Contagem regressiva.

Spoilers Abaixo:

Em um episódio que contou com boa parte das melhores características da série, Trojan Horse pôs fim a mais um desesperador hiato de Person of Interest  e, além de cumprir o que dele era esperado, aumentou ainda mais as expectativas dos fãs para a reta final da temporada, indicando que a vida de John e Finch com certeza não será nada fácil daqui para a frente.

Dentre todos os pontos positivos apresentados no episódio, o grande destaque vai para a extrema eficiência com que seu roteiro abordou quase todos os plots principais da temporada e, em maior ou menor grau, deu andamento a todos eles. As histórias foram intercaladas inteligentemente e o desenvolvimento de cada assunto foi realizado de maneira bastante ordenada, tornando bastante plausível toda sucessão de acontecimentos  ao longo da trama. Ao contrário dos episódios anteriores, dessa vez o caso da semana voltou a ser o ponto mais importante, não só porque Reese e Finch voltaram a se deparar com uma conspiração complexa, mas principalmente pelo fato desta ter sido relacionada com o principal plot da temporada: o vírus inserido na rede americana por Stanton para o grupo cujo nome descobrimos neste episódio, a Decima Technologies (do qual Greer, o velho, é o porta voz). Além disso, foi também muito interessante a maneira como as informações nos foram sendo reveladas ao longo do episódio, pois ainda que fosse possível desconfiar de algumas pessoas e, depois de certo ponto, de que o grupo de Greer estava por trás de tudo, o episódio sempre nos brindou com um “algo a mais”.

E o “algo a mais” principal teve a ver logicamente com a Decima Technologies. Agora, além de sabermos que não é o governo chinês e sim uma organização independente que está por trás do vírus, o episódio ainda mostrou que Greer responde a alguém e não é portanto o cabeça por trás de toda a conspiração. De quebra, Harold ainda reconheceu a assinatura do código que infectava a Rylatech (a empresa de Monica, a ameaçada da semana) e agora não só já sabe que é a Decima Technologies quem está por trás do vírus, como também tem certeza que o alvo deste é a Machine, fato este que reforça duas teorias: a primeira (que eu prefiro) que o objetivo do vírus é desativar a Machine e deixar os EUA  à mercê de um atentado terrorista; e a segunda, de que o grupo pretende se apoderar da Machine.

Mas apesar de toda importância do caso da semana, confesso que o que mais gostei no episódio foi a parte envolvendo a HR, Elias e Cal Beecher. Ao longo de toda a temporada a série vem desenvolvendo lentamente cada um dos elementos desse plot e, em Trojan Horse, provou que sabe muito bem o que está fazendo e onde está querendo chegar.

Como sabiamente Elias já percebeu, a HR e ele disputam uma espécie de jogo de xadrez, movendo cuidadosamente cada uma de suas peças com o objetivo de se fortalecer e ao mesmo tempo enfraquecer o oponente. No momento, em posição desfavorável dentro da cadeia, Elias vai vendo a HR crescer pouco a pouco, formando aliança com russos Yogorov, eliminando adversários dentro da polícia e usando de influência para transferir os aliados do carequinha mafioso para longe dele, o que somado aos fatos de que Elias continua preso e desconhece a real identidade de seu oponente master, dá a Quinn uma vantagem ainda maior na briga pelo posto de bandidão número 1 da cidade. No entanto, também é certo que Elias não se dará por vencido facilmente e, como ele mesmo disse a Finch, ainda possui uma ou duas cartas na manga, o que indica que provavelmente iremos nos deparar em breve com uma bela guerra pelo poder que, com certeza, também irá respingar em John e Harold.

Quanto a Beecher, é uma pena que apesar de minha intuição ter se mostrado acertada e ele não estar envolvido com Quinn, este não titubeou e tratou de mandar Simmons eliminar seu afilhado antes que ele chegasse sozinho à conclusão de quem estava por trás da morte de Szymanski. No entanto, ainda que eu não tenha gostado da morte de Cal, é necessário dizer que o episódio soube desenvolvê-la muito bem, tendo inclusive nos deixado pensar por um momento que John e Finch conseguiriam salvar o detetive para depois mostrar Carter encontrando-o morto em uma cena que, a mim, cortou o coração.

E por falar em Carter, vamos ver agora qual será o seu comportamento daqui por diante. Apesar de Lionel estar constantemente avisando-a para não se envolver com a HR, pela personalidade que conhecemos da detetive é bem provável que ela vá se sentir culpada pela morte de Beecher (uma vez que ele morreu por tentar provar a ela que era inocente) e comece a procurar os culpados por conta própria, o que provavelmente a colocará no caminho da HR e correndo sério risco de ir fazer companhia a Cal. Será que o Social Security Number de Carter voltará a ser apontado pela Machine?

Trojan Horse ainda encontrou tempo para reintroduzir Shaw na trama e começar a trazê-la para perto de John e Finch. É claro que seria muito fácil se a bad ass repentinamente mudasse de ideia e aceitasse a proposta de trabalhar com os dois, porém a série foi perfeita não só ao dar a ela um ótimo motivo para se aproximar, como de quebra ainda abriu uma oportunidade para que venhamos a encontrar Root novamente em breve. Detalhe: ao contrário das outras vezes, agora a hacker deve ser a caça e não a caçadora. Será que dessa vez Root leva a pior?

Observações

– Quem está torcendo por Elias contra Quinn levanta a mão! (A minha já está lá em cima! Hehe… )

– E a Machine achando o Finch dentro da prisão? Não perdoa uma…

– Para quem não se lembra, a IFT, empresa que ofereceu a melhor proposta a Monica, é a companhia de Nathan e Finch que vendeu a Machine ao governo.

– Pelo jeito faltam apenas 541 horas e 50 minutos para o vírus entrar em ação, ou seja, um pouquinho mais de 9 dias. Ai caraca…

– E o Greer já sabe que foi uma única pessoa quem frustrou seus planos na Rylatech e vai atrás dele. Mal sabe ele que ele já sabe o nome dessa pessoa…

– Bear teve uma grande participação no episódio. Mas a cena dele em que Finch o chama de traidor por ter deixado Shaw entrar na “biblioteca” foi impagável.

Frase

“Se vocês dois preferirem ficar sozinhos…” ( John, zombando de Finch por sua “simpatia” por Monica).

Diálogo entre John e Finch:

J: “Enquanto combatíamos espionagem internacional, as coisas ficaram ruins no nosso quintal.”

F:  “Seja qual for o jogo em que o Elias se envolveu, fica mais perigoso a cada dia.”

Telas azuis

Trojan Horse teve OITO telas azuis, porém as traduções da dela ainda não foram disponibilizadas no Wikia de POI. No entanto, os significados das seis telas de “All In” finalmente saíram. Quem quiser ver o original pode clicar aqui, porém seguem abaixo as traduções das especulações do Wikia.

Tela 1:  Trecho do “Canto XXXII” do Inferno de Dante.

No Canto XXXII do Inferno de Dante, o narrador descobre um lugar onde os pecadores estão presos até o pescoço no gelo. Ele encontra dois homens que estão presos tão próximos que um parece estar comendo a cabeça do outro. Perguntando ao pecador quem ele é e por que ele escolheu fazer algo tão horrível, o pecador responde que o outro homem, a quem foi originalmente aliado, o traiu, trancando o pecador longe e causando sua morte.
“Ao confiar nele fui feito prisioneiro / E depois de condenado à morte”.

No Wikia, especula-se que o texto pode se referir às consequências de Nathan Ingram ter criado o backdoor na máquina – em última análise, a ambos ficaram presos por esta escolha, que Harold queria evitar, e elas acabaram resultando na “morte” de Harold. Particularmente, penso que essa é uma boa interpretação.

Tela 2: Trecho de um relatório da CIA sobre os materiais e os efeitos de ataques terroristas químicos, biológicos, radiológicos ou nucleares.

O trecho fala novamente sobre Antraz, que já foi outras vezes mencionado em códigos anteriores. Segundo o Wikia, em um dos ataques com antraz cometidos em 2001, a ativista Barbara Rosenberg sugeriu que o ataque poderia ser obra de um “agente da CIA desonesto,” possivelmente realizado “com a ajuda involuntária de um programa do governo sofisticado”.

Tela 3: Trecho de “Cinderela”, conforme contada pelo Irmãos Grimm.

Na versão de Cinderela dos Irmãos Grimm, as irmãs dela cortam pedaços de seu pés para caberem no sapato da Cinderela. O príncipe não percebe, mas a cada vez, um passarinho diz a ele para olhar no sapato porque os pés das mulheres estão sangrando.
Esta versão se concentra mais sobre a punição exigida para as irmãs do que o final feliz.

O Wikia supõe que esse trecho pode ser interpretado como um conto de advertência para a loucura de fazer grandes sacrifícios a fim de obter ilicitamente algo, porque no final, a mentira nunca dura. Essa observação poderia ser remetida então às palavras de Nathan a Harold, quando ele disse que “a verdade sempre te alcança, Harold, não importa o quanto você tente escondê-la.”

Tela 4: Trecho do ” Relatório oficial dos atentados em Londres, em 07 de julho de 2005″; e Tela 5: Trecho retirado de documentos do Departamento de Defesa dos EUA sobre Massacre de My Lai, Guerra do Vietnã.

O conteúdo das duas telas são diferentes pois um (tela 4) versa sobre um ataque terrorista contra um país ocidental (Inglaterra) e outro (tela 5) sobre um ataque contra civis realizado por um país ocidental (EUA) contra um oriental (Vietnã). O Wikia opina que pode ser uma espécie de reflexão sobre o que seria um ataque terrorista, ou seja, por que um ataque dos EUA contra civis é diferente de um ataque terrorista? Só porque o país que comete os assassinatos são os EUA?

Tela 6: Trecho do Livro XVI. A Batalha Sexto: Os Atos e morte de Pátroclo, parte da Ilíada de Homero.

A tela descreve um dos momentos mais famosos da Ilíada, a Batalha de Tróia, especificamente o momento em que Aquiles, um dos maiores guerreiros dos gregos, chega às margens de Tróia, mas se recusa a lutar depois de ser desonrado. Como Hector lidera os troianos contra a frota grega, quase certamente garantindo a destruição desta, o melhor amigo de Aquiles veste a armadura deste vai lutar sob o disfarce de Aquiles. Os soldados gregos, incendiados pela visão de Aquiles, lutam contra os troianos, porém Pátroclo é morto por Hector antes de conseguir cercar Tróia. Só então Aquiles surge e, enfurecido com a sua tristeza por Pátroclo, vai para o campo e mata muitos, porém sempre continua em busca de Hector, sendo que, não fosse a morte de Pátroclo, Aquiles provavelmente nunca teria lutado contra os troianos.

O Wikia imagina (e para mim essa é bem óbvia) queesta é uma referência à decisão de Nathan de, com a ajuda da máquina de Harold (que seria sua armadura), tentar proteger os irrelevantes, sendo que Harold só teria decidido fazer o mesmo após a morte de seu amigo.

Interpretação final do Wikia

O Wikia conclui que as telas não são apenas apontam para eventos passados, mas para o que a máquina pode fazer, no futuro, se “libertada”. Ela estaria livre para evitar assassinatos usando todos os recursos de que dispõe e poderia interpretar “terrorismo” e “assassinato” de maneira diferente ao que os EUA fazem. Desta forma, a máquina também poderia proteger outros países contra os EUA, motivo pelo qual o governo americano seria contra a perda de controle da Machine. Outro ponto a ser considerado seria o de se a Machine veria sua própria capacidade de matar como assassinato ou não. No último caso, estando livre, ela poderia criar uma ditadura digital que tentaria de qualquer maneira proteger a humanidade de si mesma, incluindo exterminá-la.

E aí,o que vocês acham? Muita viagem? Particularmente penso que as interpretações individuais das telas são bastante válidas, porém acredito ser um salto muito grande entre o significado destas e a a conclusão final apresentada (ainda que ela seja uma possibilidade válida).  O jeito é esperar as traduções das telas desta semana para vermos se conseguimos verificar essa teoria do Wikia ou se outra irá se apresentar.

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