Existem várias e várias séries. Muitas seguem um padrão. Outras inovam, mas agradam a todo mundo. Aqui não vamos falar sobre estas. Vamos falar sobre séries diferentes, alternativas, estranhas, “cults”, obscuras, enfim: isto aqui é uma poça de séries, e vamos pisar semanalmente nelas para que os respingos caiam na sua grade de programação.
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A primeira edição de uma coluna é sempre problemática. Ficarei, provavelmente, um pouco marcado pela escolha feita aqui, como primeira série para apresentar para vocês. Quebrei a cabeça para saber qual seria mais adequada. Listei, cataloguei, repensei várias vezes em todas as séries que conheço e que caberiam nesta coluna. Como pretendo me focar em comédias no começo, pensei no que era essencial: Estranheza? Hilaridade? Senso de absurdo?
Depois de muito pensar cheguei a uma conclusão. Vou tomar o caminho mais fácil. A série que escolhi aqui não tem nada de bem selecionado. Acontece que peguei a última série que assisti, e vou usar isso como desculpa. Não me julgue! Prometo que a série é demais, excelente, bacaníssima, e que você vai gostar. Ela é sim hilária, estranha, e tem um senso de absurdo. Mas isso não é o que de melhor que Sensitive Skin tem para nos oferecer.
Baseada numa série britânica, a versão canadense desta comédia tem produção do criador da versão original, mas o destaque fica pela direção de Don McKellar, um dos maiores cineastas do Canadá. Não conhece ele? Bem, justamente, estamos numa coluna alternativa, dã! Passe a lidar com este nome, pois este cara é um ótimo artista do audiovisual, e você deveria conhecer mais do seu trabalho.
Em Sensitive Skin, temos um conto em seis episódios sobre a nova etapa da vida de Davina Jackson, uma ex-modelo que está entrando numa crise de meia-idade. A personagem é interpretada por Kim Cattrall, e vemos que ela é mesmo uma ótima atriz pois tinha tudo para termos algo como uma reprise de Samantha de Sex and the City, mas isso não acontece. Davina tem uma ótima cena e uma excelente história por trás de si, e a atriz a encarna muito bem. Sou fã da série das mulheres de Nova York, mas esqueci que ela existia nestes curtos episódios de SS.
O motivo pelo qual você deveria assistir a esta série? É uma das mais brilhantes apresentações de crise de meia-idade que já vi (e olha que já vi várias vezes esta historinha sendo contada). Até mesmo o que poderia ser um ponto fraco da série (sua experimentação de gêneros ― digamos que a série possui três arcos. Sim! Em seis episódios apenas!!!) acaba se tornando um atrativo a mais para assistir. Temos um episódio com crises existenciais, um episódio com crises cotidianas, dois episódios sobre radicalismos e irresponsabilidades, e dois episódios sobre consequências e responsabilidades. Parece que estamos vendo vários estilos numa mesma série. Mas quando ela acaba, tudo faz sentido, e você vê o quão bem amarrada ela foi.
Outra coisa interessante é que produção, direção e roteiro são dados por homens, mas a série é muito feminina! Não temos desrespeito com a possibilidade da crise se abater sobre uma mulher, e digamos que o conteúdo da série é bastante progressista em possibilidades, e bastante pé no chão em relação ao universo real que a série nos apresenta. Falando assim parece que nem estamos lidando com uma comédia, mas como eu disse e aqui repito, a série é muito, muito engraçada! Para quem gostaria de saber como Woody Allen lidaria de verdade com um roteiro sobre uma mulher, aqui está a resposta. Se isso faz o seu gênero, corra para ver. Se não faz, bem, semana que vem espero que eu consiga te convencer que não é somente de laugh track que se vive a vida.
P.S: Estou brincando. Laugh tracks são legais. Tenho até algumas séries com laugh track que vão se encaixar nesta coluna. Aguardem! Hahahahahahahahahahahahahahahahahahah.












