
Sete pessoas que não se conhecem, acordam numa cidade completamente vazia e vigiada por câmeras. Elas não se lembram como foram parar ali, nem sabem o motivo pelo qual estão naquele local. Não existe saída possível e não dá pra confiar em ninguém. E foi com essa premissa que ‘Persons Unknown’ estreou. As comparações foram muitas: Big Brother, Jogos Mortais, Cubo, O Caso dos 10 negrinhos, Lost… Enfim,uma infinidade.
Spoilers Abaixo:
Eu critiquei duramente os primeiros episódios, pois embora a série tivesse todos estes elementos pra brincar, ela ficava muito aquém da expectativa. Porém, a situação começou a melhorar a partir do terceiro episódio. Agora, no quinto, posso dizer: ‘a trama está ficando boa’. E, por incrível que pareça, estou ansioso pelo próximo episódio.
O que mais evoluiu, no decorrer dos episódios, foi o roteiro. Aparentemente, a história esta toda amarrada e o autor sabe muito bem pra onde quer conduzí-la. Isto permite que ele vá nos revelando algumas pistas e elas vão se encaixando ao longo das cenas. Porém, outras coisas não tem jeito mesmo. Algumas atuações são sofríveis demais: o ‘china’ (Gostei deste apelido dado pelo Blackham ao nosso falso-Chef) recitando o poema, me deu vontade de rir. E as cenas do jornalista com sua chefe? Ah, mas e o sofrimento do pai da Tori? Por pouco eles não alcançam a atuação ‘magistral’ do Fiuk em Malhação. Bom, trilha sonora e leitmotif, pelo visto não vamos ter mesmo. E tem mais. Neste episódio, eu pensei que o embaixador estava reconhecendo o corpo da filha morta numa cozinha. Que produção foi aquela? Enfim, fato é: apesar de todos estes pesares, a história em si, me prendeu e finalmente me sinto atraído e curioso para conhecer o final desta trama.
Mas, vamos ao que interessa. O que eu mais gostei neste episódio foi a quantidade de informação que nos foi passada e, principalmente, a maneira como ela nos foi apresentada. Nos primeiros episódios predominavam o marasmo, a repetição, situações previsíveis e a falta de sutileza na hora de revelar alguma coisa. Nessa semana, tivemos um episódio movimentado, com acontecimentos inesperados e muita informação sútil.
Por exemplo, além das câmeras que vigiam nossos sete ‘heróis’ dentro da cidade fantasma, nos foi mostrado, ao longo dos episódios, que outros ambientes fora da cidade também são monitorados: a casa da mãe de Janet, a redação do jornal em que Renbe trabalha, a delegacia e o quarto em que Charlie matou a esposa. Neste episódio, descobrimos que o embaixador também é vigiado em seu escritório. E o mais revelador, o próprio ‘China-Falso-Chef’ também tem uma câmera lhe vigiando em seu ‘centro de comando’, ou switcher. Ou seja, a pessoa que monitora e controla as coisas dentro da cidade, também é monitorada por uma câmera. O que isto pode significar? Ora, se o Chef, que é um dos responsáveis pelo ‘projeto’, é monitorado, significa que os demais monitorados fora da cidade-fantasma também devem contribuir de alguma maneira para este ‘experimento’. Todos eles, a mãe de Janet, a chefe de Renbe, o pai de Tori, o delegado e demais vigiados fazem parte do esquema e estão envolvidos nesta história. Pode ser que nenhum deles seja a mente por trás de tudo (e eu acredito que não sejam mesmo), mas estão envolvidos em algum nível.
E para confirmar esta suspeita, dois fatos: primeiro, no telefonema que o embaixador recebe, fica evidente que ele contribuiu de alguma maneira para o desenvolvimento deste ‘experimento’. Segundo, vimos que a chefe de Renbe possuía uma lista com informações de todos os desaparecidos. Só não entendi o motivo dela se arriscar, entregando essa lista pra ele, sendo que ela disse com todas as letras que não queria vê-lo nunca mais. Talvez por causa da filha dele. E também não entendi, por que ele não a questionou sobre essa lista, já que ela sempre se mostrou incrédula sobre estes desaparecimentos. É no minimo estranho que ela possua uma lista com estes nomes e nunca tenha lhe dado antes, sabendo que ele procurava com tanto afinco.
O diálogo final insinua que Joe e o Chef também são peças pequenas dentro deste jogo: “Era o nosso teste…acho que teremos que esperar e ver o que acontece. Mas acho que não será nada bom”. Você que acompanha minhas reviews por aqui, já deve ter percebido que eu sou chegado numa especulação. Então lá vamos nós. Será que existe alguém acima de um deles mesmo? Tenho minhas dúvidas se o Chef não inventou essa história de ‘ordens de cima’, suspeito que podem ser ordens dele mesmo. Ele pode estar se passando por um intermediário, quando na verdade é o cabeça. O poema que ele recita no começo e a decisão súbita de prender Janet e Erika no cofre podem reforçar esta teoria. Outra coisa que me pareceu muito suspeita, Joe quebra o protocolo com muita frequência e parece não temer as consequências. Será que existe alguma possibilidade dele ser mais importante do que afirma ser, dentro deste projeto? Me desculpem…será que estou viajando demais?! Talvez!!!
E aquele poema de Carl Sandburgn citado pelo Chef no começo do episódio? Como eu não costumo ignorar estas referências, fico aqui maquinando o que isto poderia significar. Sandburg tinha o apelido de Charlie entre seus familiares, foi soldado e jornalista, além de poeta. Na série, temos um Charlie, um jornalista e um soldado. Coincidência? A poesia de Carl Sandburg contempla, principalmente, a vida urbana e a liberdade individual. Opa, liberdade? Eles não estão presos numa cidade abandonada? A citação era esta: “Há um lobo em mim. E a insensatez não o deixará ir embora… Porque sou o guardião do zoológico. Eu digo sim e não”. Por causa desta citação, e pela expressão de prazer ao recitá-la, que eu suspeito que o Chef pode ser o cabeça.
Tivemos outra referência explícita neste episódio. Moira conta para o soldado, a hitória do ‘Vingador Invisível’, mais conhecida como ‘O Caso do 10 Negrinhos’ de Agatha Christie. Resumidamente, no livro, dez pessoas desconhecidas entre si, são convidadas para ficarem numa ilha. A única coisa que elas possuem em comum, é o fato de terem cometido algum crime no passado e não terem pago por ele. Os convidados começam a morrer um por um. O anfitrião estava infiltrado entre os convidados e queria simplesmente fazer justiça. Já sabemos que Charlie é um assassino, que Blackham é um mau-cárater e, neste episódio, vimos que o soldado também parece não ter sua consciência muito trânquila, já que busca uma redenção através da religião. Além disso, outra personagem entrou pra série, uma ex-presidiária condenada a morte é a nova habitante da cidade fantasma. Será que este é um experimento do Governo, cujas cobaias são criminosos ou algum tipo de ‘inimigo do estado’? Se for isto, qual é o objetivo deste experimento? Meu Deus, deixa eu voltar pra Terra.
Mais observações:
*É no minímo curioso aquele painel que Moira montou em seu quarto para tentar encaixar os fatos. Me chamou atenção uma tabela de números. Números, de novo eles. Pelo visto ela esta atenta a cada detalhe e, por isso mesmo, já descobriu o envolvimento de Joe neste projeto. Veja estas imagens e observe que ela não é tão louca quanto parece.

*Outro ponto positivo foi a maneira como eles (os roteiristas) resolveram o arco de Tori. Enquanto no ‘mundo real’ o corpo dela é encontrado sem vida, na realidade simulada (ou cidade fantasma) acredita-se que ela continua viva. Mais uma vez a pequena TV, que liga sozinha, foi muito bem utilizada e desempenhou um papel interessante.
*O conflito criado pelo envolvimento de Janet e Joe teve os desdobramentos esperados, mas nem por isso, deixou de ser interessante, muito pelo contrário. Acho muito positivo quando o ‘vilão’, se é que podemos chamá-lo assim, é humanizado. Sua causa ganha justificativa e ele acaba levando nossa torcida. Por mais irônico que possa parecer, Joe esta se tornando o herói, já que questiona com firmeza os própositos deste experimento. É o personagem mais ambíguo, ou contraditório (no bom sentido da palavra) nessa história toda. Não sei se suspeito dele (como mencionei no começo) ou se torço por ele. Só sei que ele tem minha simpatia e continuo torcendo pelo casal.
Bom, vou ficando por aqui. Tenho mais algumas teorias na cabeça, mas acredito que já compartilhei o suficiente. Afinal, esta review ficou enorme. Mas, e você?! Concorda? Discorda? Tem alguma outra suspeita? Comente. No twitter você me encontra aqui: @tonfreitas_













