Medo nos olhos.

Estamos a apenas um episódio do final e os roteiristas estão a pleno vapor com as modificações iniciadas nesta temporada e de alguns resquícios de outras anteriores. O retorno de Joel e Julia, o noivado de Sarah e Hank, a situação de impotência de Camille em relação à saúde de Zeek, a própria saúde do patriarca, a gravidez de Amber e os seus temores, Drew e uma relação mais próxima de seu avô e o fim do Luncheonette. Estes são apenas os que me lembro de cabeça agora.

É dolorido pensar em um fim, principalmente com tantas mudanças ocorrendo. O clima de despedida começou a ser ressaltado, a partir de cenas mais comoventes e mais lentas, contando com a adição de uma trilha-sonora mais delicada e frágil. Parecia que a qualquer momento tudo estava prestes a cair, principalmente se Zeek iria continuar respirando até o final do episódio, como se nós telespectadores estivéssemos pisando em um teto de vidro. A partir dessa conclusão, já imaginou o quão interessante e aterrorizador seria caso uma emissora decidisse que tal temporada será a última, todavia, resolve-se não anunciar a quantidade de episódios encomendados? Em outras palavras, todo episódio exibido dentro daquela temporada poderia ser o series finale?

Deixando de lado o campo filosófico, partimos para o espanto, receio, nervosismo, compaixão, nostalgia e o medo aparente nos olhos dos seis originais dos Bravermans na sua mais pura formação: Zeek, Camille, Adam, Sarah, Crosby e Julia. Uma crueldade para os fãs ansiosos pela retirada da cena em que Zeek anunciaria a sua decisão sobre a cirurgia. De partir o coração, porém necessária para captar a reação de cada filho, de cada sentimento, de cada expressão desde as emoções acima citadas até a de revolta, impotência, negação e perda. Como muitos de vocês já devem ter lido em um post viral que circula nas redes sociais, quando estamos por volta dos 40 ou 50 anos, temos muito medo de perder os nossos pais e Parenthood está retratando muito bem esta fase da vida de cada filho. A incapacidade de parar o tempo e fazer nossos pais rejuvenescerem para poder cessar o sofrimento constante de vê-los ficarem cada vez mais debilitados e frágeis a cada dia que passa quando se está na terceira idade.

Algo que é possível notar a partir das storylines é Parenthood estar passando o bastão para a próxima família, como se fosse um “a vida continua, e assim estamos retratando”. A leveza da série sempre foi uma de suas características mais fortes, por mais emocionantes que fossem algumas histórias abordadas e cenas exibidas. Com tantas produções puxando a fronteira e retratando seus protagonistas e histórias cada vez mais pesadas e com maior profundidade, Parenthood consegue ser facilmente assistida sem se tornar fútil ou algo intenso, pesado demais no quesito emocional. A série não se deixa levar para este lado tão aclamado pela crítica e premiações, e que poderia facilmente ser um caminho trilhado pelos os roteiristas com o intuito de ganhar notoriedade no mercado.

Porém estava errado quando disse que os roteiristas provavelmente iriam pegar mais leve no penúltimo episódio no quesito discussões. Brigas e confusões, quase um verdadeiro catfight entre Kristina e Jasmine ateou fogo no episódio. Mas leitores, que barraco gostoso de assistir! Por mais que a discórdia foi absoluta durante algumas cenas, precisávamos de algo assim para distrair a nossa mente da despedida, e que maneira mais fiel de retratar duas esposas defendendo os seus maridos. Falando em marido, Adam pelo visto já tem um emprego certo na escola Chambers Academy e muito gratificante ver o sonho de Kristina se tornando realidade, com cada aluno tentado diversas áreas para conheceram mais sobre si mesmos e os seus talentos. Após o seu câncer e a sua derrota nas urnas, é recompensador ela vencer no aspecto profissional e sendo uma luz na vida de pessoas autistas e os seus familiares que tanto sofrem e temem por seus futuros. Palmas para Kristina que alia o empreendedorismo com a educação e a preocupação pelo próximo. Como uma proprietária de escola uma vez disse em uma palestra que estava presente e jamais esqueci, “Somos primeiro uma escola, e depois uma empresa”. Precisamos de mais pessoas assim no mundo.

Pela segunda vez estou finalizando uma série com Lauren Graham no elenco. Ainda me lembro da tarde de sábado, precisamente ao entardecer e com a televisão sintonizada na Warner Channel para assistir a series finale de Gilmore Girls no horário destinado a reprises. Me lembro bem da melancolia em cada cena que avançava e o vazio que você como telespectador sente ao último minuto ser exibido. Não me esqueço o pensamento que me veio ao pensar que em caso de não assistir o episódio final, jamais iria terminar a série, e desta forma, Gilmore Girls nunca teria terminado para mim. Todavia, felizmente assisti pois caso não tivesse, provavelmente não teria visto até hoje. Não foi diferente com outras séries, e com Parenthood provavelmente também não será. A vinda do bisneto Zeek já era há muito tempo esperada, mas o seu nome foi uma doce surpresa. O casamento de Sarah estar sendo montado as pressas por medo da morte de seu pai é talvez um reflexo pelo o que esteja por vir. Ao que parece entre todos os irmãos, Sarah parece ser a que mais tem medo do futuro de Zeek. Pelo menos por enquanto.

Parenthood registrou 4.40 milhões de telespectadores e 1.3 na demo. No mesmo horário, Elementary liderou com 1.5 enquanto How To Get Away With Murder registrou 0.5 ao reapresentar um episódio.

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