O contrate do faroeste americano com a aparentemente calma Londres vitoriana nunca foi tão igual. Enquanto a selvageria é bem visível no deserto americano, em Londres nada é exatamente o que transparece. Ethan e seus demônios não tem uma pausa, assim como os de Vanessa que se aventura com Dr. Sweets até que algo despertou no âmbito dela. Todas as tramas tiveram o devido destaque, mas duas delas se sobressaíram a ponto de mostrar o quão boa a temporada está.
Will you forgive them?
– Lily
O sadismo de Lily e Dorian é extenso, o plot do clube dos ricos e sádicos pareceu muito real; não é duvidável que isso poderia ter existido na Londres vitoriana. Os dois causando naquele pequeno clubinho foi ótimo, só que não dava pra imaginar que disso sairia um bom ato dos dois, foi uma espécie de contradição que depois virou outra. Lily com certeza causou uma forte impressão depois quando clamou a propriedade da garota que salvaram, o novo pet dela parece ter sido facilmente convertida aos novos ideias de Gray e Ms. Croft.
As sessões com Seward são sensacionais, a forma como uma rebate a outra adiciona muito em cena. O método de terapia comportamental foi interessante para experimentar com Vanessa, essa terapia tem uma melhora imediata diferente da psicanálise que era muito mais comum na época e depois da ideia da hipnose tudo fez mais sentido.
Dr. Seward é uma das personagens com maior destaque na temporada, a sua introdução à trama foi muito bem pensada. A visão de Vanessa sobre o passado da psiquiatria foi uma cena bem curiosa, o toque de suspense e perigo foram as emoções exatas para entonar essa sequência; foi muito interessante o vislumbre do passado da médica quando ela é quem tem sempre os de Vanessa. Além disso, conseguiram fazer a estrutura desse plot um quid pro quo impecável, ao passo em que após o vislumbre do passado de Seward é a vez de Ms. Ives reencontrar-se com o seu.
Renfield começa a se estruturar como o fiel servo do seu mestre, Dracula. Por sinal, a ideia de fazer Dr. Sweets como a identidade do grande competidor pelas trevas de Vanessa foi extremamente inteligente, ele é charmoso e aparentemente inofensivo assim o twist foi quase que inacreditável. O verdadeiro Dracula é tão interessante quanto a fachada que ele usa para conquistar Vanessa, porém é quando ele mostra sua face real que o personagem se sobressai.
Rusk é um verdadeiro inconveniente, Hecate soube se aproveitar disso para localizar Ethan e ainda passar a perna no inspetor britânico. No entanto, Hecate e Ethan são uma combinação estranha que não parece funcionar. A compatibilidade e química dos personagens é perto de nula, apesar disso ela anda servindo a um proposito importante e a dupla se superou ao misturar o bem – ou o resquício dele – com a maldade da bruxa para um único objetivo; isso remete bem ao que Victor e Dr. Jekyll estão passando.
É perceptível que Ethan vai dividir o protagonismo da temporada. A sua trama e as sub tramas relacionadas usam bastante parte do tempo, todas as conexões ao seu destino foram muito bem traçadas e até o momento esse plot é o mais fascinante desse terceiro ano da série. Com Sir Malcom e Kaetanay a sua procura, contrapondo Rusk e seu irritante senso de superioridade, faz até sentido ele momentaneamente juntar-se a Hecate. Enquanto essas três porções são ligadas a Ethan, o deserto americano é o palco perfeito para todas essas perseguições.
As concepções sobre a humanidade e o senso de Dr. Jekyll são completamente compatíveis ao personagem. Ele é bem direto e não se deixa abalar por convenções e isso é extremamente importante para a evolução desse personagem em especial. A fórmula de Jekyll em ação foi sensacional e nem por isso deixaram de dar o destaque a Victor que vê uma forma de utilizar essa formula e ainda a aprimorar no processo.
Com a fórmula do Dr. Jekyll, o personagem foi encaixado perfeitamente na nova trama de Victor. Seria impossível achar um timing mais preciso para a inclusão de Henry Jekyll do que quando a desilusão de Frankenstein com Lily é tremenda, tanto que a única solução que parece viável seria destruir a criatura que ele ama. E por sinal, Lilly depois do plot twist de ser a malvada ficou bem melhor.
O novo projeto de Lily é quase que exatamente o mesmo que Victor fez com ela. Transformar uma desamparada em um verdadeiro espelho do que a Londres vitoriana quer leva bastante tempo, mas diferentemente de Victor, Lily tem todo o tempo do mundo; pelo menos é o que ela acha. Quando os plots de Lily e Victor se cruzarem o resultado não vai ser nada óbvio, a única certeza é que será realmente intenso. A cruzada de Lily em se vingar da humanidade já é falha quando ela se lembra de Ethan, talvez Dorian não seja o suficiente para ela pender para o seu lado obscuro e Victor pode partir dessa lembrança dela.
A jornada da criatura ao possível reencontro de sua família tem o potencial de ser o seu melhor plot – o que não é nada difícil – e ainda criar certa empatia pelo personagem. É inegável que John, a criatura, é o personagem unânime no quesito desinteresse de todos os expectadores, mas depois dessa sua nova atitude o aspirante a poeta pode finalmente mostrar um lado mais agradável; assim como fez ao tentar ajudar o garotinho no navio naufragando.
O próprio discípulo do Dracula estragar os planos dele conseguiu deixar o enredo dessa parte da estória espetacular, quando Alexander entendeu a interferência e usou esse servo como exemplo o real perigo do mestre dos vampiros foi ressaltado. Antes disso o bondoso Dr. Sweets parecia um homem comum, querendo apenas o que muitos querem que é a companhia de alguém.
Because I murder with will and not like a blind animal, you think me a monster. – Hecate
E finalmente temos a criatura conhecendo a Vanessa no manicômio, a conexão foi completamente inesperada e vai criar muito rebuliço que talvez chegue a Victor e conecte mais essas duas tramas; a ideia foi perfeita, todas essas tramas interligadas são absolutamente complicadas de terem detalhes ligados. Os cliffhangers criados nesse terceiro episódio foram muito bem inseridos, o encaminhamento da trama parece muito bem traçado e os próximos episódios devem tomar proveito disso.
Penny for a Thought 1: o movimento sufragista sendo abordado na série juntamente com as ideias de Lily foi uma conexão sensacional.
















