Para uma série sobre um assassino de aluguel, Quarry tem feito o seu melhor para passar o mais longe possível da violência obrigatória e o caos indesejado que esperamos que acompanhem a profissão. E tem o feito de maneira engenhosa, mas com apenas dois episódios faltando, Graham Gordy e Michael D. Fuller perceberam que estava na hora de mudar as coisas e, num rompante, unem todas as storylines apresentadas até agora num único clímax, cujas reverberações só vamos descobrir semana que vem. Mas que foi gostoso ver a coisa subindo até o topo só pra depois cair, isso foi.

Ao mesmo tempo, acho que isso é uma declaração oficial para a audiência: Quarry não é a história que deveríamos esperar. Quando anunciada, nós seguimos a lógica da premissa e assumimos que veríamos uma coisa, só para descobrirmos que, bem, as relações interpessoais e os conflitos domésticos de Mac acabariam tomando mais tempo da temporada do que o seu trabalho como assassino. Para muita gente tenho certeza de que a estrutura é mais decepcionante do que inesperada, mas acho que ajudou Quarry a se distanciar um pouco da familiaridade com as tantas outras histórias sobre o Vietnam.

Quarry --- Carnival of Souls
Quarry — Carnival of Souls

E Carnival of Souls corrobora isso mais do que qualquer episódio. Nós  começamos com brigas sobre colchões e fantasias de halloween e somos conduzidos até o encontro entre o detetive Tommy (cuja existência eu continuo detestando) e Mac, que estava prestes a executar um contrato que vem sendo explorado há alguns episódios. Além disso, descobrimos onde foi parar o dinheiro que Arthur recebeu do Corretor, temos Buddy finalmente tentando sair da sua linha de trabalho e Ruth aceitando jantar com Felix (?). No geral, tudo que tem sido construído (cuidadosamente, vamos adicionar) ao longo da temporada finalmente compensam pelo seu tempo de tela. A viagem teve os seus buracos na estrada, mas o clímax realmente parece mais concreto por causa dela.

Algo que me deixou bastante preocupado no episódio foi o comportamento de Buddy. As drogas, o álcool e a sugestão de uma depressão não indicam coisas boas para o personagem e seria uma pena ver o Buddy se perdendo tão cedo. Sei que se entrarmos na pele do personagem os anos matando por dinheiro já o deveriam ter esgotado há muito, mas nós estivemos tão pouco tempo com ele que fica estranho ver alguém para quem tínhamos tantas expectativas caindo nesse buraco logo na temporada introdutória. Aproveitando que já estamos falando dele, a minha teoria é de que ele vai salvar o Mac e matar o Tommy no próximo episódio. O parceiro do Tommy deve suspeitar do desaparecimento dele e ir atrás do Mac pessoalmente. Ou algo do tipo. Espero estar errado, já que tudo envolvendo Tommy foi um saco justamente por ser tão óbvio.

Quarry --- Carnival of Souls
Quarry — Carnival of Souls

Não entendi, mas quero entender qual é a do Corretor e a das drogas. No episódio em que Mac e ele vão à plantação, tivemos aquela reunião misteriosa com os asiáticos e agora ele está eliminando matematicamente os distribuidores da região. Será que o Mac vai se ver no meio de um império das drogas? Pelo que conhecemos do Corretor até aqui, não me parece muito dentro do perfil do personagem se interessar por esse tipo de coisa e o próprio Buddy reafirmou isso. Será que é parte da sua jornada de justiça eliminar os traficantes do mapa também?

É difícil levantar qualquer pergunta, porque tantas das que tínhamos já estão respondidas. Semana que vem as que faltam devem levar resposta também e com certeza Quarry vai se lambuzar em ganchos para a próxima temporada. Se estávamos sendo guiados esse tempo todo para um único encontro entre todas as storylines, acho difícil que o season finale não seja frenético.

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Pra finalizar, uma possibilidade bacana: e se o cara que o Mac mata lá no início do piloto for o Tommy e o momento marcar a sua verdadeira queda?

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