Antes de qualquer coisa, uma pequena reflexão: sobre o que é, afinal, Faking it?
A nova comédia da emissora MTV pode não alcançar o mesmo êxito de público que Awkward, mas certamente fez muito barulho antes mesmo de sua estreia. De tal forma que esbarrei por um acaso em toda a conversa e fiquei curiosa: havia muita gente aclamando Faking it, e quase o mesmo tanto condenando a nova série. Não aguentei e fui conferir o piloto. Depois disso, comecei a ler o que as pessoas estavam falando sobre, e percebi um enorme ponto de interrogação em meu rosto. Por quê será que estão cobrando um papel que, pela minha percepção, esta série não se propôs a cumprir?
Então falemos um pouco da premissa da série. Faking it mostra Amy (Rita Volk) e Karma (Katie Stevens), duas amigas que estudam em Hester High School, em Austin, Texas. Até aí não há nada de novo. No entanto, essa escola tem uma peculiaridade, que é a aceitação plena de quem é diferente, ao ponto de que são justamente essas pessoas as populares e donas do topo da pirâmide social escolar.
Quero muito destacar essa parte porque, para mim, ela é o grande diferencial da história de Faking it e o motor que impulsiona e torna possíveis as tramas da série. Em qualquer outra escola ficcional (ou real) a inversão que torna o diferente mainstream, falar em duas amigas que aceitam o rótulo de lésbicas, (isso considerando o fato de que Amy afirma veementemente que elas são heterossexuais) apenas com o objetivo de conseguir a popularidade, não faria o menor sentido.
Também é importante ressaltar que o objetivo de ser popular é perseguido por Karma. Amy dá sinais de estar confortável com seu status mais invisível e contente com sua vida do jeito que está, desde que continue lado a lado com sua melhor amiga.
E é tal proximidade que chama a atenção de Shane e Liam, os garotos mais populares da escola. Shane, o gay assumido, que comanda as festas, campanhas e afins em Hester High, e Liam, o típico conquistador que sai com qualquer garota da escola. Ao ouvirem Lauren (da qual falarei mais para frente) praticamente gritar que achava que as duas eram lésbicas, ficaram interessados em uma aproximação com Amy e Karma, por motivos diferentes. Shane as convida para uma de suas festas e tira as amigas da inércia social em que se encontravam, para agrado de Karma e contra a vontade de Amy.
Lauren é a representação da típica garota que perturbará as protagonistas. Filha do homem que se casará com a mãe de Amy e forçada a estudar em uma escola cujos padrões estão contra seu gosto, ela certamente não perderá oportunidades de alçar a própria popularidade, derrubando todo e qualquer obstáculo. Em qualquer outra série teen, Lauren já teria o status desejado e testaria na luta para mantê-lo. Mudam-se as posições, mas não os conflitos.
Um dos obstáculos de Lauren é justamente o fato de Shane ter tomado a frente da campanha para eleger Amy e Karma como Homecoming queens, seu objetivo para tentar construir a tão desejada popularidade. O que fez com que ela, sabendo da farsa das duas, tentasse desmascará-las na frente de toda a escola. Mas voltaremos a essa cena em breve. O importante agora é entender que justamente essa personagem exercerá tal papel, tendo o conhecimento que pode revelar a qualquer momento.
Outro conflito vem através do personagem Liam. Como afirmei parágrafos acima, ele ficou particularmente interessado nas garotas pelo fato de achar que elas são namoradas, por motivos que se diferenciam da aceitação. Isso fica claro nas cenas em que ele flerta com Karma (que não o rejeita, por estar interessada nele) e em que a beija. Eles são vistos por Amy, e aqui vem o primeiro indício real de que a loirinha começará a fazer questionamentos sobre si mesma. Os ciúmes presentes em seu olhar (méritos a Rita, que deu conta do papel no piloto) e a negativa em continuar a farsa mostram que o desconforto demonstrado ia além da mentira que ela já não estava satisfeita em contar. Teremos alguma espécie de triângulo amoroso? Possivelmente. Embora, de cara, não consiga enxergar Karma sentindo algo a mais além de amizade por Amy.
Na cena do ginásio, onde Lauren tenta revelar a farsa e Amy beija Karma para manter a mentira, tais fatores ficam mais desenhados pelo roteiro. Amy sente algo a mais com o beijo, enquanto Karma está satisfeita no fato delas terem jogado uma cartada decisiva para minar, ao menos por enquanto, qualquer dúvida e angariar ainda mais popularidade à sua candidatura.
Essa é, a meu ver, uma das promessas da série, juntamente com a questão do diferente como mainstream: o processo de descoberta de Amy. Alguém que, dentro da farsa, pode descobrir alguma verdade sobre si mesma.
Por fim, é necessário que se destaque que a amizade não é importante apenas para Amy. Karma deu mostras importantes, especialmente na cena em que não para de falar sobre a amiga perto de Liam e acaba indo de encontro a ela no telhado da escola. Inclusive deixando claro que deixaria a farsa de lado para não perdê-la. Como eu disse, isso pode não implicar necessariamente em uma reciprocidade nos sentimentos românticos de Amy, mas certamente coloca a amizade em um patamar alto para Karma, tanto quanto para Amy. E talvez seja esse um dos grandes focos da série. Algo que pode e certamente renderá algumas cenas tão boas quanto as que vimos nesse piloto.
O piloto de Faking it trouxe algumas boas promessas. Claro, é necessário dar uma chance à série. E também entrar na loucura proposta por Carter Covington. Convido a todos a embarcar nessa divertida e interessante comédia da MTV.













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