Bem vindos ao julgamento do governo dos Estados Unidos”
Há algumas semanas, quando o Rodrigo conversou comigo perguntando se eu poderia assumir as duas últimas reviews da temporada de POI, o primeiro comentário que fiz era da responsabilidade em assumir o final da temporada de uma série complexa e tão bem estruturada, que para piorar tem um dos melhores textos escritos aqui no site. Eu realmente fiquei com medo, mas se um amigo precisava de suporte, então… Aqui estou. Apresentando a vocês a review de um episódio fantástico, em todos os seus elementos, e que sem dúvidas, deixou claro que a Season Finale de POI não será nada menos do que surpreendente.
Ao decorrer desta terceira temporada, o Rodrigo elogiou várias vezes o potencial de POI em elaborar roteiros tão atualizados com os acontecimentos do mundo. Principalmente, por embasar o núcleo da storyline deste ano, exatamente em um dos assuntos mais polêmicos ocorrido em 2014. Aproveito o gancho do nosso amigo para salientar este elogio. A série não só abordou o assunto como investiu alto no conceito moral existente por trás desta temática tão assustadora, que é viver em um mundo descrito por George Orwell.
No episódio desta última semana A House Divided, eu diria que eu fiquei surpresa com a ousadia do roteiro e entorpecida com o final do episódio. Onde POI, literalmente, “chuta o balde” para qualquer restrição política, escancarando o seu ponto de vista a um assunto que divide a opinião da sociedade.
A complexidade sobre a temática criada em POI é tão extensa e detalhada em trabalhar a personalidade e fatos que determinam as escolhas de cada personagem. Que ao decorrer deste enredo, a série consegue alcançar o patamar mais próximo de uma linha da realidade, onde não existem vilões e mocinhos, todos possuem argumentos e objetivos para encontrarem-se na posição que se encontram. E isto não foi diferente para o personagem de Peter Collier. Ao relatar os acontecimentos de sua vida no ano de 2010, temos o desenvolvimento de toda uma tragédia em sua família, provocada pela manipulação excessiva do poder governamental, que o levou a se tornar o principal integrante da organização criminosa Vigilance.
Interessante considerar, que antes mesmo de apresentar os incidentes envolvendo seu irmão Jess, o episódio mostra que a Machine escutava Collier, através de uma escuta plantada pela NSA, mas a interface o considerou como irrelevante. Porém, ainda assim, vemos o FBI prendendo o mecânico sem acusação formal, alegando ameaça à segurança nacional. A história de Jess é comovente, e é compreendida como fator fundamental na transformação de Collier em um criminoso, na realidade, defensor da causa. Afinal, ele não prática atos aleatórios, tendo um objetivo traçado. Que infelizmente posiciona Finch como o seu maior inimigo.
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Nos acontecimentos do presente, Finch encontra-se detido pela Décima e a Machine não consegue encontrá-lo, enquanto percebe uma ameaça Desconhecida requerendo medidas imediatas.
Para nosso desespero, em poucos segundos de análise, as estatísticas da interface mostram alternâncias na percentagem de expectativa de sobrevivência de Harold. Iniciando em 30,18%, 30,06% e 29,63%. Mesmo assim, Root diz a John que Finch não corre perigo imediato, (lógico que informada pela máquina). De fato, não havia um risco iminente, mas a interface trabalha com estatísticas e consequentemente, é possível prever que na decorrência do tempo haveria a redução na estimativa de sobrevivência de Harold, significativamente. A interpretação que tenho disto é que a Machine não estava prevendo Vigilance como ameaça e sim, a própria Décima, pois Greer comenta que a razão para sequestrar Finch estaria em deter a única pessoa, (de seu conhecimento), que poderia destruir Samaritan.
Assim como previsto pelo Rodrigo na última semana, o diálogo entre Greer em Finch foi genial. O maior deleite do episódio esteve na alternância entre as ações do Time Machine e o encontro dos dois, o que acabou equilibrando a trama enquanto nos fornecia “pistas” das verdadeiras intenções de John Greer. Uma conversa que tem início com Harold na defensiva enquanto Greer o vê como um rival e aproveita o momento de vitória para esnobar a superioridade conquistada, transita para um debate moral sobre a interpretação que cada personagem tem sobre a criação de Harold.
A grande sacada deste debate moral vem da confissão de Greer em reconhecer o interesse em destituir o governo, não há uma intenção imediata em auxiliá-lo, o suporte que a Décima oferece para manter a contenção do terrorismo é pura fachada para conseguir a aprovação do projeto e ter acesso a todas as informações obtidas pelas agências de segurança. Mais curiosos é perceber que os argumentos de John são coerentes e consideravelmente válidos ao panorama político do mundo após a segunda guerra mundial. Greer viveu a experiência de um mundo em guerra, enquanto criança, e dedicou a vida e a carreira em busca de outros meios que pudessem garantir a segurança da nação. Deste ponto, até alcançar o ideal de estruturar um mundo sem fronteiras, é uma questão de tempo.
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E então vemos os preparativos para a Season Finale, o plot principal do episódio. Cinco CPFs são apresentados pela Machine, o sistema reconhece o risco dos nomes, mas não é capaz de identificar o objetivo final de Petter Collier. O único conhecimento consistente que a interface detinha era de que ocorreria uma queda de energia. Tanto é que Root distribui celulares via satélite para todos que irão se separar dela.
Deter a captura de dados pela Machine é algo praticamente impossível, mas provocar a fragmentação da informação é uma das estratégias mais antigas de guerra. A missão de cada ativo é de único conhecimento do mesmo, desta forma se torna impossível elaborar conexões e obter um único resultado. Estratégia bem sucedida e que também revela um fato considerável, Collier não apenas conhece a interface virtual, como também sabe seu modo de operar.
Assim, Vigilance surge como o grande “golpe de mestre” da temporada. Diante do não reconhecimento geral sobre as ações da organização a Machine divide seus ativos, e Shaw fica na responsabilidade de vigiar quatro, das cinco “vítimas” previstas. O problema é que ninguém sabia ao certo, se os números gerados deveriam ser protegidos ou eliminados.
Para John, ficou a responsabilidade de escapar de mais um tiroteio. Acompanhado de Root, a dupla segue em uma missão que nem sabe ao certo o motivo, quando se deparam com um ativo da Vigilância. John extrai um pen drive do atirador, que é reconhecido como um vírus. A minha pergunta ao término do episódio foi: “Por que aquele ativo estava na cafeteria e por que Root precisava saber do vírus se ela não poderia contê-lo?”. Vamos guardar esta pergunta para a Season Finale.
A única escapada que achei do episódio foi considerar que a Machine não sabia qual era a utilidade do worm. Afinal, se ela identificou a ameaça e a sua base de criação (Stuxnet), como a interface não poderia concluir que o vírus seria utilizado em alguma usina nuclear? Aliás, a Machine sabia da ausência de energia, como eu já comentei, então como não relacionar os fatos? Acho que até a Root pessoalmente poderia ter chegado a esta conclusão.
Mas, superemos este pequeno deslize, afinal A House Divided é de prender a respiração do começo ao fim, transformando esta passagem em um fator irrelevante. Até porque logo adiante, nos deparamos com o melhor do episódio. Collier arquitetou para derrubar o sistema de fornecimento de energia da cidade. Tão simples, mas absurdamente eficaz. O que seria da tecnologia sem energia? Não seria. A Vigilância, com certeza, saberia que o sistema operacional da Machine não seria afetado pelo corte, afinal é para isso que temos geradores. Mas a ação restringe o potencial de ação da máquina, que se utiliza de câmeras, computadores e todos os meios de captação da informação existentes em uma área. Sem eletricidade, mais da metade destes equipamentos interrompe seu funcionamento. Começando pelas torres de celulares, com capacidade para um curto desligamento da rede, em poucos minutos não havia mais comunicação entre Shaw, John e Root.
Quem mais saiu perdendo nesta história foi Shaw, com um general e uma arma, ela precisava proteger três dos CPFs fornecidos, na escuridão do edifício e em face de um Collier em maior número e vantagem operacional. O plano não deu muito certo e por pouco não era ela quem se transformava no quinto CPF.
Em meio à tamanha tensão e a escuridão prevalecida, tornou-se mais do que justo utilizar a interação entre Shaw, John e o desconfiado Hersh, como elementos para descontrair um pouco o público. A indecisão com “quem abaixa a arma primeiro”, ou “quem vai dirigir”, acabou se transformando em um dos poucos momentos onde vimos o sarcasmo tão sagaz de POI. Sem a participação de Lionel e com uma trama tão tensa, ficou difícil impor esta característica.
Neste quesito é possível abrir uma exceção à personagem de Root, que não entendo a razão, mas acho suas expressões e sua maneira de falar muito divertidas, na realidade, descontraídas. E esta foi a maneira que ela escolheu para dar a notícia de que havia se enganado sobre Finch.
“Abro uma aspa para comentar sobre Shaw e Root, que gosto muito de vê-las atuando juntas, principalmente pela audácia de POI de mostrar uma Sociapata (Root) demonstrando certa afeição por uma Psicopata (Shaw). Acaba sendo engraçado e sempre adequado ao momento explorado, estas brincadeiras e olhadas que Root investe na “parceira”, ainda que não haja qualquer retorno.”
Diante às incertezas da Machine e o sucesso obtido no plano da Vigilance, Shaw e John não conseguem chegar a tempo de resgatar Finch, que acaba se transformando no “prêmio do ano”, pela articulação mais bem promovida em POI. Collier sequestra Harold e Greer
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Em se tratando de articulação e planos além do esperado, Root surge como a surpresa da semana, realizando aliança com irrelevantes salvos pela Machine. Daniel Casey, Jason Greenfield e Daizo. Ela solicita os conhecimentos tecnológicos e apoio técnico do trio, enquanto atua em outras prioridades.
Não é de hoje que todos já perceberam a relevância de Root nesta temporada e o quanto seu personagem é a imagem orgânica da Machine. O que em minha opinião, sempre foi perfeito. Desde a Season Finale da segunda temporada, nunca me convenci de que Caroline tivesse sido escolhida apenas por ter atendido ao telefone como Finch. Ao decorrer desta temporada, já estou convencida de que não foi mesmo. A empreitada de personificar o que conhecíamos como uma ideia, um conceito tecnológico bem sucedido, tornou-se perfeito quando o ser humano escolhido para isto é um individuo que “despreza” a sociedade. Root surgiu na série como uma sociopata violenta que se apega ao conceito da Machine porque, livre dos sentimentos habituais de um indivíduo, ela enxerga objetivamente os problemas da sociedade e vê em uma Inteligência Artificial a verdadeira face de Deus. Ela tem fé na máquina, acreditando que os planos da interface nunca irão falhar, diferente do homem e do mundo, caóticos em sua essência. Consequentemente, ninguém estaria mais apto para ocupar a posto de “interface análoga” do que Root.
O significado desta ideia está na manipulação da personagem, se estamos falando de um sistema que pensa de forma logística, devemos considerar que a utilidade de Caroline torna-se dispensável ao término do plano tramado pela Machine quando a recrutou. Assim, a teoria levantada pelo Rodrigo e por muitos de vocês, começa a se mostrar válida. Tudo indica que Root irá morrer no final desta temporada. E A House Divided forneceu mais informações que nos leva a concluir este destino. O principal deles está no plano elaborado pela hacker e seus aliados temporários.
Após roubar os 7 servidores que seriam utilizados para aumentar a capacidade de manipulação de dados do sistema Samaritan, Root solicita ao trio de “colegas” a utilização destes equipamentos para localizar o Samaritano onde, ao que tudo indica, ela pretende destruí-lo. Se o seu método de ação será ao “modo John” ou Finch, não fica claro. Mas como ela se despede dos rapazes dizendo que se eles forem juntos irão morrer, vou aposta na primeira opção onde Root irá destruir fisicamente o complexo.
Mas deixo aberto uma tese, Greer diz que a única pessoa capaz de destruir o Samaritano seria o criador de uma I.A., no caso Finch. Mas se Harold construiu a Machine, não estaria correto considerar que ela também saiba como se auto destruir ou eliminar uma ameaça similar?
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E assim, temos o cenário montado, onde a Vigilância obtém um êxito maior do que o esperado e consegue colocar diante dos “júris” o governo (Senador Garrison, Control e o General Holcombe), a Décima Tecnologia (Greer) e o grande prêmio da noite, Harold Finch. Os planos de Collier são óbvios, ele quer expor os fatos e eliminar os responsáveis. Se não fosse por Finch, tudo estaria muito bem, mas todo mundo sabe que ele não vai morrer.
Porém, ainda é preciso levantar uma última questão: Quem mandou aquelas mensagens de texto para Collier? Vocês acreditam na possibilidade de não ter sido uma pessoa?
Posso estar completamente enganada, mas pensando no fato do governo ter prendido Jess mesmo quando a Machine o considerou irrelevante, me faz teorizar sobre o próprio sistema ter informado Collier. Afinal, ele fez sua aparição em POI deixando claro que tinha conhecimento sobre as ações do governo e da existência de um software de vigilância virtual.
Se não foi a Machine, quem seria o responsável pela criação da Vigilance?
Diante a tantos acontecimentos e algumas dúvidas, A House Divided prepara o terreno da Season Finale de POI, com o nome de Deus Ex Machina. A única convicção que podemos ter é que haverá muitas emoções e aparentemente, uma grande reviravolta ao final desta história.
A sessão está aberta. [quote]
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Como eu sei que vocês gostam das frases que o Rodrigo seleciona em cada episódio, escolhi alguns momentos do episódio para mencionar.
Frases
Lembra-se de quando eu disse que Finch não estava em perigo? Acho que me precipitei. E a boa notícia é que eu sei de quem é o quinto CPF. [Root]
Muitas vezes as alianças mudam em tempos de guerra. Não que estas alianças tenham, de fato, existido. É uma ilusão. Assim como ver o pôr-do-sol em um céu em chamas. [Greer]
Vocês deveriam prender criminosos e não cria-los. [Collier à agente da Corregedoria]
Diálogos
1. (Greer e Finch)
-Quero falar sobre o futuro. E quem seria mais qualificado para essa conversa do que o pai da inteligência artificial?
-Efeito colateral não intencional de um objetivo altruísta.
-Altruísmo. Engraçado. Sempre pensei que fosse pelo poder da criação.
2. (Shaw e Root)
-Você acabou de roubar a chave de um cara morto?
-Ela me mandou.
3. [John e Root]
–O que eles estão fazendo aqui, Root?
-Daizo, Jason, Daniel e eu estamos na estrada coletando certos… Contrabandos na área das três cidades. (O mais legal é a maneira como ela se explica, como uma criança que acabou de fazer arte. Genial!).
4. [Finch e Greer]
-Acho que você está subestimando o poder da inteligência artificial.
-Ambos sabemos que isso é impossível.
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–Tendo construído algo mais inteligente que eu como eu poderia prever a sua evolução?
-Incerteza, seu abismo pessoal.
…
-É arrogância pensar que pode controlar algo tão poderoso.
-Quem disse que eu quero controlá-lo?
5. [John e Shaw]
–Desculpe, estou atrasado.
-Não, até onde sei você chegou na hora certa.
6. [Control e Shaw]
-O que você quer?
-Não acredito no que estou prestes a dizer. Estou aqui para salvá-la.















