É interessante notar a estratégia do FX em seus mais recentes lançamentos. Nos último mês, o canal exibiu as novatas Married e You’re The Worst, duas comédias ousadas, divertidas e inovadoras, ambas focada em uma visão moderna dos relacionamentos entre casais, portanto, não chega a ser surpreendente a ideia de estrear uma terceira comédia mais leve, mais família, algo que possa atingir o grande público.

Partners traz os astros Kelsey Grammer e Martin Lawrence nessa que considero um grande retrocesso criativo do FX e um verdadeiro desperdício de talento. Não que Martin Lawrence seja um gênio cômico, mas não vou negar que me divirto sempre que pego uma reprise de Bad Boys (principalmente o segundo) e já dei boas risadas em seus stand-ups mais antigos. Já Kelsey Grammer, esse sim é um talento desperdiçado. Estamos falando de uma realeza dos sitcoms, um homem que esteve em Cheers, comandou Frasier por onze temporadas e quando o assunto foi drama, esbanjou brilhantismos por duas temporadas de Boss.

A premissa de Partners é simples e bastante formulaico: Allen Braddock (Grammer) é um inescrupuloso advogado, que acaba de ser demitido pelo próprio pai de um dos escritórios de advocacia mais renomados de Chicago. Durante uma sessão no tribunal, ele conhece Marcus Jackson (Lawrence), um advogado boa praça, carismático e que prefere transitar pelo lado justo e honrado da profissão, porém, sua visão altruísta do mundo faz com que algumas pessoas, como a sua ex-esposa, tirem proveito de sua inocência.

A ideia de uma parceria usando a máximo de “os opostos se atraem” é praticamente enfiada goela abaixo do público no episódio piloto de Partners. Nada é orgânico e natural. Não existe química entre os protagonistas, as piadas são datadas, o laugh track incomoda… É como se fossemos transportados para o universo dos sitcoms ruins dos anos 90. Chega a ser ofensivo uma série esperar que sua audiência compre o conceito de “vamos nos unir, pois somos tão diferentes e que nos completamos”, com argumentos tão rasos, vindo de um texto enlatado e completamente engessado.

Os personagens que circulam o advogado bonzinho interpretado por Martin Lawrence, são uma verdadeira diarreia de clichês ruins. Temos a mãe rabugenta, a filha hippie, o assistente gay, a advogada sabichona… Todas as tentativas de piadas e situações que exploraram as personalidades dos personagens secundários, foram como saborear uma coxinha de rodoviária: nada fácil de digerir.

A série obviamente pretende explorar a corrupção de caráter e todas as tentações imorais que o advogado malvado vai impor dia após dia sobre o advogado bonzinho e isso já começou com o cheque que encerra esse primeiro episódio. Minha grande preocupação é se o FX aplicar com Partners, o mesmo modelo de renovação usado em Anger Management de Charlie Sheen: uma renovação absurda de 90 episódios caso os 10 primeiros obtenham boa audiência.

Pessoalmente, nem mesmo um rechonchudo cheque de Allen Braddock me faria assistir outro episódio, mas temo pelas almas inocentes que buscam séries descompromissadas e casuais. Eles criam verdadeiros monstros.

Artigo anteriorO Rebu 1×13/14: Capítulos 13 e 14
Próximo artigoPodmaníacos #129 – Married, You’re The Worst, The Leftovers e muito mais