Não se enganem, são apenas lobos em pele de Appalachian…

Em pleno tempos modernos, recriar uma história com uma narrativa ímpar que não se confunde e muito menos se iguale a alguma outra, se torna um desafio muito grande, principalmente quando estamos cercados de histórias sobre vampiros, lobisomens e todas essas mitologias que são facilmente comparáveis.

Para Outsiders, a nova série do canal WGN America, esse desafio encontrou dois paralelos que em determinado momento irão se cruzar. É possível determinar algumas certezas, o mistério que aborda os homens das montanhas pode ser muito maior do que um mero isolamento social. A construção da “mitologia” da série está sendo abordada de uma forma não tradicional, talvez com a finalidade de conquistar um público diferente.

Parte do que impulsiona a narrativa da série, é a natureza selvagem desse clã que vivem nas montanhas de Appalachian, os Farrels, mantem a linhagem principal da história liderada pela Lady Ray que possui o título de “Brennan” – chefe – e tendo seu filho Big Foster, como o ganancioso pelo poder podendo ser o grande responsável por grandes partes das intrigas.

Essas apresentações iniciais servem para identificarmos o objetivo de cada um, até porque nem todos do clã são selvagens e violentos como a promo parece mostrar (assista logo abaixo), ali existe uma civilização com total liberdade social, mas não se enganem, existem leis e quem não cumpre pode sofrer severamente. A liberdade bárbara da qual vivem a ponto de abdicarem da tecnologia e assumirem o direito por “lei” daquelas terras, transformam esse clã em verdadeiros vilões para os habitantes de Kentucky.

Um aspecto muito importante foi dado aos habitantes, os personagens mostrados no decorrer do episódio, são pessoas comuns, que sabem do limite em que se encontram e vivem em total apreensão quando o clã precisa ir à cidade saquear produtos de suas necessidades e sem a interferência da polícia, o que nos leva a outro mistério que será abordado na temporada. Essas informações são perfeitas para se construir tramas bem amarradas, é preciso no entanto foco no desenvolvimento de cada plot para que não se percam em uma recorrente descontextualização dos fatos.

Além de todo esse mistério e medo, a trama principal aborda uma possível retirada desse clã das montanhas para a construção de uma mina de carvão, o que desencadeará os maiores conflitos da temporada. Para sustentar esses dois núcleos, temos Asa Farrel que havia fugido das montanhas e viveu por dez anos na sociedade e que agora está de volta mesmo contra vontade dos Farrels.

Curiosamente arrisco dizer que a série contará com elementos sobrenaturais, no decorrer do piloto a lenda que os habitantes de Kentucky retratam, é que o clã podem ser lobos e o que me chamou mais atenção é que em algumas cenas, podemos ver lobos espreitando humanos sem nenhuma intensão de atacar, apenas observar. Se a série irá abordar isso eu não sei, mas é uma ótima maneira de deixar o telespectador curioso e várias teorias serem abordadas na rede.

Dada a natureza da história, Outsiders é bem mais silenciosa, meditativa e lenta do que poderia se esperar. Suas explosões de violência, caos e folia – no estilo das antigas tradições gaélicas que os Farrels não se desviaram – também são exploradas, com isso reascendem uma história que sugere muito, mas não entregam consistentemente.

Ainda assim, Outsiders parece ter grandes ambições e muita história complexa para contar, não é pretensioso, há elementos preenchidos com os velhos temas de amor, poder e laços de sangue. Além de serem uma reminiscência de séries como Sons of Anarchy e Justified embora tenha seu próprio espaço. Pode ser excepcionalmente divertido e envolvente, ou pode ser calmo e focado em histórias menores que acaba se tornando tedioso.

O dualismo da série está exatamente nessas questões, entre o passado e a modernidade, o perdão e a vingança, família e o poder. E essa batalha entre o povo da montanha e a cidade não acabará facilmente ou eventualmente tornando essa história muito mais do que interessante de se assistir.

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