Oh Izzie Stevens, que saudade que eu estava de você.

Como a grande maioria dos fãs de Grey’s Anatomy, eu tenho birra com Katherine Heigl. Ela reclamou, brigou, pediu para sair da série e foi focar na sua carreira cinematográfica, decisão que gerou três dúzias de comédias românticas ruins e a ciência de que a macumba de Shonda Rhimes é potente.

Em State of Affairs, Heigl retorna com a analista da CIA Charleston Tucker (deve ter rolado uma aposta na sala dos roteiristas para ver quem bolava o nome fictício mais porco), responsável pelo “o livro”, relatório diário que a Presidente dos Estados Unidos recebe com as dez principais ameaças que seu governo terá que lidar. O relacionamento de Tucker com a Presidente é mais complicado do que pode parecer, pois ela era noiva do “primeiro filho”, assassinado em um ataque terrorista.

A premissa pode parecer interessante, mas é muito complicado levar a sério um trabalho que pode ser substituído por uma check list no Trello, email ou um Top Maníacos com as 10 ameaças mais tensas do dia. Mesmo não sendo fã do comportamento de Katherine Heigl por trás das câmeras, admito que ela possui carisma e suas habilidades como atriz são os menores dos problemas da série.

Affairs se perde no texto raso, feito para o telespectador que está assistindo enquanto troca Whatsapp com a namorada e mesmo assim entende tudo. O piloto possui furos grosseiros, como o General que entrou na CIA com um celular escondido no chapéu, como se não existisse nenhum aparelho melhor, mas prático e moderno usado por espiões internacionais ou se o raio-x da maior agência de Inteligência do planeta tivesse um bug que não funcionasse em chapéus. Sem falar que o tal General já tinha sido caguetado pelos franceses no grupo de Whastapp dos espiões (essa review é um oferecimento de Whastapp), por ter sido pego com mesmo truque do celular no chapéu.

Um ponto bacana do piloto é referente às cenas de ação. Elas são boas e lembram até mesmo algum cinematic de Call of Duty. O elenco no geral também é bom, com destaque para Alfre Woodard, no papel da Presidente americana. Ela aparece pouco, mas já transmitiu um ar de dura, competente e até mesmo manipuladora, usando o sentimento de vingança da nora para conseguir resultados positivos na caça contra terroristas.

As comparações com outras produções de espionagem e centradas no governo americano são inevitáveis. Charleston Tucker usa e abusa do sexo com estranhos para afogar suas mágoas, assim como Carrie Mathison de Homeland. O salão oval está cheio de conspirações e intrigas, assim como em Scandal. Temos trocas de mensagens na tela estilo House of Cards… Mas a grande verdade é que State of Affairs está muito atrás das complicadas camadas de Homeland, da genialidade de House of Cards e do sex appeal de Scandal.

Quem é macaco velho da TV, já espera o episódio em que será revelado que o filho da presidente não morreu e que na verdade está participando de alguma missão secreta em que precisava fingir sua morte, ou algo do tipo. Eu também já estou irritado de antemão pelos constantes flashbacks, com novas memórias da noite do ataque, que muito provavelmente irão inundar os próximos episódios.

State of Affairs é mais do mesmo e se a macumba de Shondanás arrebenta com Hollywwod, tadinha da NBC.

Pensamentos finais:

– Quer dizer que a protagonista é barrada e perseguida na CIA, consegue fugir no estilo Jason Bourne, mas logo em seguida entra no salão oval de boa? Ok.

– Pense numa jornada de trabalho mais lazarenta do que essa. Você entra às 02h00 e fica até às 20h00 pra não pegar a hora do rush em DC.

– Boa sacada o apelido dela ser PITA (pain in te ass).

– No primeiro caso da semana nossa heroína teve que escolher entre tentar matar o terrorista responsável pelo morte do seu noivo ou salvar um médico americano da decapitação,  que por coincidência parece com o falecido noivo e isso acontece bem no aniversário de um ano do assassinato. O problema dessa trama? Impossível se importar com qualquer um dos resultados.

– Semana que vem Charleston Tucker recruta Emily Thorne para auxiliar em sua vingança.

– Viram que engraçado a foto que T.R. Knight (o O’Malley de Greys) postou em seu Instagram? É só clicar aqui.

– É de partir o coração perceber que State of Affairs tem as mesmas iniciais de Sons of Anarchy.

– Preparado para o drinking game de State of Affairs? Todo vez que alguém falar “POTUS” ou “Entire Network” você toma um shot. É cirrose garantida em 45min 😉

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