Parks começou lá quietinha no ano de 2009. Muitos largaram a série ainda em sua primeira temporada, quando ainda estava demais na sombra de The Office. No entanto, para quem seguiu em frente, fica a sensação de surpresa pela longevidade alcançada. Acompanhamos a ascensão de qualidade na segunda temporada, tivemos anos praticamente irretocáveis, como a 3ª e a 4ª, e também não fomos poupados de um grande tropeço na jornada, o quinto ano. E lá veio a sexta temporada, que, mesmo vacilando em seu meio, colocou a história nos eixos, explorou ao máximo seus personagens e entregou o episódio mais perfeito da série em sua season finale. Mas, apesar de o coração de fã querer que os personagens fiquem consigo até o fim dos tempos, toda série tem seu fim e, quando foi anunciado que o sétimo ano seria o último de Parks, bateu aquele sentimento duplo: a dor no coração por saber que o final estava chegando e a empolgação de saber que tudo seria feito de forma planejada. Nesse olho do furacão de emoções, chegou a season premiere e o resultado não poderia ter sido mais satisfatório e felicitador.
Primeiramente, é necessário ressaltar o sabor maravilhoso que foi constatar que Parks não se acovardou e seguiu a cronologia de 2017. Ter ficado no caminho que levou até lá, deixando para o series finale a missão de abordar o futuro teria sido uma boa possibilidade. Mas, como Parks quer partir em alta, nada melhor que sairmos da zona de conforto e já iniciar descobrindo que a amizade-baluarte de toda a série sofreu um baque. Gente, como eu enlouqueci e revirei meu organismo ao ver a rixa ente ambos. Melhor ainda só foi perceber que a colisão ocorreu pela eterna diferença de opiniões e visões de mundo de ambos: Ron em prol da menor mão possível do Estado e Leslie defensora do oposto. Particularmente, o segundo episódio, Ron & Jammy, dá um banquete para administrarmos nossas emoções quanto aos personagens. Apesar da rivalidade (bem gritante), a aproximação em prol da salvação de Jam frente às garras infernais de Tammy foi pura nostalgia. E a troca de olhar final, em que as palavras de hostilidade negavam a afabilidade que os olhos demonstravam foi de uma beleza ímpar.
Ron não foi o único a progredir profissionalmente. O bistrô de Tom se tornou um point absoluto de Pawnee. A veia investidora e corporativa de Tom amadureceu ao longo dos três anos. No entanto, seu vazio emocional permaneceu e, diante da mesa de bar, bebendo uísque e ouvindo Pablo do Arrocha, meu coração palpitou quando ele e Andy decidiram fazer uma loucura e ir atrás de Lucy, sua ex-namorada. Antigamente, o senhor Haverford me irritava, no entanto tudo mudou e a prova disso é o fato de eu ter ficado com o coração na mão pelos roteiristas terem decidido dar um namorado à garota. Por mais que meu coração de fã quisesse ver Tom sendo feliz desde o primeiro segundo da despedida, ele entende também que será ainda mais lindo acompanhar o processo de redenção e mudança do personagem para que ele conquiste Lucy novamente (e, claro, anseio ainda mais pelas gafes e trapalhadas que Haverford cometerá tentando administrar seus sentimentos diante de sua nova gerente).
April e Andy também não estagnaram. A nossa creepy infernal tosca favorita do universo se tornou diretora executiva regional de alguma coisa aleatória (como descrito pela própria personagem) e Johnny Karate ganhou seu próprio programa infantil, com suas canções ganhadoras do Grammy. Como meu coração tem um fraco por esse casal, claro que eu amei todas as cenas dos dois. Em 2017, eu me deleitei com o amadurecimento do casal, mas, óbvio, que a percepção desse mesmo faro foi aterrorizante para April e que sequência hilária foram as tentativas de ambos de fazerem coisas aleatórias e aventureiras, particularmente, tive uma crise quando a creepy manda o marido comer um pote de azeitonas e ele tira o remédio do bolso. Ja em Ron & Jammy cada um segue seu caminho e, enquanto Andy dava suporte ao plot de Tom, April brilhou absurdamente. NADA ME PREPAROU PARA A CREEPY SENDO FANGIRL DE JOAN CALLAMEZZO. MELDELS, como Joan de tornou diva do universo nos três anos que pularam. E o melhor é perceber como a jornada da personagem nesse período foi uma representação de tudo que April mais gosta e deseja: anarquia e escrotice (em minha opinião, nada supera a visão de Joan em cima da máquina de lavar). E não paramos por aí, pois ainda vimos Ludgate em busca do sonho de sua infância: tratar de cadáveres. Ela pode não ter se encontrado profissionalmente com os mortos, no entanto será maravilhoso acompanhar sua busca nos próximos episódios.
Donna, Terry-Larry-Jerry-Gary e Ben não tiveram destaque nos plots dos episódios de estreia por estarem servindo de apoio nas tramas dos outros personagens. No entanto, isso não quer dizer que eles não tenham tido ótimos momentos no episódio. Donna brilhou em sua conversa sobre o noivado com Leslie. Eu tive um ataque de riso com o discurso distorcido de Tom na homenagem a Ben e a reação deste à leitura das verdadeiras palavras do amigo no escritório. Sério, aquele chororô dos dois foi um dos momentos mais épicos da série. Já Terry-Larry-Jerry-Gary estava lá sendo ele mesmo em sua melhor forma, principalmente em sua parceira com Johnny Karate sendo destruído pelas crianças-ninja. Por último, Leslie Knope desfilou competência, coração e profissionalismo, como sempre, destacando-se particularmente em sua rivalidade com Ron. Mas, também, foi ótimo vê-la reencontrando a trupe e tentando convencer Jessica Wicks a entregar o terreno Newport a ela para transformá-lo em um Parque Nacional. Nesses momentos, em que Knope expõe sua paixão e motivação, lembramos a razão de nosso amor por ela e pela série ter durado tanto tempo.
E é isso: restam somente algumas semanas a mais de Parks e a nossa missão agora é aproveitar tudo ao máximo.














