momentos tenham sido completamente diferentes.

Mas antes de falar sobre nossas abelhas rainhas, vamos falar de Bash, Kenna, Pascal, Greer, Leith e Yvette.  Sobre Bash e Kenna, o seu relacionamento está se afirmando a cada episódio e seus sentimentos tomam forma – impossível não torcer pelo casal. Toda a passagem sobre a morte de Pascal foi muito comovente, demonstrando como Kenna também se modificou muito deste o inicio da série. Fica apenas uma pergunta no ar – o que foi a aparição daquela menininha para Bash? Quanto de sobrenatural ainda teremos na série? Já a história entre Greer e Leith ficou ainda mais confusa – o que deve acontecer agora?  Qual será a reação de Lorde Castleroy quando souber que a filha morreu? Muito ainda deve rolar embaixo desta ponte!

E o que falar sobre nosso Reizinho, Lola e seu filhinho bastardo? Não se tem ocorrência histórica que Francis tenha tido qualquer filho, muito menos um bastardo, mas é preciso admitir que esta ideia é mais uma daquelas para movimentar a série da forma mais positiva possível. Obviamente, Lola não iria embora, mas a cena de Francis com o bebê foi bem interessante e mostrou mais uma vez que nosso Reizinho tem um lado muito puro e sincero em seus sentimentos. É claro que como Rei, dentro da realidade da monarquia, pouco disso poderá usar, assim como nossas abelhas rainhas demonstram episódio após episódio. Diante de tudo isso, o futuro de Lola se torna completamente incerto.

E sobre nossas abelhas rainhas, o que falar daquela imagem delas lado a lado destilando veneno e poder? Definitivamente, Reign fala sobre a busca incansável pelo poder e nada descreve melhor este fato do que a disputa velada entre Catherine e Mary. A história do homem dos grãos mostra exatamente como funcionava a Monarquia, aliás, se pararmos para pensar é o exemplo de como funciona a política – uma troca inescrupulosa de favores. Em um primeiro momento quase acreditamos que Mary poderia mesmo ser diferente de Catherine, mas que diferença existe entre as vidas daquela família e a vida de Eduard? Nossa “mega-evil-queen” não iria medir esforços para proteger a distribuição dos grãos, mas Mary não mediu nenhum esforço quando se tratou de vingança. Existe alguma diferença nas atitudes de ambas? O poder sem limites e sem escrúpulos não foi utilizado da mesma forma?

Nossas roteiristas continuam surpreendendo ao construir de forma tão veemente a personalidade do mito que todos nós já conhecemos. Mary Stuart foi uma rainha implacável, sem meio termo e sem nenhuma piedade diante do que achava certo fazer – em “The Plague” os traços desta personalidade impetuosa vieram à tona e podemos esperar ainda muito mais emoções daqui para frente. Mary ainda vai medir muito as forças com Catherine e Francis e quem agradece por tudo isso, somos nós, os fãs.

Reign retornou com um excelente episódio para reafirmar o porquê amamos tanto esta série – seu roteiro, sua produção e seu elenco! E vou continuar repetindo – vida longa à Rainha da Escócia!

PS. A trilha sonora continua incrível…

PS. Será possível melhorar ainda mais os figurinos? Pois é, conseguiram…

PS. Nostradamus ajudando Mary a dar uma “paratiquieto” em Catherine – não tem preço!

PS. Efeitos especiais sambando na nossa cara…

PS. Clarissa, cadê você??????

Mary para Catherine diante de Nostradamus:

Mary: Ordeno-lhe, como sua rainha, mostre a sua gratidão e conceda-me o teu silêncio.

Catherine: Obrigada, Nostradamus.

Catherine para Mary diante de Nostradamus:

Catherine: Está certa. Por você, Francis deve sobreviver. Se até um sussurro dessas notícias escapar, os olhos sairão de você para o próximo rei depois de Francis, para mim, como regente, já que Charles é criança.

Mary: Você acaba de saber que seu filho mais velho pode estar morto e seu primeiro instinto é tomar o poder?

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