Podemos acreditar?
Believe é a nova aposta da emissora estadunidense NBC, que estreia dia 10 de março. Interessante é quão “forte” chega Believe, já que ela vem apoiada em nomes como Alfonso Cuarón e JJ Abrams. A série foi criada por Cuarón, que inclusive foi o responsável pelo roteiro e pela direção desse episódio piloto.
Believe é a história de Bo (Johnny Sequoyah), uma menina que nasce com poderes especiais, que ainda não consegue controlar ou até mesmo entender. Bo, obviamente é caçada e, portanto, deve ser protegida. É aí que entra Tate (Jake McLaughlin), a pessoa encarregada pela proteção de Bo. Tate é “financiado” por uma organização pacifista, que tem Winter (Delroy Lindo) como líder. Digo pacifista, pois essa organização, que tem ainda Channing (Jamie Chung) como membro, não usa armas de fogo e mesmo assim entrega a responsabilidade de cuidar de Bo a um ex-presidiário.
Por que Tate precisa efetivamente defender Bo, ainda não sabemos. Já sabemos, porém, contra quem. E é então que conhecemos o, ainda, enigmático Skouras (Kyle MacLachlan). A única coisa que sabemos sobre ele é que, além de ter contratado a assassina Moore (Sienna Guillory) para fazer seu serviço sujo, ele já foi parceiro de Winter.
A história de Believe pode não ser a reinvenção da televisão, mesmo assim tem aspectos interessantes e potencial, se bem trabalhada. Mas a realidade é que, o que mais me animava sobre a série, eram exatamente as mentes por trás dela. Afinal, Alfonso Cuarón é responsável por filmes como “E Sua Mãe Também” que, além de ser um dos meus filmes favorito, tem um dos melhores roteiros cinematográficos já vistos. E o que dizer de “Filhos da Esperança”? Ou até mesmo, do sucesso de crítica e bilheteria, e forte candidato ao Oscar desse ano, “Gravidade”?
Exatamente por ser dono dessa bagagem, eu esperava muito de uma série criada por Cuarón. E a realidade é que no papel Believe tinha tudo para ser uma das melhores estreias de 2014. Pena que essa expectativa, de fato, não saiu do papel. E assim, eu realmente me nego a acreditar que foi Cuarón quem dirigiu e até mesmo escreveu esse piloto.
O que eu senti foi tão inexplicável, que durante muito tempo, após o término do episódio, eu fiquei criando teorias sobre o que de fato pode ser a trama da série, justamente por não acreditar que eu realmente estava assistindo algo tão infortunadamente executado.
Quando comecei a elaborar minhas loucas teorias, pensei mais forte sobre as borboletas que conectaram Bo e Tate. A borboleta é considerada o símbolo da transformação, da felicidade, da beleza, da inconstância, da efemeridade da natureza e da renovação. A borboleta também é símbolo, conforme os gregos, da alma em transformação. Inclusive há uma lenda que conta que uma menina curiosa, duvida de um sábio e então decide testar sua sabedoria. E assim, a menina esconde nas mãos uma borboleta azul e vai até o sábio e diz: “em minhas mãos eu tenho uma borboleta azul, ela está viva ou morta?”. Com o intuito de, se o sábio respondesse que a borboleta estava morta ela deixaria a borboleta voar livremente, mas se o sábio respondesse que a borboleta estava viva, a menina esmagaria a borboleta com as mãos, provando assim que ele, na realidade, não possui toda sabedoria proclamada. Mas sendo ele de fato sábio, respondeu: “a borboleta está em suas mãos, é você quem decide quanto sua vida e sua morte. Depende de você.”
Com base nisso, foi natural eu viajar que a alma de Bo está em processo de transformação em algo extraordinário, ou, que as decisões de Bo, durante sua jornada, decidirão vidas. Essa viagem toda, nada mais foi que eu tentando provar que precisava ver em Believe, já nesse piloto, mais profundidade, porque, de novo, me negava a acreditar que aquilo era o que eu realmente assistia. Desculpa quem acha que não podemos julgar uma série pelo piloto. Eu entendo essa posição, mas se pararmos e pensarmos, para que serve o piloto? Para capturar a audiência, certo? Portanto, julgo pilotos sim. Ainda mais um piloto de uma série, com tanto potencial e com tanta gente boa envolvida. Nada impede de minhas teorias terem algum tipo de fundamento no futuro. Mas fato é que, eu queria ser convencida, de qualquer coisa, já no episódio inicial.
Mas entendo, afinal o começo da produção de Believe e a gravação desse episódio foram feitas pré estouro de Gravidade, portanto, vou decidir acreditar que se o episódio fosse gravado hoje em dia, as coisas seriam bem diferentes, já que hoje Cuarón é um nome mais forte, capaz de abrir qualquer porta e conseguir qualquer verba.
Sobre JJ prefiro não comentar, porque como nós sabemos muito bem, há os projetos com o dedo direto de JJ, aqueles em que ele realmente se envolve e se dedica, e há aqueles com o dedo indireto, que são aqueles em que ele só coloca o nome e recebe o dinheiro. Alguma dúvida em qual categoria devemos colocar Believe?
Mas o que eu não entendo de jeito nenhum foi a escolha de Jake McLaughlin como o protagonista, já que é ele aquele que será o responsável por carregar a carga dramática, de ação e emotiva da série. Ele é péssimo e não conseguiu convencer em nenhuma emoção e em nenhuma situação, nem nas mais simples. E saber que na realidade ele é o pai de Bo, apesar de ser sim uma surpresa para mim, não ajudou em nada. Igualmente ruim é Sienna Guillory que não convence nem um pouco como assassina eficaz, e só me fez rir quando aparecia sorrateiramente segurando sua arma. Era mais fácil ir no aniversário da mãe do que passar essa vergonha.
Como se entregar a uma série que mostra situações dignas de filme dos “Trapalhões”. Basta pensarmos na cena de perseguição no hospital, para entendermos o que eu quis dizer. Gente, ela abriu todas as portas do armário, menos a porta em que eles estavam atrás, tipo, como assim Alfonso Cuarón? A cena em que Tate foge da prisão, com a ajuda de Winter, também foi bem qualquer coisa. E o que falar sobre as cenas de luta entre Tate e Moore? Só digo que eu e meu irmão fazíamos igual, ou até melhor, no quintal de nossa avó em Santo Amaro (São Paulo), depois de devidamente abastecidos com maratonas de Power Rangers e afins. Sendo assim, já posso protagonizar minha própria série?
Ouso dizer que o futuro de Believe é bem previsível. Bo e Tate fugirão de cidade em cidade, ajudando pessoas pelo caminho. No piloto já vimos isso. Bo usando seus poderes de pomba gira para ajudar o médico (que não lembro o nome) a superar uma perda e não desistir de praticar medicina. Yay Senga!
Bom, o piloto de Believe chegou, e agora? Agora é aprender com os erros e manter e melhorar os acertos. Quem sabe ainda há tempo de fazer de Believe a série que todo mundo esperava para ver (pelo menos eu esperava).
Fácil de acreditar é: estou quase desistindo de assistir séries americanas. Minto, estou quase desistindo de assistir séries da NBC, ABC, CBS e cia.















