Dormindo com o inimigo.
O novo drama da ABC tem uma premissa básica, já vista por diversos produtos da televisão e do cinema. O homem e a mulher, que vivem juntos, levam uma vida paralela, onde um é o alvo do outro. Claro, isso com muitas reviravoltas – típicas e esperadas numa série de suspense e investigação – e cenas tórridas de paixão, e pessoas bonitas, elegantes e bem vestidas podem ser uma boa pedida para o horário que agora está órfão de Annalise Keating e sua trupe nas noites de quinta-feira.
O episódio foi rápido e isso não quer dizer que tenha sido bom ou que tenha atingido sua função de nos prender sem fôlego por saber o que vem depois. E achei meio psicodélica demais – talvez até desnecessária – aquela troca de cenas com imagens duplicadas. Seria uma ideia de mostrar que as pessoas podem ser ambíguas e ter dois lados? Talvez, mas acho que minha cabeça e a labirintite de alguns menosprezam essa metáfora. Gostei da tela cortada em frames que se entrelaçam e faz o telespectador conhecer a cena em diversos pontos de vista, mas as imagens duplicadas de prédios, ruas e carros não me agradaram. Mas, estética a parte, vamos falar do que interessa: o roteiro! O roteiro também foi rápido demais, e não nos deu tempo a nenhuma reviravolta surpreendente.
Alice é a investigadora que demonstra ser rápida e certeira no seu serviço, e usar todas as suas armas a seu favor, inclusive sua sedução. A abertura do episódio nos mostrou a obra de arte – que foi referência durante todo o episódio – e também como funciona o seu serviço, tendo a seu faro de detetive particular bem programado em qualquer ocasião. Mas, é neste momento, e sob esse aspecto, que a sua relação com o tal Christopher Hall nos parece um pouco afobada e mal desenvolvida.
Ela nunca percebera isso antes? Uma mulher tão programada, fria e decidida sobre os seus passos e atitudes. Foi mesmo o amor ou a intensidade de sua entrega que a cegou completamente, sem perceber nada daquilo que ela logo identifica com os colegas sobre que o inimigo dormia ao seu lado? E a roubava? E a enganava como Tom e Jerry? Coiote e papa-léguas? Sr e Sra. Smith?
Achei que a reviravolta – claramente esperada que Mr. X era seu marido, que nem o nome verdadeiro ainda nós sabemos – foi precoce demais. Nem o verdadeiro sentimento, ou o teatro que ele fazia sobre gostar da ruiva foi mostrado para nos surpreender e torcermos pela vingança prometida pelo final. Será que essa vingança final conseguirá sustentar uma temporada inteira, ou teremos episódios com “casos da semana” da empresa da protagonista? Já vou com um pé atrás porque não gosto muito de séries que tem essa segunda escolha como muleta para a vida longeva.
Jules Dao, o agente do FBI, parece ser o personagem mais intrigante e cheio de mistério do piloto, logo de cara. Ainda não sabemos para quem ele trabalha e se ele tem algum lado nessa disputa, que não parece ser provida de maniqueísmos para se firmar ao longo da história. Outra personagem que pareceu dúbia até demais para um roteiro de um suspense foi a advogada hacker que parece que quiseram forçar uma sombra misteriosa, nela. Ressalvas a parte, é melhor ficarmos de olho sobre o que ela tem a nos propor. E, verdade seja dita, a protagonista e sua amiga mostraram boa química e boa vontade para render bons momentos.
Achei que o piloto ficou devendo uma reviravolta menos crível de pronto aos nossos olhos. Acho que precisávamos de um final mais surpreendente do que apenas uma promessa de vingança, apesar de já ter mostrado as duas equipes, uma passando a perna na outra, foi realmente bacana e interessante para mostrar que ambas não terão pudor ou vontade de seguir a ética em suas manobras administrativas.
Conhecemos uma Alice que foi enganada. E que sua função é não ser enganada, portanto a sua vingança promete ser uma caçada daquelas. O piloto foi de promessas, vamos ver se as teremos cumpridas. Eu espero que sim, e volto semana que vem. Quem vem?
Observação final (e um tanto inútil): qualquer arte que envolva labirintos me conquista. 😉
















