E quando é a história de uma mulher líder de um cartel de drogas?

Queen of the South é a nova aposta do USA que ano passado nos surpreendeu com Mr. Robot e apesar das duas séries pertencerem ao mesmo canal as semelhanças param por aí. Teresa, interpretada por Alice Braga aqui é Brasil, porra!, é a protagonista da série e nesse primeiro momento narra sua vida antes de ser uma chefona do tráfico mexicano. A vida da mexicana não foi fácil e só depois de conhecer Guero, seu amado, que ela pôde usufruir dos luxos que o dinheiro fácil pode proporcionar. Porém o mundo das drogas traz muitos perigos e por conta disso Teresa precisa se virar para conseguir sobreviver em meio a assassinatos e perseguições.

O piloto cumpre de forma mais que satisfatória a apresentação da história, da sua protagonista e das suas motivações futuras, já que ainda não se vê uma líder de cartel e sim a construção da mesma. Alice Braga sustenta com muita segurança um papel que à primeira vista é simples, mas que se analisado de forma mais fria é um tanto quanto complexo e a atriz conseguiu passar todas as emoções necessárias, para quem conhece o trabalho de Alice Braga isso não é nenhuma novidade e é com muita alegria vê-la tendo a oportunidade de interpretar um papel de destaque na TV americana.

A escolha em mostrar a transição da protagonista foi acertada: de uma jovem pobre para uma mulher que não dispensa luxo, mas que acima de tudo aprendeu que na vida do tráfico é fundamental desconfiar de tudo e todos, mostrando que de besta ela só tem a cara. Se nesse momento inicial a opção foi de conhecer a história de Teresa e como ela conseguiu construir um império de drogas, nos próximos episódios a ascensão das suas conquistas terão um entendimento maior, já que o espectador já sabe da onde ela veio e para onde ela vai.

Teresa é uma mulher forte e independente e isso não é novidade na história das séries, os roteiristas perceberam um nicho gigantesco por personagens femininas fortes, nas quais mulheres espectadoras consigam se enxergar de alguma forma. O canal USA muitas vezes conhecido por ter um público majoritariamente masculino aposta em uma história que pode puxar um público diferente e se Queen of the South se mostrar competente até o final da temporada como se mostrou nesse piloto, será mais uma aposta que deu certo.

Se há um ponto negativo que merece destaque é a falta do espanhol nos diálogos. Em diversas cenas na quais apenas personagens mexicanos estão contracenando, mas que a língua falada é o inglês acaba distanciando um pouco a série da realidade. Como uma protagonista pobre e todos os outros mexicanos falam inglês fluente? Nesse caso Narcos dá uma aula de como apresentar uma série bilíngue, espanhol onde tem personagens latinos e inglês onde tem personagens norte-americanos. Claro que isso pode ter sido uma opção do canal já que norte-americanos se acham no centro do mundo e odeiam ver qualquer coisa com legenda, podendo fazer com que a série perca público logo no início (como diversas séries perderam por serem série basicamente em dois idiomas).

P.s.*: Gatilho de estupro no piloto, nós mulheres sabemos o quão difícil é reviver um evento traumático seja em texto, imagem e/ou vídeo. Então para as mulheres que já sofreram algum abuso e ainda não viram o episódio, tem cena de estupro no piloto.

P.s.**: Falando nisso, até quando os roteiristas irão se utilizar de estupro como “chock value” e/ou para mostrar a força de uma personagem feminina nas séries?

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