Um episódio que gerou emoções conflitantes. 

Mulher tola. Você não entende. Você não está no controle de nada. Você é apenas a equipe de limpeza, a faxineira”

– Finch

Control-Alt-Delete foi um episódio que gerou emoções conflitantes. Por um lado, uma tremenda decepção (para não falar em ódio) por não termos nossas expectativas atendidas sobre a revelação da sobrevivência ou não de Shaw. Por outro, surpresa e satisfação ao ver, mais uma vez, a capacidade que os produtores de POI possuem de mexer com seus personagens e com a estrutura da série, transformando vilões em possíveis aliados e tornando os acontecimentos futuros ainda mais complexos e difíceis de serem previstos. E quem iria imaginar que Madame Control pudesse um dia ser cogitada como aliada do Team Machine

A verdade é que em POI, assim como na vida real, a maioria das coisas não podem ser definidas por extremos. É a chamada zona cinza. As pessoas não são completamente boas ou 100% éticas e às vezes associar-se a um inimigo pode ser a melhor forma de vencer outro e assim conquistar um bem maior (bem como tomar uma decisão polêmica, como por exemplo, matar ou não o deputado da temporada passada). Essa é uma situação que já foi vista outras vezes na série e, em um caso tão extremo quanto o de agora, com o Samaritan praticamente no controle de tudo, associar-se a Control pode ser uma das decisões mais sábias que o Team Machine poderá tomar.

O problema é que Control é o exemplo clássico de alguém que pensa estar fazendo o bem, mas que para isso não mede consequências ou respeita limites. Ela sabe que os “procedimentos” que utiliza para prevenir os ataques terroristas não são éticos ou humanamente corretos (tanto é que não permite que a filha jogue games sanguinários pois os considera violentos), porém para ela os fins justificam os meios, não importando se há ou não dúvida sobre a culpabilidade de alguém. Contudo, agora a situação está mudando. Com o Samaritan interferindo claramente em sua gestão frente à Research, Control está começando a perceber que está se tornando dispensável e, apesar de relutar bastante, começa a acreditar no que Finch disse a ela, o que a deixa cada vez mais próxima ao Team Machine e a torna uma ameaça considerável ao Samaritan.

E se não bastasse Control, quem também vai dando pinta de ser um possível novo aliado do Team é o agente Grice, que além de ter deixado Shaw sair livre em Honor Among Thieves (4×07), já demonstrou ser um agente de bom senso e que costuma procurar sentido nas ordens que segue. E já que neste episódio foi John quem deixou Grice sair livre, o caminho para uma aproximação do Team a ele torna-se cada vez mais provável – isso sem falar que neste momento qualquer ajuda é válida.

Mas enquanto essas possíveis associações não ocorrem é o Samaritan quem está deitando e rolando, chegando até mesmo a enviar o seu mini avatar folgado e metido à besta para exigir uma conversa com o presidente americano. A máquina do mal segue ampliando seu domínio a passos largos, sobre tudo e sobre todos, sendo que pior do que as ameaças que ela deverá fazer ao presidente americano para conseguir o que deseja deve ser aquilo que ela deverá solicitar (o que diabos será que ela está tramando agora?).  Além disso, em Control-Alt-Delete o Samaritan também confirmou o que já se imaginava que aconteceria com seus aliados que não o servem mais. Yasin Said, o POI desta semana (que desta vez foi do lado relevante), havia sido recrutado pelo Nautilus e tinha desenvolvido softwares para o que ele pensava ser uma empresa de biotecnologia, porém bastou a ele entregar a última parte de seu trabalho para que o Samaritan tratasse de mandar eliminá-lo (e ainda por cima incriminando-o como um terrorista para que a equipe de Control pudesse fazer o trabalho sujo). Greer e sua equipe que se cuidem, pois mais cedo ou mais tarde serão eles que passarão a ser dispensáveis.

Quanto ao mistério referente à Shaw, apesar de ser realmente mais verossímil que o Team Machine tenha dificuldades em descobrir informações precisas sobre o que aconteceu a ela, é claro que todos tivemos nossas expectativas frustradas não só por continuarmos sem ter certeza do que ocorreu, mas também por termos recebido pouquíssimas informações adicionais. No entanto, é necessário observar que esse sentimento de frustração que experimentamos de certa forma reflete aquilo que Root, John e Finch também sentem, uma vez que eles também estão desesperados por qualquer indício de que Shaw ainda está viva. O final de Control-Alt-Delete nos dá indicações de que o próximo episódio nos dará mais informações, porém até que ponto será que teremos uma solução? Será que POI nos dará uma resposta definitiva ou deixará pontas soltas para decidir futuramente sobre o retorno ou não de Shaw, conforme a disponibilidade de Sarah Shahi? Eu sinceramente aposto na segunda opção.

Observações

– Espero que o plano obscuro traçado pela Machine e por Finch  que pensamos existir seja logo colocado em prática, pois no ritmo que as coisas vão logo será tarde demais.

– Mais uma vez POI mostrou grande capacidade de inovação e surpreendeu ao realizar o episódio sob o ponto de vista de Control, de forma semelhante ao 2×16 (Relevance), quando introduziu Shaw à série.

– Outra grande atuação de Oakes Fegley, ator mirim que faz Gabriel Hayward, o avatar do Samaritan. Dá uma vontade de torcer o pescoço daquele moleque…

– Camryn Manheim (Control) também foi soberba (mais uma vez) ao demonstrar toda a arrogância e ao mesmo tempo todo o idealismo torto de sua personagem. E nós certamente veremos muito mais daqui em diante.

– Diálogo primoroso de Finch com Control. Para o ego de quem pensa que tem o poder e o controle de tudo, descobrir que tem sido deixada de lado e que muita coisa está acontecendo debaixo do seu nariz deve doer muito mais do que levar uns choquinhos ou ter a audição cortada, não?

– Harold pode ter parado Root e ter dado uma bela de uma bronca na hacker, mas pelo menos ele deixou Control sofrer um pouquinho, né?

– A frase em que Finch chama Control de “mulher tola” e “faxineira” é a mais ofensiva já dita por Harold em toda a história da série. Imaginem o quanto ele não está puto com ela para soltar uma dessas?

– Se alguém não notou, a voz na abertura desta vez foi de Control, o que foi uma ótima sacada, visto que o episódio ocorreu sob o ponto de vista da personagem.

– Se alguém não se lembra, Nautilus é aquele jogo do caramujo criado pelo Samaritan para recrutar colaboradores. Ele foi exibido no episódio 4×02 (de mesmo nome).

– Desta vez os produtores fizeram uma maldade com os fãs e eles têm bastante consciência de que o episódio geraria esse tipo de sentimento (em uma nova entrevista dada por Nolan e Plageman eles deixaram isso claro). Contudo, além da questão criativa, um dos motivos que os levaram a não dar sequencia aos acontecimentos foi dar tempo ao público que perdeu os episódios anteriores devido ao final de ano de chegar ao mesmo ponto que os demais – o que mostra o quão estúpido é a CBS fazer a série voltar no dia 06/01! 

Frases

– “Nós te demos um carro maravilhoso. Você não achou que eu deixaria dirigi-lo? “(Greer para Senador Garrison)

– “Ao menos sabe quantos problemas resolvi para você, Mike? 853. Todos combatentes inimigos, muitos em território americano, identificados pela Research, e resolvidos por mim. E isso você sabe que significa que eles estão mortos, certo?” (Control para Mike Richelli)

– “Espero que tenha gostado do míssil. Estávamos guardando ele para uma ocasião especial.” (Root para Control)

– “Pelo menos Julia tem uma mãe. Porque mesmo uma mãe que mata pessoas para viver é melhor do que nenhuma.” (Root para Control)

– “Pare! Isto não é a maneira como fazemos as coisas, Srta. Groves.” (Finch para Root)

– “Você foi excluída. E fizeram isso por uma razão. Quanto tempo até seus chefes decidirem te matar?” (Finch para Control)

– “Se você entendesse melhor o Samaritano, saberia que ele tem um exército próprio para servir às ordens dele. Que se comunica com eles em um telefone particular e criptografado. Suspeitaria que iriam empregar pelo menos um deles como um espião em sua própria organização. Até assumiria que o mesmo estaria entre os agentes vindo aqui para te salvar, com um telefone particular e criptografado, e saberia que essa é a razão de minha presença aqui.” (Finch para Control)

– “Terminou de checar o e-mail?” (Lionel para Finch)

Diálogo 1 (Control e Travers)

C: Você é um convidado aqui, com um objetivo. Fazer com que o sistema funcione como prometido. Há um terrorista à solta em território americano, e eu quero ver o disco rígido dele.

T: Temo que não seja possível. E você é a convidada aqui, no terminal de pesquisa do Samaritan.

Diálogo 2 (Control e John)

C: Policial bom, policial mau? Sério?

J: Não há policiais bons aqui.

Diálogo 3 (Control e Finch)

C: Falando de faxineiros. Eis que aparece alguns.

F: Você diz isso como se não estivéssemos esperando por eles.

Diálogo 4 (Richelli e Samaritan)

R: Está de brincadeira comigo, garoto?  Foi bonitinho da primeira vez e mesmo assim…

S: Cheque seu computador, Mike. A bolsa de valores fechou como eu disse que aconteceria. Assim como seu conjunto de ações. Não precisava ter sido assim.

R: Quem diabos é você?

S: Eu gostaria de ver o Presidente. Manteremos contato.

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