Irado!
Eu sei que todos que tiveram contato com o sistema em que você trabalhou acabaram mortos, ou perderam tanto que desejam que tivessem morrido”
– Finch
Nada melhor do que a gíria utilizada por Daniel Casey para definir mais este excelente episódio de Person of Interest. Depois de dois episódios comuns que nada acrescentaram à trama da série, intercalados por hiatus longos e irritantes, POI finalmente voltou a investir no plot principal da temporada e, de quebra, ainda preencheu algumas pequenas lacunas que haviam sido deixadas para trás.
Passado quase que completamente em 2010, RAM foi um episódio original e bastante diferente dos demais exibidos pela série, uma vez que não só apresentou um caso da semana ocorrido no passado, como também aproveitou para confirmar a afirmação feita por Root a Harold no fatídico The Crossing de que John não teria sido o seu primeiro helper monkey (“macaco ajudante”). Mr. Dillinger, no entanto, em nada se parecia com John. Arrogante, chato, irritante e violento, o ex-mercenário da Blackwater interessava-se apenas por si próprio, fazendo jus ao título de sua antiga profissão e não tendo nenhuma compaixão pelas vítimas. Assim, sua traição a Finch não foi surpresa alguma, de forma que foi a partir dele que os chineses de Ordos (e depois Greer) adquiriram o laptop que continha o vírus inserido por Harold e lançado por Stanton para atingir a Machine em Dead Reckoning e que culminou com a independência desta na season finale passada.
RAM também ajudou a compreender os motivos que levaram Harold a inserir o vírus que levaram aos eventos descritos acima, revelando que o laptop na verdade pertencia a Daniel Casey e continha uma parcela do código da Machine, o qual ele havia conseguido obter pela backdoor inserida por Nathan antes da criação de Harold expulsá-lo do sistema. Além disso, o episódio ainda mostrou os motivos que fizeram Control e o Special Counsel a enviar Stanton e John para Ordos em direção aos eventos que terminaram tentativa de assassinato de ambos, fazendo com que a função dos dois passasse a uma nova e eficiente agente: Shaw.
Aliás, a grande surpresa de RAM para mim foi a aparição de John, não só pelo fato dele e Stanton terem cruzado o caminho de Harold e Dillinger, mas principalmente pela revelação de que Finch já tinha conhecimento anterior sobre Reese, uma vez que pelos flashbacks exibidos anteriormente pela série imaginava-se que Harold havia se deparado com John pela primeira vez em um hospital, após a morte de Jessica. Assim, por que será que Finch já sabia sobre John e sua função na CIA? Teria ele já conhecimento sobre os agentes da CIA que trabalhavam para eliminar aqueles que tinham conhecimento sobre a Machine? De qualquer forma, a verdade é que se Harold pensava que John era um assassino frio, provavelmente foi a partir dos acontecimentos de RAM que ele começou a mudar de idéia, uma vez que ao não matar Daniel Casey por percebê-lo inocente, Reese mostrou a Finch que não era um assassino frio e que possuía bom coração.
E para quem já estava sentindo falta de Root e se perguntando o que ela andava aprontando, eis que POI finalmente voltou a mostrar a hacker no final do episódio, na única passagem de RAM no tempo atual, incorporando Daniel Casey junto ao grupo do 3º tipo de pessoas classificadas pela Machine: os necessários para ajudá-la contra uma grande ameaça que ela irá sofrer (provavelmente de Greer e cia, com ajuda do Samaritan) . Agora Daniel Casey deve juntar-se em Cartagena (Colômbia) a Jason Greenfield, salvo pelo Team Machine em “Mors Praematura” e o primeiro selecionado pela criação de Finch para protegê-la.
E agora, quantos mais serão necessários para proteger a Machine? A batalha se aproxima e o final de temporada promete ser talvez o mais eletrizante de toda a série!
Observações
– Que bom que os roteiristas aproveitaram Anna Parisse novamente e inseriram Kara Stanton nos flashbacks. Sua morte foi importante para o andamento da série (ainda que acredite que o real motivo tenha sido a saída dela para The Following), porém a personagem é muito boa e faz falta.
– Uma vez que o episódio se passou no ano 2000, a abertura utilizada no episódio foi a mesma da 1ª temporada (infelizmente sem Carter). No entanto, não sei se foi o corte por causa da falecida detetive, porém fiquei com a sensação de que a abertura foi deixada propositalmente inacabada, precisando de alguns acertos, meio que indicando que naquele momento as coisas ainda não estavam perfeitas em vista da ausência de Mr. Reese.
– O estilo reservado de Harold sempre foi motivo de conflito com seus parceiros. Dillinger foi só o primeiro, porém graças a seu caráter não muito correto as consequências para Finch foram maiores.
– Será que Harold sabe que foi Shaw a responsável pela morte de Dillinger e dos chineses que adquiriram o laptop? Conseguiu ele ver o rosto dela na escuridão?
– Quase deu dó de ver Dillinger enfrentando John. Quase. Muito juvenil o mercenário, nem um pouco páreo para Reese. Ainda bem que Harold agora tem dois parceiros de altíssimo nível e compatíveis com as necessidades da função.
– Além de vagabundo e mau caráter, Dillinger ainda se aproveitava para traçar as mulheres que salvava. Que falta de classe e profissionalismo!
– O episódio mostrou Finch solitariamente fazendo fisioterapia em sua perna e utilizando cadeira de rodas em boa parte do episódio. É válido lembrar inclusive que ele ainda estava utilizando a cadeira quando se depara com John no hospital, quando este descobre sobre a morte de Jessica.
– A melhor notícia desta semana ficou para o anúncio da renovação de POI para sua 4ª temporada! Nem podia ser diferente, visto que apesar de mais baixa que na temporada anterior, a audiência continua consistente e a 3ª temporada tem tudo para ser a melhor de toda a série.
Inconsistências nas datas dos flashbacks
O Person of Interest Wikia apontou algumas inconsistências nas datas exibidas neste episódio com as de outros flashbacks da série. Seguem abaixo as traduções dos textos postados no site:
– O episódio contradiz vários flashbacks, alterando a data em que Reese deixou a CIA de maio de 2010 para o final de 2010 – início de 2011. Um exemplo é que não seria possível para Reese encontrar o parceiro anterior de Finch, uma vez que não foi até depois da morte de Nathan Ingram em setembro de 2010 que Finch começou a ajudar as pessoas.
– Essencialmente, este episódio deve ocorrer em outubro/novembro 2010, poucas semanas depois da morte de Ingram, antes das missões de Reese e Stanton em Marrocos e Ordos , e antes da morte de Jessica Arndt, em dezembro de 2010. Da mesma forma, a missão em Ordos não pode ser após Dezembro de 2010. Em fevereiro de 2011, Reese topa com Finch no hospital ao tomar conhecimento da morte de Jessica.
– Ao final de Matsya Nyaya, afirma-se que maio 2010 Reese ou Stanton foram a um médico coreano para tratar os ferimentos após a explosão em Ordos. Como indicado acima , isso deve agora ser alterado para cerca de Dezembro de 2010. Além disso, Reese precisa ter estado em Marrocos antes da morte de Jessica em 7 de dezembro de 2010, uma vez que ele fala com ela ao telefone enquanto estiva por lá.
Frases
– “Espero que as ameaças precisem de ambulância e não do legista.” (Finch para Dillinger)
– “Na próxima vez que uma mulher atraente quiser agradecê-lo por salvar a vida dela, um ‘de nada’ é suficiente.” (Finch para Dillinger)
– “Já pensou em arrumar um cachorro?” (Dillinger para Finch)
– “Vocês, mercenários, são todos iguais. Nunca pensam direito nas coisas.” (John para Dillinger)
– “É tão avançado. Quase alienígena.” (Daniel Casey para Finch)
– “Sabia que eu era um tubarão quando me contratou. Não pareça surpreso quando eu farejo sangue na água.” (Dillinger para Finch)
– “Já olhei nos olhos de traidores, Casey. Você não é traidor. Você parece como alguém que foi encurralado. Pegue o próximo ônibus para o Maine. Quando chegar em Caribou, um homem estará esperando para levá-lo ao Canadá. Se eu souber que você não apareceu, vou atrás de você. E quando achá-lo, estarei de muito mau humor.” (John para Daniel Casey)
– “Só mais uma coisa, Casey. Meu chefe vai precisar de prova de que você morreu. Uns dois molares deve dar. Quer fazer as honras?” (John para Daniel Casey)
– “O código é como sangue na água. Mas você não é o único tubarão. Não há governo nesse planeta que não mataria para pegá-lo. E mataram, Sr. Dillinger.” (Finch para Dillinger)
– “Ninguém nunca te disse que parques não são seguros à noite?” (Shaw para Dillinger)
– “O laptop dá mais trabalho do que vale. Os dois agentes da CIA no caso do Casey, os que deixaram o laptop escapar, envie-os para confirmar que é o aparelho. Depois o destrua, junto com eles. Não podemos arriscar que isso tudo volte para nós.” (Control para Special Counsel)
– ‘Como eu disse… Temos uma amiga em comum. E agora, ela precisa da sua ajuda.” (Root para Daniel Casey)
Diálogo 1 (Stanton e John)
S: Vai voltar para perseguir a ex-namorada?
J: Na verdade, pensei em ir para Aruba. Algo sobre matar um cidadão me deixa com vontade de ir à praia.
S: Não estou pronta para te ver de sunga.
Diálogo 2 (Special Counsel e Control)
SC: Com todo respeito, senhora, não estaríamos nessa situação se não tivéssemos matado Nathan Ingram. Quem melhor para fornecer acesso irrestrito à fonte do que o homem que a criou?
C: Nathan Ingram viveu mais do que a utilidade ele. E demos um jeito nele do jeito que era preciso. Você deveria considerá-lo um aviso.
Diálogo 3 (Finch e Daniel Casey)
F: Às vezes as pessoas podem ser bem complicadas. Um computador só faz o que você o programa para fazer.
D: – Exatamente. Ao menos é o que eu costumava achar.
Diálogo 4 (Daniel Casey e Finch)
D: Esta é uma edição original do livro de Shannon e Weaver, “Teoria Matemática da Comunicação”. Isso é…
F: Acho que a palavra que procura é “irado”.
Diálogo 5 (Control e Special Counsel)
C: Então a agente falhou.
SC: Não foi isso o que ela falou no interrogatório. Falou que se tivéssemos a enviado antes, ela teria matado todos.
C: O que ela falou?
SC: Para falar a verdade, as palavras dela foram mais “coloridas” que essas. Levando tudo em consideração, acho que podemos esperar muitas coisas dela.














