Um patê homogeneizado de Martin Scorsese e The Sopranos.
Estamos em 2015. É importante para alguém que deseja criar uma série como Public Morals aceitar e entender esse fato. Chegamos a um ponto do desenvolvimento dramatúrgico humano em que a mera ideia de criar um projeto explorando os dois lados da criminalidade e protagonizado por personagens anti-heroicos não possui mais mérito. Já vimos isso. Estamos entalados até os intestinos com esse tipo de história.
O que é necessário aqui? Mostrar uma característica diferenciada, inovar dentro do gênero. É assim que a televisão evolui.
Public Morals, infelizmente, demonstra a mesma síndrome que eu acabo sempre associando com o canal TNT. Regular demais para ser ridicularizada, ordinária demais para chamar a atenção. Assisti o piloto em estado de sonambulância, cuja trama envolve o distrito de Hell’s Kitchen em Nova York e seus não-tão-nobres policiais. Em uma cena específica o personagem principal, interpretado por Ed Burns (*), simplesmente regurgita para um policial iniciante o funcionamento da série. O plot device do “aspira”, cuja inexperiência justifica uma tonelada de diálogos expositivos, segue firme e forte.
(*) Burns produz, escreve, dirige e atua na série.
Como então funciona Public Morals? Temos policiais que se associam com mafiosos para os mais diversos esquemas envolvendo prostituição, tráfico de drogas, bebida alcoólica e apostas ilegais. Eles embolsam parte do dinheiro, deixam os mafiosos em paz e estes em contrapartida não destroem a cidade. Adicione uma ambientação nos anos 60.
Algo além disso? Temos obviamente a passagem obrigatória pela família do protagonista, que tem uma esposa e três filhos em diversos estados de complicação. Não há nada especificamente errado aqui, bem como não há nada gritantemente ruim na série. Public Morals é apenas uma reprodução fiel de ideias já apresentadas ao público televisivo há mais de uma década.
Algumas tramas colaterais também se desenvolvem: um policial casado que progressivamente se envolve com uma prostituta; o supracitado iniciante, que tem a desconfiança imediata de todos os veteranos da corporação; o filho de um mafioso que parece ser um personagem importante mas não tem absolutamente nada de interessante; o amigo encrenqueiro do filho do mafioso, clássico causador de problemas que provavelmente fará alguma bosta e será o estopim de alguns conflitos no decorrer da série.
O mais surpreendente nisso tudo é que Steven Spielberg, um dos melhores diretores em existência no planeta Terra, de alguma forma se envolveu na série. Não consegui vislumbrar nenhuma conexão entre as obras do diretor e o projeto de Ed Burns, e aparentemente essa presença se deve unicamente pela amizade que os dois cultivaram desde Saving Private Ryan.
Não há mais muito o que falar. Se você é viciado pelo tema talvez se apaixone pela série. Se você quer algo diferente, não se dê ao trabalho de conferir esse piloto. Toca o barco.















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