Muito mais que uma revelação, Reign é uma afirmação!

A série de época da CW sambou na cara de todos, sem exceção – e que sambada! Foram 22 episódios sem deslizes, sem embromação, sem histórias mal contadas, sem furos ou teorias absurdas. Reign tinha tudo para o ser o fracasso da temporada, mas foi muito mais que uma revelação, foi uma afirmação em como fazer uma produção com excelência em qualidade.

O talento de Laurie McCarthy e Stephanie SenGupta transformaram a inserção da licença poética dentro da realidade dos fatos em algo muito natural, criativo e funcional. Nenhuma história passou despercebida, pois todas tinham uma ligação entre si – isso é o que chamamos de um roteiro “fechadinho”, tendo como ideia principal inserir aos fatos reais conspirações e histórias capazes de deixar a trama muito mais envolvente, o que funcionou maravilhosamente bem.

Então diante desta realidade da série, devo começar falando sobre a licença poética mais funcional de todas – a loucura do Reizinho Henri. A trama teve muitas inserções interessantes, mas nenhuma delas conseguiu elevar a história a tão alto nível como os atos descabidos e intragáveis de nosso reizinho da França. Nesta season finale em particular, suas atrocidades foram monstruosas, pois assassinar a sangue frio um inocente na frente de todos e mandar pelos ares outros tantos apenas por um “capricho” pode ser considerado o pior do pior. Mas então ele pagou com a morte – alguém certamente diria. Pois é, mas novamente nossas brilhantes roteiristas encaixaram os fatos um no outro e nosso Rei morreu como conta a veracidade da história – através de um golpe mal dado em uma disputa de lanças. Mas é claro que em Reign isto não poderia ser um acaso, então Francis toma o lugar do assassino – ideia brilhante, aliás, já que ele estava defendendo a própria pele. Mas será que não foi também sua sede de poder falando mais alto?

Reign teve 22 episódios para nos mostrar o quanto tudo gira apenas em torno disso, a busca incansável pelo poder. É exatamente por isso que não podemos – em hipótese nenhuma – passar a mão na cabeça de Francis e acreditar que todas as suas atitudes altruístas podem redimi-lo de assassinar o próprio pai para assumir o trono da França. O novo Rei até pode não ser tão ambicioso como Mary e sua mãe e não ter nenhuma chance real contra elas, mas é, indiscutivelmente, “farinha do mesmo saco”.  Aliás, Mary e Catherine agora estão formando uma “duplinha do barulho”, mas logo, logo falamos sobre isso.

Na minha última review perguntei se Leith e Greer poderiam finalmente ficar juntos, mas definitivamente a moça não merece alguém tão fofo como ele. Aliás, não mereceria também Castleroy – o maior de todos os fofos. Sabemos de toda a problemática de sua família, mas nada justifica suas atitudes egoístas com Leith – coitadinho. Mas depois do “chute” vai ser bem divertido se ele realmente se envolver com a filha de Castleroy – já pensaram na confusão que isso vai causar? Esperando ansiosa a próxima temporada.

E Bash? Demorou, mas encontrou a tal “escuridão” – e ainda bem que chegou a tempo de evitar uma tragédia. Mas será mesmo? Mais uma vez o roteiro une a veracidade dos fatos com a uma licença poética inteligentíssima – pois sem os sacrifícios pagãos a “praga” tomará conta de tudo e de todos. Na verdade, estamos falando da “Peste Negra”, uma doença que dizimou a Europa no Século XVI. Mas nesta época, quase todos acreditavam no misticismo e na bruxaria, e é por este motivo que a “praga” também foi muitas vezes associada a isso – mais uma ótima sacada de nossas roteiristas. A passagem toda foi muito tensa e com bastante derramamento de sangue, levantando até mesmo uma dúvida se Kenna sobreviveria ou não. Mas no final deu tudo certo, apesar da certeza que Bash se sentirá culpado por acreditar ter trazido a “praga” para a França – portanto ainda tem muita água para rolar embaixo desta ponte. E Pascal, o que será feito dele? E vou continuar afirmando, muitos fãs queriam Mary com Bash, mas sua química com Kenna surpreendeu em todos os sentidos, se tornando impossível não torcer pelo casal. Mas como nada em Reign é só “flores”, podemos esperar muitas reviravoltas na próxima temporada. Façam suas apostas.

E então voltando a falar sobre nossa “duplinha do barulho”, essa relação entre tapas e beijos está cada vez mais intensa. A história conta que depois da morte de Francis, Mary Stuart foi “corrida” da Corte Francesa por Catherine de Médici. Em Reign, este fato já está sendo preparado episódio após episódio. Mary e nossa mega-evil-queen tem mantido uma relação pra lá de complexa, pois ambas andam o tempo todo na corda bamba esperando para enforcar a inimiga que por vezes se torna uma aliada. Na verdade, Mary e Catherine são muito parecidas, pois entendem que a magnitude de ser uma “rainha” é, ao mesmo tempo, grandiosa e perigosa – apesar, que, apenas Catherine compreende inteiramente que para governar um país mantendo os próprios interesses sempre em primeiro lugar é preciso abdicar das emoções. Mary Stuart – como já sabemos – apesar do sangue frio demonstrado nos últimos episódios, não conseguiu impedir que suas tórridas paixões ao longo da vida a levassem a própria morte.

Mas nesse momento a série nos mostra uma Mary Stuart completamente absorta em sua busca incansável pelo poder, e percebam que esta mudança se estabeleceu a partir do dia em que ela teve os súditos escoceses aos seus pés. Foi ali, naquele instante, que Mary se deu conta que era uma Rainha – apesar de ter crescido ouvindo isso. Foi ali, naquele instante, que ela teve a certeza do poder que exercia sobre as pessoas, o que se confirmou quando usou o brasão da Inglaterra. Seu “tiozinho-mais-ambicioso-de-todos” foi o responsável pela ideia sensacional – Mary não deveria apenas ser Rainha da Escócia e da Inglaterra, mas precisava sim dar um chute na bunda de Francis e reinar soberana também a França. A história não conta tão abertamente sobre as intenções de Mary em relação a França depois da morte de Francis, mas pelo forma implacável que Catherine a “chutou” de volta para a Escócia, podemos imaginar que Mary Stuart deva ter manifestado algum interesse em governar sozinha e deixar nossa mega-evil-queen de lado.

Nestes 22 episódios, a série vem nos mostrando gradativamente a evolução de Mary Stuart de menina para mulher – de completa inocente para uma perigosa rainha. O roteiro vem construindo tijolo por tijolo esta personalidade dúbia e implacável de Mary, nos deixando cada vez mais absortos em suas atitudes, sejam elas quais forem. Preciso fazer um elogio rasgado para a Adelaide Kane que exatamente como o seu personagem, vem crescendo assustadoramente com uma talentosíssima interpretação – mas, obviamente, Megan Follow não fica nem um pouquinho atrás.

E para finalizar esta excelente season finale temos Lola completando o seu calvário perdida em um lugar atormentado pela praga, com contrações intermináveis e sem uma parteira por perto – coitadinha da menina. Pois é essa situação insustentável que nos mostra o quanto Mary está se transformando no mito que conhecemos. Sua atitude em relação a sua amiga e ao seu marido foi implacável e imperdoável também, pois ao fechar os portões do castelo, decretou uma guerra pelo trono da França. E o que virá a seguir? Será que Lola se salvará? Será que Francis e Mary irão lutar fervorosamente? E qual será a nova conspiração de nossa mega-evil-queen? Muitas e muitas perguntas que persistem em nossa mente, nos provando a excelente qualidade de Reign – pois série boa é aquela que nos deixa com gostinho de quero mais e mais e mais…

Para aqueles que ainda não assistiram esta série, eu mais que recomendo, pois Reign além de ser uma aula da história fascinante da Europa do Século XVI, é também uma aula de como intercalar produção, roteiro, elenco e criatividade para obter um resultado de excelência. Para todos que curtiram esta delícia junto comigo, fica o gostinho agridoce de quero mais e já uma grande saudade da série. Depois de tantas incertezas é uma grande alegria poder afirmar que Reign terá uma segunda temporada e se tudo continuar exatamente como está, vou eternamente repetir – vida longa à Rainha da Escócia!

PS. Impossível não se render a trilha sonora destes 22 episódios…

PS. Aula de figurinos? É só assistir Reign.

PS. A única ressalva que faço é que nossas roteiristas resolveram ignorar a previsão verdadeira de Nostradamus para a morte do Reizinho Henri… teria sido legal se tivessem introduzido isso na série.

PS. Foi muito emocionante aquele abraço de Francis em Bash – acontecimentos bem relevantes devem estar guardados a sete chaves para os irmãos.

PS. Será que com a praga à solta, Clarissa volta?

Nota da Reviewer: Primeiramente quero pedir desculpas pela demora desta review. E em segundo, quero do fundo do coração agradecer a todos que acompanharam estas reviews no SM. Foi uma experiência maravilhosa compartilhar estes textos de Reign com vocês!! Que venha a segunda temporada!

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