A linha tênue que separa a comédia do drama.

Spoilers Abaixo:

Para a alegria de todos os saudosos fãs de Friends, Matthew Perry não desistiu de nos fazer rir. Após o fracasso de Mr. Sunshine, Perry volta a TV com tudo o que tem direito e com uma estreia diferenciada por parte da NBC, aproveitando o Lead-In da cobertura dos jogos olímpicos. Além disso, a série possui atores coadjuvantes simpáticos com um bom timing para comédias, “Todo Mundo Odeia o Chris” e atores perdidos de Flashforward.

Go On mostra, como o próprio nome diz, a recuperação de Ryan King, um locutor esportivo que perdeu sua esposa em um acidente de carro. Uma mistura de comédia e drama, em que a gravidade das coisas apenas se insinua sob o humor. A medida certa para Matthew Perry que já há algum tempo vinha se destacando em produções dramáticas.

Para retornar ao trabalho, Ryan é obrigado por seu chefe a realizar pelo menos 10 sessões de terapia em grupo e provar que o locutor realmente está levando tudo numa boa. Mesmo relutante, Ryan decide participar das tais sessões, o que nos rendeu uma das cenas mais bacanas do episódio, onde o protagonista organiza uma competição entre as pessoas do grupo de apoio em que elas competem para saber qual tragédia é de fato a pior, o que também facilitou a criação de vínculos entre os outros personagens do elenco, que em minha opinião, era o ponto mais fraco de Mr. Sunshine.

É difícil não comparar Ryan King com Chandler Bing, e de fato vimos vários trejeitos e expressões que nos remetem ao humor físico pelo qual foi mundialmente conhecido. Então eu lhe pergunto, caro leitor, o que há de errado nisso? Após 10 anos interpretando um personagem, dificilmente o que é mostrado em tela, fica fora dela também. Acredito que Matthew Perry usa este artifício a seu favor quando se trata de comédia, e ao contrário de alguns, não vejo mal algum.

Apesar de não ter engolido muito bem essa história de terapia de grupo aplicada por uma pessoa que não tem as devidas qualificações, prometo relevar, afinal, já era de se esperar que em uma série de comédia, ridicularizassem a psicoterapia como um todo.

No final das contas, depois de muito luta para se livrar das sessões, Ryan, que após viver uma situação em seu trabalho que o lembrou do acidente de sua mulher, acaba sucumbindo aos encantos de seus novos colegas e se abrindo na terapia, o que convenhamos, foi a melhor cena do piloto.

Quem é fã incondicional do Matthew Perry consegue ver um potencial muito grande em Go On, não só pelo que a série apresenta, mas principalmente por ela unir todos os elementos onde Perry se sente mais confortável. Primeiramente a comédia, que é obviamente quase como um dom natural do ato. Matthew tem um timing perfeito para sitcoms e isso ninguém pode negar; em seguida o drama, e como já dizia Woody Allen aos quatro ventos: “comédia e drama andam juntos”, e Perry já nos mostrou que competência para atuar em séries dramáticas ele tem e muito (vide Studio 60, The Good Wife e seu pouco conhecido filme Numb).

A cereja do bolo em Go On é o esporte como parte da narrativa. Perry é um aficionado por esportes em geral, e quem o segue no Twitter pode presenciar suas idas à estádios e ginásios constantemente. Ou seja, mais confortável impossível.

Em minha opinião, o piloto foi muito bem executado, diria até “quadradinho”, e acredito que a série tem muito espaço para crescer e ficar ainda melhor.

Só nos resta esperar para ver como Go On se sairá quando retornar para a grade de programação da NBC no dia 11 de setembro (esse episódio foi apenas um “gostinho”) e competir contra New Girl, Happy Endings e NCIS: LA pela audiência. Será uma batalha dura.

Obs: Trilha sonora de Iron and Wine foi a escolha perfeita.

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