E esse foi Donna and Joe: um episódio que compilou tudo de excelente que Parks já nos apresentou.
Lá nos idos da sexta temporada de Parks, houve o anúncio de Ann e Chris deixariam a série. Com a audiência baixa, devido à quinta-feira amaldiçoada da NBC, mais a própria perda natural de público pelo envelhecimento da série, ficou a perguntou: como os roteiristas reverteriam a saída de dois personagens do elenco principal? A solução encontrada foi, ao invés de introduzir figuras novas, aumentar a participação de duas pessoas tão importantes no universo de Pawnee, mas presas a papeis figurativos: Donna e Jerry/Garry/Terry. Este, apesar de figurante, sempre teve bastante atenção humorística por parte dos roteiristas, que estabeleciam situações esquizofrênicas, como sua esposa, família, o tamanho absurdo de seu documento sob as calças e, claro, sua falta de sincronia entre os membros corporais. Donna, por outro lado, começou quietinha, aleatória e sem chamar atenção. No entanto, no sexto ano da série, a personagem conseguiu se tornar a governadora-do-universo-fumaça-preta-da-ilha-de-Lost-destruidora-de-vidas-e-novo-guru-espiritual-da-população-mundial e não teria melhor forma de homenageá-la que Donna and Joe.
O que tornou esse episódio em algo tão especial foi o fato de todos os personagens e todos os plots terem funcionado de forma exemplar. E, como na última review, reclamei da forma que April estava sendo usada nessa temporada, Donna and Joe quebrou minha opinião antiga e ostentou a força da personagem. No primeiro momento em que nossa imperatriz do universo comentou que a creepy tinha sido escolhida para ser sua dama de honra, por 2 milésimos de segundo, eu questionei a escolha, no entanto, vem cá e pensa comigo: quem melhor para controlar os detalhes e os dramas familiares de um casamento que April? Ela tem vergonha na cara? Não! Tem papas na língua? Não mesmo. Tem sangue azul efervescido latino e nordestino barraqueiro? CLARO! Diante disso, essa semana tivemos a melhor participação nos rumos finais da série. Particularmente, ri muito alto com ela enclausurando a família de Donna e colocando todos em seus devidos lugares como uma General de Exército (olhaí uma profissão digna que ela poderia seguir).
Quem continuou cativando ainda mais o público foi Tom Haverfod e, dessa vez, auxiliado por Ron Swanson. Esse dois são o pareamento narrativo mais interessante que a série consegue estabelecer: opostos em todos os sentidos e não foi no casamento de nossa imperatriz que eles decepcionaram. Primeiramente, tenho que ressaltar a leveza com que Ron está vivendo nessa temporada, depois de resolver seus problemas com Leslie. Sorridente, feliz, aceitando abraços (mesmo que relutantemente) e declarando sua fascinação pelo amor romântico e pela arquitetura de igrejas. Isso é uma faceta muito bem vinda do personagem, uma vez que não contradiz sua personalidade, mas a complementa de forma ideal para os capítulos finais da série. Tom, por outro lado, não consegue esconder sua paixão intensa por Lucy, que também gosta muito dele, no entanto se assusta ao saber da dimensão real dos sentimentos do rapaz. Que casal lindo, que plot fofo (não to nem aí se foi clichê) e que resolução bonita. Não quero que a série, de forma alguma, vire novelas das 9 da globo e comece a casar todo mundo na reta final, mas, olha, que talvez rolasse um perdão pelo casamento dos dois, até porque quem não gostaria de ver o extremo da ostentação que seria essa cerimônia, hein?
Ben também teve a chance de brilhar, mas NUNCA roubar o brilho de nossa imperatriz, que sabiamente disse: “Roubar meu brilho? Fia, vem cá, você viu já como estou nesse vestido?” <3 Claro que para ajudar na esquizofrenia do episódio os trigêmeos apareceram (FINALMENTE, TODOS GLORIFICA!) e, no encalço deles, Jennifer Barkley. MEDELS-ALAH-JIAVÉ-DO-CEU, que esses trigêmeos são um cruzamento de Alien com Predador e uma pitada de Emily Rose capirotada. Foram cenas seguidas e crises infindáveis de risos com o desespero de Ben, Leslie e a babá dos meta-humanos, mas nada superou nossa saudosa Jennifer gritando: “Wow, que foi isso? Isso é gigante!” quando avistou um dos mini mutantes correndo pela casa <33 E com Berkley veio o convite a Ben para ser Congressista e, consequentemente, a cachaçada na festa de Donna, com direito a dancinha e declaração de amor para sua esposa. Foi curiosa a forma que o roteiro levantou a possibilidade de ele tirar um dia para se sentir como Congressista e outro como se tivesse recusado o convite. Leslie e nós tínhamos uma opinião muito certa e justa sobre o que ele deveria fazer e o álcool (te amo) fez o dever de casa em garantir que a pressão caísse para o aceite mesmo.
E, em um episódio em homenagem à Donna, nada mais elegante que ele aparecer somente em pequenas pitadas, afinal ela não é obrigada a nos dar o ar de sua graça por 20 minutos. Mas os poucos momentos que ela apareceu em tela foram mágicos. A própria cold open já deu o tom de como sua vida é única e de cinema: uma família que é proibida por lei internacional de viajar de avião em conglomerados maiores de 3 pessoas, pessoas que são tiradas de testamentos por não usarem suporte de copos para mesas e assim vai, mas dão ótimos presentes, então claro que nossa Meagle favorita não ia deixar de convidar ninguém. Porém nenhum momento foi mais antológico e merecedor do Nobel da Paz que o discurso de Donna para suas madrinhas de casamento: depois de descrever Leslie e April como ninguém mais seria capaz (respectivamente, manteiga derretida por fora, mas durona por dentro e o oposto), ela chamou Michelle, que era sua melhor amiga de infância até elas perderem contato por ela achar que seu namorado estava a afim de Donna (o que obviamente era verdade) e agora enfrentaria a provação do casamento de nossa imperatriz. Sério, como não amar um ser superior como esse? #TortaDeClimãoForever
E esse foi Donna and Joe: um episódio que compilou tudo de excelente que Parks nos apresentou, assim como Leslie and Ron, no entanto, ao contrário deste, não focou na emocional, mas chutou a barraca do humor de forma frenética.
P.S.: Donna pediu barraco, April conseguiu. Essa deveria ser a profissão de Mrs. Ludgate.
P.S.: Garry finalmente sendo chamado de Garry =’)















