Nesta última segunda-feira fomos convidados a entrar profundamente no ponto mais obscuro da mente de um psicopata. O problema é que, uma vez lá dentro, não há garantias de que sairemos ilesos de lá…

Mocinhos, vilões e uma boa trama com doses perfeitas de ação e suspense…

Essa foi a proposta de Joe Carrol para Ryan Hardy… Essa é a proposta de The Following para nós.

Spoilers Abaixo:

The Following é a mais nova aposta da Fox para lançar um hit entre séries dramáticas desde o fim de 24 e House. Criada e produzida por Kevin Williamson (The Vampire Diaries, quadrilogia Pânico), a série é protagonizada por Kevin Bacon (Footloose, O Homem Sem Sombra, Sobre Meninos e Lobos) e conta, ainda, com outros grandes nomes no elenco como James Purefoy (Rome), Natalie Zea (Dirty Sexy Money), Shawn Ashmore (trilogia X-Men) e Maggie Grace (Lost). Este piloto teve – brilhante – direção de Marcos Siega (True Blood, Dexter), colaborador habitual de Williamson, que deve dirigir tantos outros episódios durante a temporada.

Aliás, a análise técnica de The Following é o ponto de partida ideal para falar da série, uma vez que foi a partir dela que começou a gerar toda uma expectativa do público, transformando essa em uma das estreias mais aguardadas da TV Americana da Temporada 2012/2013. E neste quesito, nada a questionar. Venho observando o trabalho de Siega como diretor há algum tempo e, após bons trabalhos em True Blood e Dexter, começou a trabalhar com certa frequência em The Vampire Diaries, sendo um dos grandes responsáveis pela boa qualidade da série, o que atraiu mais público, mesmo com o preconceito com a temática adolescente da série.

E The Vampire Diaries é uma parada obrigatória dessa review, uma vez que ela foi a grande propulsora de Kevin Williamson. Não que ele não tinha crédito antes da série vampiresca da CW, mas sua carreira era curiosa até The Vampire Diaries. Tinha uma carreira genial em filmes de suspense que foram grande sucesso (quem cresceu nos anos 90 certamente tinha como referências de suspense Pânico e Eu Sei o Que Vocês Fizeram no Verão Passado), mas, na TV, sua única experiência bem sucedida havia sido com Dawson’s Creek, que era muito “mamão com açúcar” para um cara que já tinha mostrado habilidade com o suspense e ação.

Eis que, em uma primeira tentativa de “voltar às raízes”, a boa Hidden Palms acabou não sendo tão bem aceita pelo público e foi cancelada precocemente. Então veio The Vampire Diaries e Kevin uniu o sucesso que demonstrou ter perante o público adolescente com o talento para fazer dramas com muito suspense e ação. TVD surpreendeu muito pela boa qualidade do texto e o equilíbrio perfeito entre seus elementos narrativos.

Tudo isso trouxe Kevin Williamsom até este momento: a estreia de The Following. Tendo recebido a confiança da Fox – canal com muito mais destaque do que a modesta CW – o showrunner tem a chance de mostrar que realmente é um dos melhores em sua posição atualmente na TV. É o cara certo, com a trama certa, no momento certo e no canal certo, e tem tudo para lançar o tão sonhado hit da Fox… Mas mantenhamos calma quanto a isso, mesmo com a boa estreia de 10.4 milhões e 3.1 na demo, temos que ter em mente que o público americano é imprevisível (o da TV aberta então, nem se fale) e as noites de segunda-feira são bem concorridas. Só o tempo pode prever o sucesso ou o fracasso de The Following.

Elementos para ser um sucesso ela têm. Esse episódio piloto foi excelente e soube mesclar com maestria o suspense e a ação, além de introduzir satisfatoriamente os principais personagens e o básico para atiçar o interesse do público. Tecnicamente, para mim, foi um episódio impecável. Direção madura, ágil e inteligente, que soube extrair o máximo do competente elenco mesmo diante de uma situação complexa (afinal, mal conhecíamos os personagens e já estávamos no meio de uma perseguição alucinada a um dos maiores psicopatas dos EUA). Até mesmo a trilha sonora foi perfeita e totalmente adequada. Confesso já abri um largo sorriso de alegria só de ouvir a bizarra (e, porque não, genial) Sweet Dreams de Marylin Mason .

Mas, honestamente, fazer um piloto tecnicamente bom é o mínimo que uma produção deve fazer hoje em dia, ainda mais quando se trata de uma aposta. O importante para The Following era mostrar seu diferencial. E conseguiu. Este atende pelo nome de Kevin Bacon, ou melhor, Ryan Hardy.

Assim como comecei meu texto citando 24 e House, últimos grandes sucessos dramáticos do canal, é curioso ver a Fox apostar mais uma vez suas fichas em uma série que se concentra em um protagonista de peso. Não estou dizendo que a trama não seria boa o suficiente para ser um sucesso sem Kevin Bacon, mas certamente, com sua presença, ela pode se tornar algo realmente grandioso. E assim espera a Fox.

E esse casamento Fox-Kevin Bacon tem tudo para dar certo, se o ator (que já tem fama de problemático) não der seus chiliques. Isso porque, pelo que deu pra perceber nesse piloto, o excelente texto de Kevin Williamson foca toda a força gravitacional em torno do ator, que aceitou bem essa responsabilidade e foi certamente o grande destaque dessa Premiere.

O que se deve ter em mente é que a trama central de The Following é bem complexa e inteligentemente trabalhada. A mente de um psicopata é um dos maiores desafios de psiquiatras e especialistas que criam teses gigantescas para explica-las, mas, longe de trazer respostas, as histórias reais de Jeff Dahmer, Ted Bundy ou Joh Wayne Gacy, por exemplo, só nos trazem mais perplexidade, quando novos estudos revelam novidades quanto à forma de pensar desses psicopatas.

E Williamson parece ter entendido isso, trazendo uma profundidade impressionante à Joe Carrol que, longe de um mero serial killer, apresentou tantas facetas de uma personalidade inquieta e excêntrica em apenas um episódio que me impressionou. Afinal, tínhamos um professor universitário, charmoso, inteligentíssimo, casado, obcecado pela obra de Edgar Allan Poe que, tomado pela poesia e o tom macabro das obras de seu ídolo sonha em criar um romance perfeito. Uma história com uma profundidade que impressionaria seu grande mentor. Sórdido. Macabro. Calculista. Esta é a personalidade de Joe Carrol.

Ainda assim, mesmo com essa presença impressionante em cena, é exatamente essa grandiosidade do personagem que fará Kevin Bacon brilhar. Primeiro porque, sendo a figura do detetive que busca acabar com esse mal, ele se aproxima do público. E em segundo lugar, as vidas de Hary e Carrol estão tão intrinsecamente ligadas que existe a possiblidade de nosso herói se mostrar ainda mais complexo e inteligente que o vilão. Estes postos, diga-se de passagem, foi o próprio Carrol que determinou, em seu interrogatório final…

Se a mente doentia de Carrol é o que dá o tom de The Following, apenas uma pessoa chegou tão perto de compreendê-la a ponto de se afetar por isso. Chegar tão perto da maldade pura muda qualquer um e tenho certeza que Hardy tem uma mente tão destruída quanto à de Carrol. A consequência da proximidade dos dois, com certeza, é muito maior do que um marca-passo. Ainda mais com elementos, como o relacionamento de Ryan Claire… Elementos claramente novelescos incluídos por Williamson…

Mas por que não? A novela é a representação clássica do que a dramaturgia é capaz de fazer. E é exatamente esse o mote de The Following. Mais do que um psicopata, Carrol que se tornar um mito… Quer ser maior. Quer marcar sua passagem por este mundo da maneira mais novelesca que conseguir, com uma rede de seguidores e passos cuidadosamente planejados… Uma trama inteligente, complexa e bem desenvolvida, que tem como protagonista exatamente o próprio Carrol, ao lado de Hardy, numa macabra história de almas gêmeas…

Carrol e Hardy são dois lados da mesma moeda. São as figuras perfeitas pra protagonizar essa sombria história… São as grandes apostas de sucesso de The Following.

Enfim, The Following era uma aposta até o último dia 21. Desde então, com uma estreia sóbria, mostrou-se uma produção confiante de que pode ser um grande sucesso. E espero que seja.

Artigo anteriorHow I Met Your Mother – 8×14: Ring Up!
Próximo artigoAudiência USA – 22/01/13: Terça