
Assim como é certo que a cada dia o sol nascerá, também é certo que a cada Fall Season teremos (pelo menos) uma nova série de Jerry Bruckheimer. Mas a verdade é que, nos últimos anos, o produtor não anda acertando muito em suas apostas… Esse ano ele veio com uma idéia forte. Sabendo o sucesso que séries jurídicas fazem com o público americano, Jerry teve a brilhante idéia de trazer uma série que pretende mostrar os dois lados de um caso: a acusação e a defesa.
A idéia é boa, mas será que a execução dela também foi?
Spoilers Abaixo:
Num primeiro momento, a minha resposta para essa pergunta é “Sim”. A idéia de ter uma série que mostre todos os lados de um processo foi muito bem executada nesse piloto, que me convenceu que The Whole Truth tem um grande potencial pela frente. Infelizmente, corremos o risco de não vermos esse potencial todo, uma vez que a audiência da Premiere foi baixíssima, e tende a cair.
Mas não vou sofrer por antecipação nessa review. Vou me focar unicamente em comentar o episódio. E já de cara, destaco o excelente trabalho dos protagonistas. A idéia da série, como já disse, era boa, mas para dar certo precisava de protagonistas fortes, com grande presença e, sobretudo, carismáticos, de forma a fazer o público ora torcer por um, ora por outro. E. nesse quesito, Rob Morrow e Maura Tierney fizeram um excelente trabalho.
Sobretudo, é legal ver o relacionamento dos dois que tiveram um passado junto na faculdade de Direito e que, por ironia do destino, hoje se encontram em lados opostos, sendo Kathryn uma promotora em busca da justiça acima de tudo e Jimmy um advogado mimado que não parece levar nada muito a sério, mas me convenceu quando disse que acredita que todos têm direito de serem defendidos. E não podemos deixar de lembrar, obviamente, que por trás das inúmeras provocações de um com o outro, há um sentimento escondido… Um prato cheio para os shippers de plantão.
O caso desse episódio piloto não foi nada de outro mundo… O homicídio brutal de uma estudante tendo como principal suspeito seu professor, um homem adorado por todos, com uma mulher doente, pai atencioso e acima de qualquer dúvida. Durante o processo muita coisa aconteceu. Testemunhas surgiam e outras eram descartadas, provas apareciam mais eram impugnadas, muitas outras nem mesmo eram aceitas no Tribunal… A mulher do suspeito acabou não resistindo e morreu, e até mesmo sua filha “mudou de lado”. Em suma, foi um caso onde aconteceu de um tudo, o suficiente para vender a série.
Durante grande parte do episódio, houve um equilíbrio que deixava o público em dúvida, já que cada vez que uma prova surgia, uma contra-prova também era apresentada. Mas desde o momento do “aparecimento” do Viagra, a série deixou essa neutralidade de lado… Ali já era previsível que, de fato, ele era culpado… Mas isso não me impediu de ter certa dúvida antes do veredicto.
Só não concordei muito com a cena final, onde vemos o crucifixo cair no chão e nos é revelado que, de fato, ele era culpado. Honestamente, para mim, a série seria mais interessante se nos deixasse tirar nossas próprias conclusões, sem precisar mostrar que a decisão de condená-lo foi correta. Prefiro a dúvida, nesse caso.
Portanto, o meu balanço final desse piloto é muito positivo. Sem dúvidas continuarei vendo The Whole Truth enquanto ela não for cancelada.
P.S.: Os protagonistas, como esperado, roubaram a cena desse Episódio Piloto e fizeram aquilo que era esperado deles, mas o elenco de apoio também desempenhou bem o seu papel quando necessário. Nenhum ator excepcional, mas suficientemente bons para não atrapalhar as duas estrelas do elenco.











