Quando um macaco viciado em drogas é a melhor coisa do episódio.

Nesse início de 2014, a Amazon Studios liberou cinco pilotos de suas possíveis novas séries. Como de costume, o estúdio disponibilizou-os online para sentir a recepção do público, que, ao lado da crítica, será o termômetro para que seja avaliado se vale a pena, ou não, se comprometer com uma temporada completa. Uma dessas séries é The Rebels, comédia criada por Jeremy Garelick e Jon Weinbach, que não possuem nenhum projeto destacável na indústria televisa. No entanto, experiência não é pré-requisito para qualidade, então lá fui eu assistir o piloto de peito aberto e querendo gostar da série, afinal a última Fall Season deixou um gosto amargo demais na boca.

A comédia conta a história de Julie, que, depois do falecimento do marido, se torna a dona de um time de futebol profissional chamado The LA Rebels. No entanto, a vida não tá fácil pra ninguém, então Julie tem que lidar com sua falta de experiência e conhecimento sobre basquete e como administrar o time e seus jogadores piruetados, com a hostilidade da mídia e da Liga, com seu filho cujos hormônios estão aflorados e, para tal, ela conta com a ajuda do assistente de seu falecido marido, Danny Norwood. Para piorar as coisas, ela tem que decidir entre vender o time, com o qual seu filho mantém uma ligação emocional forte.

Com uma sinopse dessas, a primeira coisa que se depreende de The Rebels é que ela pretende contar uma história de superação. Este é um tema bem comum em comédias e dramas para a televisão, no entanto não é algo que resulte em fracasso imediato, afinal, com a devida construção narrativa e visual, todos os clichês, ao invés de cansar e frustrar, podem empolgar. Esse não é o caso da comédia da Amazon, que usa, abusa, reusa, reabusa e usa mais um pouquinho todos os clichês possíveis do gênero. Temos a protagonista inexperiente, que decide se impor contra o meio hostil em que se encontra; o jovem rapaz inexperiente, que assume uma posição de grande requinte e, depois de desacreditado, ganha o respeito das pessoas; o coadjuvante exageradamente despirocado que existe unicamente para colocar em prática a maior quantidade de piadas por segundo; o executivo e a mídia vilãos; o jogador estrelinha e arrogante. E, gente, tem  CRYSTAL THE MONKEY (pra quem já viu Se Beber, Não Case 2)!!

Diante de um roteiro tão preguiçoso, o elenco não tem chance alguma de se destacar. Natalie Zea parece estar tão perdida, a esmo e confusa quanto Julie. E, particularmente, penso que parte disso tenha sido o desconforto da atriz em enfrentar seu primeiro projeto de comédia, depois de anos trabalhando com dramas, como Justified, The Following e Under The Dome. Josh Peck, o moleque lá de Drake e Josh, apesar de uma boa dinâmica com Zea, não consegue se entregar, de fato, ao papel e, consequentemente, quando Danny finalmente se impõe, soa como algo artificial, forçado. E, honestamente, ainda não consegui me recuperar da composição exagerada e descontrolada de Affion Crockett, que fez a façanha de piorar um personagem tão mal construído quanto Lamont Slice. E, diante disso, o destaque absoluto do episódio fica por conta de Crystal The Monkey, que com suas fraldas minúsculas, lambe e cheira cocaína, pega uma arma e começa a atirar em todo mundo na festa. Sério, esse macaco merece um Emmy de participação especial.

The Rebels não conseguiu se desvencilhar da mandinga braba que caiu sobre a última Fall Season e representou mais uma decepção na longa lista de fracas estreias que tivemos nessa temporada 2013/2014. Mas, para o bem da série, não sou eu quem vai decidir se ela vale uma temporada completa, mas sim o público estadunidense. E este parece ter gostado muito do piloto, porque, no momento, está cotado em 4,5 das 5 estrelas possíveis.

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