E mais uma série sobre criaturas sobrenaturais está no ar.

Confesso que nem sabia da existência de Bitten, nova série do Syfy, até que o Michel Arouca me perguntou se eu estava a fim de fazer o texto de Primeiras Impressões da série. Então fui dar uma conferida na sinopse e nas promos, e aceitei fazer. Mesmo a sinopse por si só já ser muito clichê e a grande probabilidade de Bitten ser uma série fraquinha, fiquei curioso pra ver na esperança de que, talvez, me deparasse com uma série divertida de assistir.

A verdade é que Bitten consegue ser ainda pior do que eu pensei que poderia. Todo o clichê da sinopse está aqui e o roteiro preguiçoso não se preocupa em momento algum em tentar disfarçá-lo ou acrescentar algum diferencial para torná-lo minimamente interessante. É a história de um personagem sobrenatural que tenta viver uma vida “normal”, mas como sempre, surgem motivos para o arrastarem de volta à sua verdadeira vida. Esse clichê é usado no começo de diversas séries, filmes e livros, e não há problema nenhum em usá-lo, se a trama que encobre tudo isso é boa, se os tais “motivos”, são realmente interessantes. E não é isso que ocorre em Bitten.

Os Danvers decidem tentar reunir toda a matilha após um único assassinato causado por um lobo ter acontecido. O que já foi outro clichê, as regras de “não matar humanos”. Sei que houve o rompimento das regras, mas mesmo assim, esse motivo não parece ser algo tão grande para precisar reunir todos. Tudo simples demais e sem graça nenhuma. E a menção dos tal “Mutts” que eles acreditam ser o possível assassino, não causa curiosidade alguma, ainda mais com o piloto já revelando no final que o assassino é Scott (Marc Bendavid), seja lá quem ele for.

Elena Michaels, a protagonista, interpretada por Laura Vandervoort, é uma personagem sem graça, sem sal, sem nada. A atuação da atriz é fraquíssima, e foi impossível gostar e se importar com ela. Na verdade, todo o elenco, no geral, é muito fraco. E obviamente alguns atores (como a própria protagonista) foram selecionados mais por serem bonitos do que por talento. É o caso também de Nick (Steve Lund) e Clay (Greyston Holt). Clay, aliás, é um personagem bacana pois pode render um caso interessante com Elena, agora que eles se reencontraram e já viveram um passado juntos. Um dos pouquíssimos pontos positivos.

Outro personagem da lista de “atrativo visual” é Philip (Paul Greene), o namorado de Elena. Ele acabou sendo o personagem mais carismático de todo o elenco, sendo leve e um tanto alheio, e sempre tentando compreender Elena. E os momentos sem camisa dele acabaram sendo, para muitos, as melhores cenas do episódio. Sua irmã, Diane (Natalie Brown) também foi uma personagem carismática, mesmo sendo totalmente avulsa. É irônico que Philip e Diane, que são os personagens mais bacanas desse piloto, são os únicos que não tem nada a ver com a trama central e talvez nem tenham muito espaço na série.

De tudo, acredito que a parte de maior frustação em Bitten é a mitologia. Esses são os lobisomens mais ridículos que eu já vi. Primeiro, porque na mitologia original de lobisomens, o ser se transforma em um ser “meio lobo, meio homem”, como o próprio nome diz. Eu já me incomodo um pouco com os lobisomens que se transformam totalmente em lobos, mas no caso de Bitten, isso é ainda pior, porque não é aquele lobo enorme como em The Vampire Diaries ou True Blood, e sim um lobo comum, de porte comum, que como vimos, nem é tão forte a ponto de ser atacado por um coiote. Absolutamente ridículo.

Além disso, os lobisomens, como Elena, ainda tem o poder de uma super audição, mesmo estando em sua forma normal, o que não faz o menor sentido. Se esse foi o diferencial que eles quiseram inventar, foi péssimo. E pra piorar tudo, surge aquela conversa entre Elena e Logan (Michael Xavier), em que descobrimos que os lobisomens dessa série conseguem controlar suas transformações normalmente. Elena tinha conseguido ficar sem se transformar por 37 dias, e Logan diz que é saudável ela fazer isso pelo menos uma vez por semana. Lua Cheia, pra quê?

O elenco também é formado por Greg Bryk, como Jeremy, Paulino Nunes, como Antonio, Joel Keller, como Peter e Fiona Highet, como a Xerife Morgan. Eu vou parar por aqui, mas desejo sorte para quem gostou e vai continuar com Bitten.

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