Progênie

  1. Ascendência; origem.
  2. Linhagem; prole.

No episódio em que a descendência esteve em voga, Prison Break também olhou para o seu passado e nos apresentou o que tem de melhor. Progeny despertou sensações e expectativas muito próximas daquelas que a série criava em suas origens, elevando e muito a ansiedade para seu desfecho final na próxima semana.

O episódio que começa com Michael, Lincoln, Sucre e Whip a deriva no Mediterrâneo, acertou ao solucionar a fuga para os EUA com rapidez colocando Michael finalmente onde queríamos vê-lo: NY em um embate com Poseidon em busca de reconquistar seu passado. A forma como o roteiro conectou diversas referências que poderiam passar despercebidas – a dívida de Lincoln citada rapidamente no 1º episódio; o fato de Michael e Sara não chamarem Mike de Jr  –  foi muito eficiente e satisfatória, evidenciando que há uma mente desenvolvendo a trama (ou ao menos seu eixo central) detalhadamente ainda que muitas vezes tenha parecido justamente o contrário. A sensação é que Paul Scheuring tinha bastante consciência da história que pretendia contar sobre Michael ter sido chantageado por um homem tão inteligente como ele e como o enfrentaria para recuperar sua identidade e sua vida, mas as tramas paralelas ou o desenrolar não foram tão bem trabalhados e consequentemente executados. Por isso tivemos episódios tão mornos e raros momentos bons.

A minha sensação é que os produtores de Prison Break almejavam um destino final muito claro e bem concebido em suas ideias, mas não se preocuparam tanto com a maneira a qual chegariam até ali o que gera, inevitavelmente, momentos em que o roteiro soa forçado ou com soluções mirabolantes. Afinal o que importa é onde chegar e não como. Alguns objetivos eram muito claros: Lincoln e Sara descobrirem que Michael está vivo; Michael fugir de Ogygia e do Iêmen; O confronto final de Michael x Poseidon. As tramas coadjuvantes (e os personagens secundários) foram apenas escadas muitas vezes mal aproveitadas ou construídas, seja na trama de Ja ou no beijo de Lincoln e Sheba, etc…

De qualquer forma, percorremos ao longo de seis episódios toda a jornada que tinha por objetivo chegar aos acontecimentos desse 8º episódio e o que tivemos, então, foi um penúltimo episódio extremamente satisfatório, recheado de ação e tensão.

A fuga de Marselha foi um daqueles planos Scofield que a gente respeita. Primeiro, a sacada perspicaz de que não era com Sara que ele estava falando no celular. Na hora que Michael fez aquele olhar de quem duvida do que está diante de seus olhos, eu também entendi a imperfeição daquilo tudo. Foi justamente no episódio passado que Michael e Sara tiveram o diálogo em que ela diz que não chama o filho de Junior, tal como ele pediu. O ‘Mike Jr’ saltou aos olhos. Podemos questionar que depois de anos vivendo juntos Jacob poderia saber disso, mas esse detalhe não invalida ou prejudica a trama.

E então, o restante da concepção do plano de fuga para os EUA também foi envolvente e empolgante, desde o uso dos interesses do traficante a quem Lincoln deve até as artimanhas pensadas para se manter sempre um passo à frente do especialista na Teoria dos Jogos. Nesse contexto, Sucre voar com o celular rastreado de Michael funcionou muito bem. Como dito anteriormente, essa fuga tem a assinatura Scofield de uma forma bastante positiva.

Ver Michael como um MacGyver faz parte da mitologia da série, é verdade, mas vê-lo tendo sacadas ‘apenas’ razoáveis e não necessariamente certas é excelente para o show. Humaniza o personagem e permite que se crie no público um senso de perigo. É ótimo construir a imagem que Michael não é sempre invencível e insuperável. Diferentemente da burrice de Sara que acreditou em Jacob anteriormente e nos deixou extremamente irritados, esses ‘erros’ de Michael são absolutamente admissíveis.

Nesse episódio tivemos dois desses momentos. Primeiro quando os irmãos armam para que Luca Abruzzi e sua gangue fujam com medo da DEA. Não foi o melhor plano, mas foi verossímil dentro do possível… E justamente por não ser a melhor ideia que Michael já teve, gerou gravíssimas consequências. Se a perseguição a Poseidon já parecia difícil para Michael e Lincoln, fazê-la enquanto são perseguidos por outra gangue eleva ainda mais o perigo e deixa os acontecimentos mais imprevisíveis. Se esperávamos ver Jacob confrontando um Lincoln à espreita em sua casa, a realização que era Luca Abruzzi foi surpreendente. Bem como os tiros a queima roupa que Lincoln levou.

Outro desses momentos diz respeito ao desenho que Michael achou e deduziu erroneamente que era uma pista deixada por seu filho. A forma como o talento do menino nos foi apresentado também deixou margem para que deduzíssemos tal como Michael (ponto para o roteiro!). Sara poderia muito bem ter estimulado o filho a deixar um mapa codificado para o pai, dentro do universo de Prison Break essa seria uma saída bastante possível. Mas ao contrário do trunfo de um herói, esta foi a isca que Michael mordeu, o momento que não conseguiu manter-se um passo a frente de Poseidon. E isso foi ótimo.

Um dos grandes momentos do episódio foi quando vimos a teoria ser posta em prática. Em um jogo de xadrez humano estavam Michael e Poseidon pensando em estratégias para moverem suas peças, Lincoln e A&W, na busca do equilíbrio entre a prudência, perspicácia e o xeque-mate. Além disso também pudemos ver um pouco do passado que envolveu os dois personagens, mostrando tanto a sala secreta de Jacob como a forma como Michael o persuadiu a trazer Whip para sua causa. Vamos fechar os olhos para o fato de Michael, um ex-fugitivo de Fox Rivers e teoricamente morto, estar andando livremente por um campus movimentadíssimo, ok? Vamos abrir nossos olhos apenas para a informação que tivemos, da leitura óptica a qual Jacob é submetido para destrancar sua sala. Será que os olhos que Michael tem tatuado em suas mãos estão relacionados?

Sobre pais e filhos…

Família Abruzzi 

Se tem um personagem que sinto MUITA falta, é John Abruzzi. Como o mafioso italiano foi importante na 1ª temporada e como senti sua morte já no 2º ano da série!

Ouvir a série voltar a tratar desse nome é nostálgico, mas principalmente é uma prova que se preocupam com o passado construído. O filho de Abruzzi ser o traficante o qual Lincoln trabalhou não é necessário, mas é algo que agrada a velha guarda que acompanhava Prison Break nos idos 2005 ao mesmo tempo em que não prejudica o entendimento de uma eventual nova geração. Utilizando-se dessa relação vimos que a vida de Lincoln após a morte do irmão foi difícil, separando-se de Sofia e aproveitando sua ‘amizade’ com Abruzzi para voltar a um caminho ilícito e perigoso.

Família Bagwell

Há algumas semanas havia lido sobre uma teoria que apostava em T-Bag como pai de Whip. Confesso que não dei muita importância, mas ao constatarmos essa revelação nesse episódio achei uma saída mirabolante, mas ainda assim razoável. Robert Knepper estava especialmente afiado em sua atuação e tal como Michael havia prometido antes a Whip e, na carta a T-Bag, ele lhes deu a informação que mudaria suas vidas.

Essa trama ainda permanece envolta em uma nebulosa de dúvidas. O que era aquele frasco com sangue que Michael guiou Whip para encontrar? A mão robótica que Michael deu a T-Bag é apenas a barganha para que ele tire a vida de alguém em troca? Aliás o que T-Bag pode fazer por Michael que mais ninguém faria? Há mais alguma utilidade para essa mão? Será T-Bag o responsável por tirar a vida de Poseidon? Muitas perguntas em aberto e apenas um episódio para respondê-las!

A carta de T-Bag pode ser lida em sua íntegra abaixo (Internet eu te amo!):

Família Scofield-Burrows

Se o reencontro dos Bagwell foi tenso e desagradável para ambos, o reencontro de Michael e Mike foi justamente o contrário. Uma cena bem bonita que teve o tom correto, onde os dois pareciam emocionados, mas igualmente receosos sem saber ao certo como agir, o que sentir… Não há uma alegria transbordando, o que soaria bastante artificial, mas pai e filho que se veem pessoalmente pela primeira vez em uma situação extremamente tensa. Sara não estava ali, mas apenas A&W passando-se por ela, em mais um truque bem orquestrado por Poseidon.

Quanto aos cliffhangers do episódio, acredito que é bastante óbvio que os miolos estourados na parede não são de Michael ou Mike. Resta saber quem surge para salvá-los e mata a agente da 21-Void. Sheba resolveu segui-los para ser novamente um efeito surpresa? Ou as palavras de Kellerman (“Eu já fui como você e matava por mentiras”) surtiram o efeito esperado em Van Gogh, que se mostrou bastante reticente e questionador às atitudes de seu líder?

A sintonia entre Michael e Lincoln estava apurada como sempre. Fomos surpreendidos pelos tiros a queima roupa que o irmão mais velho levou, mas também não acredito no pior. Seria tão injusto a série retornar para ‘ressuscitar’ Michael e depois matar Lincoln, não?

Em alguns dias Prison Break exibirá seu finale. Esperamos que seja um episódio tão bom quanto esse penúltimo, tão bom quanto a série merece por tudo que construiu há anos.

No promo do season finale temos uma sugestão bastante interessante do que esperar em ‘Behind the Eyes’, envolvendo as sempre úteis tatuagens de Michael…

https://www.youtube.com/watch?v=zmzJ1nPceeg

REVISÃO GERAL
Nota:
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