Mr. Jones fecha mais uma ótima temporada de Peaky Blinders com chave de ouro. Com um padrão tão alto de qualidade, impressiona a forma com que a série conseguiu manter sua regularidade ao longo de cinco temporadas. Apesar de não existir nenhuma grande inovação em termos narrativos, sua fórmula é consistente o suficiente para permitir o brilho de cada episódio.

Os cinco episódios antecessores a Mr. Jones desenvolvem bem as diversas tramas da temporada, que canalizam para um final cheio de suspense em um evento icônico, com grande semelhança ao apresentado em Bastardos Inglórios.

A série é toda apresentada à partir da perspectiva de Thomas Shelby, portanto o conhecimento do público costuma ser o mesmo conhecimento do protagonista e é nesse aspecto que reside a principal ferramenta de suspense de Peaky Blinders, pois, por mais inteligente e estrategista que Tommy seja, o número de personagens e variáveis torna cada movimento imprevisível.

Uma característica que faz pesar a gravidade de cada acontecimento de Peaky Blinders é a presença de figuras históricas. Além de todos os personagens já apresentados, Mr. Jones conta com a participação de Winston Churchill logo em sua abertura. O diálogo entre ele e Tommy não tem o propósito de um grande avanço narrativo, mas destaca a verossimilhança da série e abre a season finale com um tom ainda mais sério.

Sobre o teor diálogo, é sempre muito prazeroso acompanhar o ótimo texto de Steven Knight sob a interpretação de um elenco tão forte. Normalmente Tommy é a pessoa mais inteligente da sala, mas dessa vez ele está à frente de um homem intelectualmente compatível, o qual se mostra um poderoso aliado, que tem o poder de ler pessoas e rapidamente compreende as intenções de Tommy.

Já durante mais uma clássica reunião em família, a conversa toma um rumo inesperado. Após o breve luto por Younger e a introdução oficial de Aberama à família, Michael e Gina Gray assumem o protagonismo de forma intempestiva e prepotente. A influência de Gina a seu recém marido estimula sua ganância e o leva a conspirar contra o líder dos Peaky Blinders, que precisa colocar em prática todo seu autocontrole em prol de um assunto mais breve e perigoso, que é a sua luta contra o crescente movimento fascista.

Como sempre, o plano de Tommy é extremamente elaborado, mas, também como sempre, sabemos desde o começo que algum imprevisto o surpreenderá e esse suspense é o fio condutor do episódio. Sabemos que algo dará errado, mas o que será e quais serão suas consequências?

Assim que o plano começa a ser colocado em prática, recebemos uma grata surpresa: o retorno de Alfie Solomons, interpretado por Tom Hardy. Sua colaboração proporciona a improvável união entre judeus e ciganos na mesma luta. Entretanto, apesar de existirem ideais compartilhados, Alfie só aceita ajudar por dinheiro.

Apesar de nossa crença na morte do judeu, seu retorno recebe uma explicação convincente e um bom propósito.

Em um universo regido pela sede de poder, é muito difícil obter a total confiança de cada pessoa aliada, fazendo da traição uma das maiores ameaças existentes. O traidor pego nessa season finale é Mickey Gibbs, que tinha acesso a informações privilegiadas por trabalhar no tradicional bar das reuniões dos Peaky Blinders. Apesar de amigo antigo da família, Mickey não foi forte o bastante para resistir à ganância e entregou seus amigos mais de uma vez.

Entretanto, o traidor que causou maior prejuízo ainda não foi descoberto pelos Shelby. O plano de Tommy começa a desandar com mais um escorregão de Finn, dessa vez deixando vazar importantes informações a Billy Grade. Billy era um homem sem grandes ambições, mas que foi forçado a integrar os Peaky Blinders para manipular as apostas no futebol e vem sofrendo grande pressão desde então. A combinação de acesso a informações privilegiadas com as constantes ameaças recebidas de Arthur fizeram dele um traidor potencial. Ainda não sabemos a quem ele está diretamente relacionado, mas a série vem plantando motivações suficientes para sua traição há alguns episódios.

Finalmente é chegado o momento do discurso de Oswald Mosley e é então que Tommy recebe seu contragolpe, que frusta seu plano e ainda resulta no assassinato de Aberama Gold, que, convenientemente, tinha sido apresentado como novo membro da família logo no início do episódio. Além disso, seu recém casamento com Polly e sua busca infrutífera pela vingança de seu filho deixam sua morte ainda mais indigesta. Outra baixa durante a ação é a do insano atirador Barney, que deixa sua breve participação na série ao ser surpreendido pelas costas.

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Um fato intrigante é que nada no episódio indica que Oswald Mosley ou Jimmy McCavern sabiam do plano de Tommy, o que levanta a possibilidade de existir outro grupo interferindo nos acontecimentos. A dúvida plantada na cabeça de Thomas Shelby ao final do episódio é a mesma que habitará nas nossas por provavelmente dois anos, que é quando a série deve voltar para sua sexta temporada.

REVISÃO GERAL
Nota:
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