Um episódio para a todos governar.
Semana passada, Parks and Recreation sambou nas nossas caras e nos apresentou um panorama diferente do que estávamos acostumados. Não somente seguimos em frente com o ano de 2017, mas também foi estabelecida uma rixa abrasiva entre Leslie Knope e Ron Swanson. Este último elemento foi, na prática, o que teve de mais chocante na Season Première. Depois de anos acostumados com a amizade forte dos dois, apesar de suas personalidades e seus pontos de vistas destoantes, a tensão entre magoou os fãs acima de tudo. Para piorar, a disputa pela posse do terreno Newport serviu de lenha para incendiar a fogueira entre os personagens da série e o auge dessa tensão ocorreu em William Henry Harrison, episódio que assustou pelo nível de agressividade que ambas as partes da rixa assumiram.
Como o universo de Pawnee é surreal e absurdo, claro que tivemos elementos de humor para acalmar a tensão. Toda a figura de William Henry Harrison, passando por seu museu e seu biógrafo foi aleatoriedade em níveis megalomaníacos. Nunca superarei a ideia de um local que celebra a vida que poderia ter sido de um político, cujos funcionários são voluntários e salário é uma nota fictícia que só pode ser trocado no museu em uma máquina quebrada ( <3 ). April deu continuidade à sua busca por um emprego que a inspire e o mais divertido nesse plot é a dinâmica carinhosa estabelecida com seu marido, que, ao final do episódio, chegou a uma bela conclusão de que não precisava procurar o que se gosta, mas a razão por trás disso. Terry e Ben enfrentaram uma odisseia para conseguir as assinaturas de Knop e Swanson em um mesmo documento e chegou a dar pena o desespero do Mr. Knope por ver seu mundo cair a cada problema que aparecia, o que foi agravado pela companhia entediante (para ele, divertida para nós) de Larry, Jerry, Gary. Mas, depois de assistir Leslie and Ron, não tem como deixar de perceber que o primeiro episódio foi puro trampolim para o segundo e foi neste que a série brilhou muito.
Parks and Recreation teve grandes episódios emocionais ao longo de sua jornada e, curiosamente, nenhum deles (sim, nenhum) falhou em entregar um resultado, no mínimo, excelente. Foi assim com Leslie and Ben, que, depois de vários anos, coroou um relacionamento instigante e adorável entre dois personagens incrivelmente compatíveis em seus descompassos (tanto que tudo que poderia dar errado no casamento deu e, mesmo assim, o final foi lindo). Moving Up Part 1 e 2 foi uma grande celebração a tudo que a série representou, uma homenagem de puro coração para os fãs e todos os envolvidos no projeto, atingindo o ápice com o “Bye, bye Li’l Sebastian”.
Mas, talvez, a raiz de todo o talento tremendo em lidar com emoções seja derivado de um episódio escondidinho lá na terceira temporada: Fancy Party. Em meio a uma temporada impecável (sim, não estou exagerando), o casal mais doce, improvável, impagável e estranho de Parks decidiu se casar após pouco tempo juntos. Tudo seria loucura, mas os roteiristas construíram tão bem os personagens que, na verdade, ficamos com os corações na mão e nós na garganta quando April saiu com seu vestido de casamento, Andy se emocionando ao ver a noiva e os votos sendo ditos ao som “April Come She Will” de Simon & Garfunkel. Essa cena e esse episódio mudaram e moldaram o coração da série de forma inexplicável e, talvez, a convergência de todos os grandes momentos emocionais de Parks and Rec tenha ocorrido essa semana, com Leslie and Ron.
Um episódio de vinte minutos quase que inteiramente centrado em dois personagens conversando e tentando resolver as desavenças. Isso poderia ter resultado em tédio e cansaço, mas Nick Offerman e Amy Poehler entregaram atuações exuberantes, principalmente o primeiro e fica desde já o meu lamento por saber que o ator nunca foi e provavelmente não será reconhecido pelo trabalho maravilhoso que fez com Ron Swanson. Mas não somente foi o roteiro e as atuações que brilharam nesse episódio: a direção e a montagem tornaram tudo mais perfeito, ao dar a ideia de tensão pela contagem do tempo e o estabelecimento de três atos bem claros mesmo com a limitação de espaço e de tempo. E, depois de elogiar tecnicidades, vamos falar do que aconteceu naquele escritório.

Morning Star foi um elemento que atiçou minha curiosidade intensamente, desde que foi anunciado na première, então o caminho até a descoberta do que verdadeiramente aconteceu foi de altas expectativas. E, antes de chegar ao momento da verdade, vimos Leslie sendo Knope e montando quadros, esquemas, lendo todos os projetos que fez com Swanson e indo em busca até mesmo da avaliação de sua entrevista para encontrar a razão. Tudo banhado em uma áurea cômica neurótica, mas sempre com um tom emocional pelo esforço gigantesco que Leslie fazia para encontrar uma forma de resolver tudo e recuperar a grande amizade que tinham. Mas nada, NADA poderia preparar para o que viria a ser a realidade dos fatos.
É muito comum, quando estamos ocupados, acabar focando em nossos estresses e problemas e negligenciar o que acontece com os outros em nosso redor. E Knope, mesmo tentando ser a melhor pessoa e melhor amiga para todas as pessoas, acabou sendo vítima desse tipo de reação. Não somente retirou de Ron os pilares que o aproximavam do que o escritório fora um dia, um grupo de amigos que trabalhava juntos, mas terminou por ignorar os sentimentos do amigo e foi doloroso demais o momento em que ele conta que chegou o dia em que ele não reconhecia mais ninguém que trabalhava com ele. E esse é o momento em que Nick Offerman brilhou forte, com seu olhar desesperado, mas esperançoso, ele foi pedir emprego a Leslie no pior terror de seus sonhos, um órgão federal, mas, no tempo real, olhando para Knope, enxergávamos somente a tristeza do que tinha perdido.
Para nosso deleite, as coisas se resolveram e pudemos acompanhar o momento mais belo da série, com Leslie e Ron brincando, bebendo, saudando e celebrando o reaproximar da amizade e o esquecimento dos problemas que levaram ao afastamento desnecessário, ao som de “Buddy” de Willie Nelson. E, claro, que tudo ainda foi coroado com a cena antológica com o Knope empinando a bunda e Ron simulando seu peido com o saxofone. E é isso: Ron e Leslie estão de volta e o que nos resta agora é esperar para saber como finalizará a questão do terreno de Newport agora que ambos estão unidos.
P.S.: O meu episódio favorito de Parks ainda é Fancy Party.
P.S.: A minha cena favorita ainda é essa.
P.S.: O fim está chegando :’(















