A versão extraterrestre de Romeu e Julieta.

Nos tempos modernos, a rixa familiar entre Montéquios e Capuletos continua atraindo, mas precisa de uma roupagem diferente e que faça o público da The CW achar que está assistindo algo inédito e antenado com as novas gerações.  Como a audiência jovem parece incapaz de se prender por qualquer história normal nos últimos tempos – e por normal quero dizer algo que não inclua vampiros, lobos, fantasmas, ETs, super heróis e afins – porque não apostar num romance proibido entre uma garota humana e um rapaz que veio de outro planeta?

Obviamente, Star-Crossed, estreia do canal para essa Mid-Season, não tem nenhum ineditismo em sua história. É mais uma série adolescente com cenário de High School, apesar dos elementos que incluem problemas entre as espécies e a politicagem envolvida na integração entre terráqueos e atrianos.

O Piloto, que faz uma introdução justa da história, pode até ser considerado um episódio mediano, apesar de as primeiras imagens, que mostram ou deveriam mostrar um cenário de guerra, quando a nave espacial do atrianos invade a Terra, serem bastante bobas e sem expressão. Você olha aquilo e fica imaginando se uma invasão extraterrestre seria tratada com festim e explosões de biribinha, mas afinal, não dá pra exigir demais, já que o orçamento não deve ser nenhuma maravilha.

Logo somos apresentados ao pequeno Roman (sentiram a derivação de Romeu?), uma menino atriano de seis anos que foge do campo de batalha e se esconde no galpão de uma casa próxima, onde sua estrela cruzará (atenção para o título da série introduzido com sutileza aqui!) com a de Emery, uma menina da mesma idade que o recebe com cobertor quentinho e macarronada gelada, enquanto o resto da população tenta eliminar a nova raça com ferocidade.

Tanto carinho e humanidade, como o próprio Roman insiste em repetir até dar nos nossos nervos, nunca foram esquecidos e, 10 anos depois, eles se reencontram na escola, em meio à primeira experiência de integração entre atrianos e terráqueos. Porque não há meio melhor de unir duas espécies do que colocar um bando de adolescentes na mesma escola para se engalfinharem e liberarem todos os seus.

É interessante notar que toda essa ideia vem, justamente, da integração de negros em “escolas de brancos” nos Estados Unidos, há algumas décadas, algo que foi recebido com a mesma fúria e preconceito retratados em Star-Crossed. Pois é. No meio dessa salada toda parece que a série está tentando também cumprir papel social, imaginem vocês. Só não sei se isso realmente se sustentará por muito tempo, afinal, esse tipo de abordagem tende a enfraquecer rapidamente sem o tratamento correto por parte dos roteiristas. Minha impressão é de que ficaremos com as brigas entre alunos e as panelinhas sociais da escola dominando o cenário, enquanto o debate por igualdade de direitos e diferenças raciais ficará à deriva.

Claro que ainda temos o romance central para prestar atenção e, por mais que me doa dizer, o casal formado por Aimee Teegarden e Matt Lanter funciona. Não sei a causa, motivo, razão ou circunstância pela qual eu, de alguma maneira, gostei de Star-Crossed, mas acho que esses dois podem ser a chave do meu mistério pessoal. Honestamente, tenho vergonha de admitir que fiquei interessada por uma série tão fraquinha, mas afinal, eu vivo para gritar ao mundo que sou parte da #FamíliaCW, mesmo quando tudo o que eles propõem me causa ojeriza e preguiça. Devo estar maluca, mas a verdade é que verei pelo menos mais um episódio da série antes de dispensá-la totalmente ou me render à minha primeira série ruim dessa safra que afinal, oferece uma quantidade absurda de porcarias entre as quais eu poderia escolher livremente.

Sobre o reencontro do casal, vale dizer que achei meio absurdo que Roman reconhecesse Emery automaticamente, estando ela tão diferente, enquanto que ele e sua versão mini tem os mesmos inconfundíveis olhos azuis.  Provavelmente, Emery usou a desculpa de “achei que cê tava morto, gato” pra valorizar o passe e se fazer de difícil, quando na verdade ela tem o objetivo claro de dar um pegas do ETsão (com trocadilho). Só que para azedar esse amor de outro mundo, o pai de Emery tinha de matar o pai de Etsão Roman no final dessa Premiere, porque senão seria fácil. Até curar a melhor amiga doente de Emery ele curou. Não estamos lidando com conquistadores baratos aqui.

Dito isso, convenhamos que o moço escolhido para tentar roubar Emery de Etsão Roman não tem lá muitas chances. Ele é só um garoto de colégio e um extraterrestre com sangue milagroso e amante de massa gelada é algo que atrai muito mais. Além disso, imagino que, com um elenco grande de Etsãs, teremos aí muito envolvimento inter-espécies e quem sabe até um bebê híbrido com manchinhas na cara.

Aliás, não achei muito interessante esse lance das manchas na pele dos ETs, mas ok, entendi. É só o artifício para diferenciá-los pela pele e gerar justamente o debate velado sobre igualdade racial e preconceito que a série apresenta. Temos até um gueto, batizado de The Sector, onde os atrianos sobreviventes vivem cercados e cerceados pela polícia. E teremos o lance de descobrir se eles vieram em paz ou planejam destruir a humanidade, mas essa história é tão batida que nem quero comentar muito.

Se vale a pena ver o episódio ou a série? Não sei bem afirmar. O choque de não ter odiado o episódio e até ter gostado (Why? Why?) ainda toma conta de mim e amanhã posso voltar à minha sã consciência e afirmar que estava sob influência de vibrações malignas da nave mãe dos atrianos, afinal, se eles têm sangue que cura câncer e dois corações, sabe-se lá o que mais podem fazer.

No elenco, além de Aimee Teegarden (“Friday Night Lights”) como Emery e Matt Lanter (“90210”) como Roman, temos ainda Grey Damon (“The Secret Circle”) como Grayson, Natalie Hall (“Pretty Little Liars”) como Taylor, Malese Jow (“The Vampire Diaries,” “Big Time Rush”) como Julia, Titus Makin, Jr. (“Glee”) como Lukas, Chelsea Gilligan (“How I Met Your Mother”) como Teri and Greg Finley (“The Secret Life of the American Teenager”) como Drake. Sim, queridos, fizeram um seleção de elenco que costurou todas as séries adolescentes dos últimos tempos, vamos ver no que vai dar.

Na produção executiva o time fica com Meredith Averill (“The Good Wife,” “Life on Mars”), Josh Appelbaum (“Life on Mars,” “Mission: Impossible – Ghost Protocol”), Bryan Furst (“Daybreakers,” “Tough Trade”), Sean Furst (“Daybreakers,” “Tough Trade”), Daniel Gutman (“Dance!,” “12 Corazones”), Andre Nemec (“Life on Mars,” “Mission: Impossible – Ghost Protocol”), Scott Rosenberg (“Life on Mars,” “October Road” e Richard Shephard (“Golden Boy,” “Ringer”).

O Piloto foi escrito por Meredith Averill e dirigido por Gary Fleder (“Beauty And The Beast,” “Vegas,” “Runaway Jury”).

P.S* CW fazendo série futurista. Durmam com um barulho desses.

P.S* Até que a parte tecnológica não ficou tão ruim. Os celulares de 2024 convenceram.

P.S* Só eu achei uma #barra a questão do hino nacional e juramento à bandeira? Pareceu desnecessário porque ninguém fica jurando bandeira em sala de aula.

P.S* Sabia que não poderia passar um ano inteiro sem simpatizar com alguma série nova da The CW. Está no meu DNA.

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